Nunca me tinha sentido preguiçoso para escrever. Antes pelo contrário....
Sentia me bem em cartas compridas, como lencois de linho importado. Tanto a minha família, como os amigos do bairro onde havia nascido, mereciam de mim declinaçoes várias, despidas e vestidas, de um amor esforçado, difícil de definir. Sentimentos que me mereciam um trabalho, quase sobrehumano, de definição e enquadramento literário. Dizia, a quem amava, ser um filósofo em princípio de carreira, um marinheiro preso num barco instável, que se arrastava pelas águas laterais do mundo,...
Quase sem destino, e com sereias que faziam o seu melhor, ao insinuar se, apaixonadas, por toda a pele irregular daquele navio, humedecida por um contacto violento com todos os oceanos do mundo.
E sabia que tudo isto, louco ou racional, desnutrido ou anafado,era lido avidamente.