Duas folhas ainda ali caiam das árvores
Como se as quatro estações fossem só uma
E a chuva lh’escorresse da alma qual rio
Nessa alva arte dos jardins de mármores
Feitos numas rugas onde a via se arruma
E treme de frio às portas do purgatório
Aquelas grilhetas nuas de arame farpado
Acariciam-lhe a pele habituada a chagas
A dor sedenta de gritos que luta e ressoa
E a paranoia de ter sid’o deus mal-amado
Fez de mar e terra a vergonha que afagas
A uns de batina a quem o crucifixo enjoa
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma