Textos : 

O mundo do sr. Con - 02/07/2026

 
Quinta-feira, 02 de julho de 2026
Manhã – No hall de espera da APAE, Outeiro da Cruz com a senha 42 e chamam 21, de um senhor casmurro, de muleta e acompanhado por uma senhora.
- Oito horas – disse-me uma pixixitinha branquinha e simpática, acompanha a senhora que chamaram. Levanta-se, deixa a bolsa no senta da cadeira plástica e segue para o guichê 04.
Sai da pensão, pontualmente as cinco horas da manhã, peguei o primeiríssimo 314- Vila Embratel – uma bela lua cheia clareava as esperanças, pensou o amado filhote distante pegando serviço na linha de corte da Frigol nos confins do Pará.
As cinco e vinte e quatro rolou a borboleta e desceu em frente ao Terminal da Praia Grande, com as catracas seladas e o portão aberto. Os banheiros todos fechados no cadeado. Urinou atrás da rampa do antigo metrô de superfície. Os irmãozinhos de infortúnios dormiam placidamente no piso da plataforma – uns enrolados nos lençóis, outros sobre os papelões e os sem nada direto no cimento frio. Pobres homens.
Antes das seis, ainda escuro embarcou num Pequizeiro e minutos depois descia na praça do Sacavém e urinou no muro das caixas d’aguas da agua.
( a caneta preta secou e sou obrigado a sair na busca de um vendedor, deixei as minhas tralhas sobre o assento da cadeira. Para minha grata surpresa encontrei com a filha do finado Manoel dos Fogões na fila. Me emprestou essa bendita caneta e volto.
Entrei na fila normal, mas mudei-me para a dos idosos e as sete e uns quebrados, peguei a senha de um gentil funcionário: - Cuidado ao atravessar – adverte-me.
Um capetinha solta um trac(bombinha) no meio do salão. O som chama uma nova leva de pacientes que enfileiram-se na frente da entrada do laboratório.
- Todos com a identidade em mãos! Adverte a atendente do sistema de som.
- Tá ocupada mãe, essa cadeira? – pergunta uma senhora ao lado.
Potentes ventiladores giradores pendurados nas vigas de madeira renovam o ar abafado e dos murmúrios.
- E ai meu cunhado! – fala alguém no celular lá atrás.
Para matar o tempo reler “Lucio Flavio, o passageiro da Agonia” depois de uma negociação tensa com o mestre Ruida banca em frente ao Liceu da Deodoro, ontem a tarde.
“Fiz muitas peças dessas com o velho Bamba, quando éramos ferreiros – mentalizou o poeta ao vê-los nas vigas – o U, as barras e os morcegos etc.
Uma mãe saindo com a filhota da sala de exame. Um maridinho atencioso traz com a filha um copo de agua para a mãe sentada na fileira em frente – está gestante – a filhota traz mais outra, enquanto o marido a abraça aliviadamente.
- Tu comprou pão? – pergunta uma senhora ao celular na outra fileira.
Ainda tem dez pessoas na minha frente. O sr. Careca que entregou-me a senha, descarta algumas na lixeira em frente aos guichês. Um cego e sua companheira entram prontamente na sala de exame conduzido pelo solicito Sr. Careca – minuto depois eles voltam sem graça e esperam em pé lá trás. Um gurizinho atentadinho é contido pela mãe que o poe no colo depois de sentar-se.

09:45 – No micro ônibus da Defensoria Publica atrás da parada.
- Liga o motor motora e vamos! – grita um pixitinho, especial com síndrome de Downs com a voz engrolada.
- Te acalma, tu não tá dentro do ônibus – apazigua calmamente a mãe.
Uma hora atrás, tiravam o sangue dele na enfermaria da APAE. Devolveu a a caneta. Apanhou um Circular no Outeiro da Cruz, descendo quase meia hora depois em frente ao Shopping Tropical no Renascença.
- Ele volta já, já – informou-me um taxista que arrumava algo no bagageiro.
Entro no Shopping Tropical pela terceira vez em minha vida – primeiro em 91 com a Sra. Van para assistirmos “Good Morning, Vietnam!” com Robin Wiliams. A segunda em 98 eapanhar o dinheiro da venda do meu primeiro livro “Itinerário Poético & Espiritual do Desterro” que deixei para vender na Livraria Nobel e agora para urinar e comprar um caneta.
A van estava estacionada, entrei meio cabreiro e olhei alguns de bermuda o que me tranquilizou e encheu-me de confiança. Mei hora depois entravamos no prédio da Defensoria, fui encaminhado para um setor e lá o encontra casual com o velho Pagovof e sua eterna luta para receber os salários atrasados. A jovem recepcionista, depois de consultar a chefe me remaneja para a DPU – Defensoria publica da União em frente ao Campus do Uniceuma no Renascença. Consigo um agendamento para o 17 de agosto e Deus é quem sabe.
Em frente ao Shopping embarco no Jardim Tropical Via São Francisco semi vazio. Toda vez que o poeta submerge nos tuneis das rotatórias da Cohama e da Cohab lembra do acidente que ceifou a vida da bela princesa Diane em Paris no final século passado.
Desceu na primeira parada da Cidade Operaria. Comprou dois reais de salsichas num supermercado que abeira um campo e quatro pães na padaria da esquina da rua de Tio Willi. Quem abriu o portão foi a bela e a mais jovem de suas filhas – Tio Constantino!
Na sala de estar, devorou dois sandubas com café, colocaram a conversa em dia e descobriram que Elon Musk é um fanfarrão. Banhou-se na lavanderia do quintal e depois deitou-se no sofá onde cochilou um pouco e a bela assistia um dorama.
As quatorze e uns trocados recebia o resultado dos exames da tomografia na Medical.
Meia-hora depois o retorno num mesmo Jardim Tropical-São Franciso – o percurso inverso. Uma mãezona e seus dois filhotes. Desceram no Renascença.
No terminal da Praia Grande correu atrás de um Piancó-Jambeiro.
De volta a pensão com o dever cumprido: Fez o exame de sangue na APAE no Outeiro da Cruz, agendou a audiência no DPU para destrinchar o seu BPC no Renascença, visitou o amigo Tio Willi e recebeu o resultado na Medical da Cidade Operaria – e de lambuja trouxe três pães e quatro salsichas para o jantar. Almoçou um guisado de carne de panela com macarrão, feijão e arroz, depois a laranja. Assistiu a serie inglesa Downton Abbey com a genial Maggie Smith e a sua parodia – esse humor britânico.


 
Autor
efemero25
Autor
 
Texto
Data
Leituras
16
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
0 pontos
0
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Links patrocinados