Poemas : 

Histórias de amor inacabadas (5)

 
 


Mais uma história de afagos por amalgamar.

Ela, cantoneira de profissão, começava o trabalho à mesma hora do sol.
Tinha nome de sopa e fazia o bem até a uma mosca.

Um dia, encontrou uma carteira com documentos, dinheiro e um número de telefone.
Não hesitou; ligou. Do outro lado respondeu Vítor, ainda com a voz embargada de mais uma noitada.
Combinaram uma hora e um local. Juliana cumpriu a pontualidade; Vítor, não. Juliana telefonou-lhe… Nesse instante, Vítor teve o que nós chamamos de déjà vu ao ouvir, do outro lado, aquela voz harmoniosa de menina, voz que transformava os ruídos em melodias.

Lá se encontraram. Vítor quis dar-lhe uma recompensa em dinheiro, mas Juliana recusou, quase ofendida.
Passados uns dias, quando a cantoneira realizava o seu trabalho, encontrou Vítor deitado num banco, todo sujo e inconsciente. Juliana ajudou-o, limpou-o e ficou com ele, cuidando, acamando a sua compaixão…

Será que foi suficiente para o início de uma história, entre dois seres aparentemente tão diferentes?

Será que Vítor não esqueceu aquela voz de seriedade e bondade de Juliana?

Será que Juliana se sentiu enamorada por aquele homem com olhos atados ao mar, que podia cuidar?

Uma coisa é certa: o amor não força os desencontros e não desliga vontades; é a força que aproxima as liberdades do coração.

Continua…




“Acredito que o céu pode ser realidade, mas levarei flores para o pai - Erotides ”

 
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agniceu
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