Mais uma história de afagos por amalgamar.
Ela, cantoneira de profissão, começava o trabalho à mesma hora do sol.
Tinha nome de sopa e fazia o bem até a uma mosca.
Um dia, encontrou uma carteira com documentos, dinheiro e um número de telefone.
Não hesitou; ligou. Do outro lado respondeu Vítor, ainda com a voz embargada de mais uma noitada.
Combinaram uma hora e um local. Juliana cumpriu a pontualidade; Vítor, não. Juliana telefonou-lhe… Nesse instante, Vítor teve o que nós chamamos de déjà vu ao ouvir, do outro lado, aquela voz harmoniosa de menina, voz que transformava os ruídos em melodias.
Lá se encontraram. Vítor quis dar-lhe uma recompensa em dinheiro, mas Juliana recusou, quase ofendida.
Passados uns dias, quando a cantoneira realizava o seu trabalho, encontrou Vítor deitado num banco, todo sujo e inconsciente. Juliana ajudou-o, limpou-o e ficou com ele, cuidando, acamando a sua compaixão…
Será que foi suficiente para o início de uma história, entre dois seres aparentemente tão diferentes?
Será que Vítor não esqueceu aquela voz de seriedade e bondade de Juliana?
Será que Juliana se sentiu enamorada por aquele homem com olhos atados ao mar, que podia cuidar?
Uma coisa é certa: o amor não força os desencontros e não desliga vontades; é a força que aproxima as liberdades do coração.
Continua…
“Acredito que o céu pode ser realidade, mas levarei flores para o pai - Erotides ”