Poemas : 

o que os olhos não veem, o coração não sente

 
Pressinto
prevejo sem pretexto

mesmo sem olhar

com uma claridade que me cega,
uma dor que me carrega
e noto no ar.

De branco o tinto
e de quinto o sexto

mesmo sem ouvir,

no silêncio mais puro
há algo denso de que não me curo
e que só existe no porvir.

Tenho
a impressão.


Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.

 
Autor
Rogério Beça
 
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