não sou eu
não fui
não ouvi
não segui
mas sou eu que faço
que amasso
que rasgo um maço
e que grunhe com raça
de supetão, fui seguida
tinha um homem
que me persuadia
que me dizia também
sempre a mesma palavra:
"aberração"
e, que dias de cão
que me destruíram
fiquei quebrada
vulnerável, ruim, apagada
mas eu não sou a única
que já te viu sem uma túnica
batiam no meu ombro
diziam-me, com a voz grave, que eu era:
"gente"
eu chorava debaixo do olmo
e quando fui retrucar
me fizeram jurar que
eu nunca mais seria índigo
e que nunca, jamais, iria gritar
como era grande aquele calçado
que jogavam em mim
ia e vinha
num movimento sem fim
É o ferrão quem perturba a abelha.
Samuel, vou devolver seu violão amanhã! | Escrito por mim no dia 12/12/2025 em Brasília-DF.