No livro natural, mal lido, nasce o engano,
Vê "olho por olho", cego à mutação sutil;
Na dança sem razão, ciclo fértil e febril,
A força maior sempre foi o destino insano.
Sobrevive a espécie só enquanto vai moldando
A forma ao vento, ao frio, ao tempo em convulsão;
O ser persiste buscando reprodução,
no caos que o cerca. O mundo sempre mudando.
Vida transborda em todo nicho permitido,
A seleção é cega, sem rumo e indiferente,
O entorno rege o ser, por forças constrangido.
Competição, pressão, e a luta concorrente,
O forte perece; vive o ser esculpido
que, ao ceder no caos, segue simplesmente.
Souza Cruz