Poemas : 

Evangelho Segundo a Vida [4] (189ª Poesia de um Canalha)

 
Duas folhas ainda ali caiam das árvores
Como se as quatro estações fossem só uma
E a chuva lh’escorresse da alma qual rio
Nessa alva arte dos jardins de mármores
Feitos numas rugas onde a via se arruma
E treme de frio às portas do purgatório

Aquelas grilhetas nuas de arame farpado
Acariciam-lhe a pele habituada a chagas
A dor sedenta de gritos que luta e ressoa
E a paranoia de ter sid’o deus mal-amado
Fez de mar e terra a vergonha que afagas
A uns de batina a quem o crucifixo enjoa


A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma

 
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Alemtagus
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