No domo sombrio do tempo suspenso,
teu vulto é farol que nunca se acende.
Espero-te como quem aguarda séculos,
sentinela de ruínas,
erguido apenas pela febre de teu nome.
No silêncio das catedrais desertas,
teu eco rasga as paredes da minha alma.
És ausência que me envolve como véu,
és sombra que se deita no meu peito
como amante que nunca chega,
mas sempre permanece.
O amor, punhal oculto no nevoeiro,
coroa-me com cinzas e abismos.
Quero-te como quem deseja o impossível,
um toque entre estrelas mortas,
um beijo que se dissolve no ar noturno,
mas ainda assim fere como bênção.
E quando a noite se curva sobre mim,
quando todo o mundo é apenas eclipse,
meu coração, faminto de tua escuridão,
arde em vigília eterna.
Pois amar-te é perder-se,
e perder-se é a única forma
de existir em ti.
🔬 Sociólogo e Cientista Político
📜 Bacharel em Direito
✍️ Escritor
📖 Poeta
🐶 Cachorreiro
😺 Gateiro
Publicado no E-Book: Atlas do Abismo
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Brasil, março de 2026