Ó vento que esta alma levas
E qu'a desfazes em mero pó
Asas lhe dás por s'ir sem vir
Ó tempo nesta luz de trevas
Sem passos em caminho só
Que me queres amar e fugir
Fiz amor d'essas letras tuas
Tentação d'palavras minhas
Toque doce d'um puro beijo
Nestas mãos qu'trazes nuas
Nos olhos tristes que tinhas
A embalar-me num salmejo
Ó céu que d'alma me cobrias
Com carunjo ingénuo e breve
Me perfumavas esta vontade
Ó flor que tão suave te dizias
E me servias desse amor leve
Outro que o tinhas sem idade
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma