escuto a música apesar da surdez
palpo-a e da mão escapa a voz aflita de um chimpanzé assustado
no início era assim: ouvir e contar não possuíam autor
o som e a música
talvez o silêncio dos pássaros antes das asas
o grito da terra sufocada
o início de um poema
e uma flor no meio dos mortos
a voz toda contida num pergaminho em branco
as mãos, finalmente, moldando o ritmo próprio do tempo
indiferente à surdez do mundo.