Pressinto
prevejo sem pretexto
mesmo sem olhar
com uma claridade que me cega,
uma dor que me carrega
e noto no ar.
De branco o tinto
e de quinto o sexto
mesmo sem ouvir,
no silêncio mais puro
há algo denso de que não me curo
e que só existe no porvir.
Tenho
a impressão.
Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.
Eugénio de Andrade
Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.