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26/02/2016

 
Quinta-feira,26/02/2026
No meio da madrugada fria (nem tanto) surrupiou uma banana da sra. Vince, fez um sanduba e foi comê-la na janela de seus humildes aposentos, onde o ar fresco estava mais respirável.
Os automóveis subiam lentamente a Avenida Sarney Filho e ele descia na sua solidão não solitária, pois levava consigo seus mestres, o russo Dostoievski e o tcheco Kafka e a sacola de pães.
Magalhaes e sua gaiola abrigaram-se debaixo do telheiro de Pai Cardozo, que continua convalescendo na cama no quarto improvisado na garagem, com o AVC ano passado, perdeu os movimentos das pernas e não pode mais andar. E Little Fat, o caçula da sua primeira e finada esposa, vitima de um raio é que cuida dele. A rotina deles mudaram por completo. Mas o bravo menino responde a altura.
A chuva estiou e a vizinha, mulher do barbeiro entra de supetão na oficina para abrigar-se dos aguaceiros proporcionados pelos carros em alta velocidade na avenida fulera. Little Fat foi rapidinho no mercado e na volta mornará a agua para banhar o seu papai. A garganta inflamada devido uma virose faz o poeta pigarrear constantemente até tossir como um engasgado.
Cad, o agente cultural e provedor do nosso ilustre personagem convidou-o para um evento cultural no dia 06 na sede da capoeira na 13street depois do galeto de Damasio. E confirmou que a verba sai ainda hoje com a graça de Deus.
Mais de onze da manhã – as mães e seus pequerruchos vindo dos jardins de infância, protegendo-os do chuvisco com suas coloridas sombrinhas. Sr. Com mudou de roupa e envergando a camisa preta desguarada com o símbolo do Batman no peito e uma bermuda verde genérica da Adidas feita no Ceará e comprada na lojinha de seu futuro compadre – barrado pela chuva que voltou instantaneamente, Sr. Com sentou-se temporiamente na cadeira abacial de macarrão para ler o conto “Na Colonia Penal” do mestre Kafka – antes lera Hemingway “O invencível” e McCullers “Mme. Zilenski e o Rei da Finlandia”. O velho ladrão jovem Luck com seu cabelo afogueado azara Little Fat para atende-lo – ontem de manhã cedo oferecia um celular que ‘achara’ de bobeira por ai e que não funcionava – após atendido pelo paciente Little Fat, acendeu o cigarro e postou-se na esquina fumando despreocupadamente como todo bom e velho ladrão atrapalhado observava o tempo, planejando alguma treta.
Meio-dia – Com medo de rasgar a rede, deitou-se com a máxima cautela – com a ajuda luxuosa de dez reais, seu Castro arquivou no pen-drive todo seu portfólio – as cartas e as amostras de 25 páginas de “O Mundo do Sr. Con” para enviar as editoras. Os manuscritos digitados da “Vila Embratel/Praça Sete Palmeiras”, “Pai José”, “Viajandão”, “Quem Matou Salomas Salinas?” e “O Mundo do Sr. Com” completo mais de duzentas paginas – todo seu tesouro literário guardados no armário e graças a intervenção direta de seu agente literário digital Mr. Hall, que lera-os e concluiu que são muitos bons para mofarem, instigou seu Com a envia-los as editoras, seguindo o exemplo de Martin Eden – quando tudo estava contra ele, não desistiu e deu no que deu, Jack London...



 
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efemero25
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