Poemas : 

Geometria da fome

 



Rasgámos o silêncio
acendemos a pele por dentro
e
no lume breve dos dedos
inventámos margens
onde cabia o mundo.


Entre o sopro e a vertigem
a noite abriu-se em frutos lentos
e cada sombra era um nome
que aprendíamos com a boca.



Desatámos o peso do tempo
numa dança de veias despertas
e o chão
cúmplice
cedeu
à promessa dos nossos passos.


Assim
de gesto em gesto
colhemos o que tremia no ar.


A luz
ainda por nascer
e o corpo inteiro
a dizer-se.





 
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idália
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