guardo as chaves todas
mesmo as inutilmente vaidosas
a acenar às portas insólitas
quem sabe em algum mundo
em algum espaço recôndito
onde os medos imponham fechadura
haja uma chave sonhada
de combinação perfeita
a perfeição que remexa a língua
tão rápido
quanto o beijo de escancarar a porta
nenhuma chave é fútil
nenhum espaço é totalmente fechado
há chaves de atravessar paredes
outras de saltar muros
até as há que perfuram
não me importo de encher os bolsos
precavido de chaves
a qualquer momento
haverá portas sedentas
e matar-lhes a sede
não me é apenas curiosidade
é coragem
31-03-2026