No colo do teu tempo sorvi tragos,
O teu cabelo como véu na face,
Fria a chuva que me beijou em bagos,
Lágrimas do céu, de alguém que chorasse.
Toda a perdição tem beleza e classe,
Mesmo com cinismo dos teus afagos,
Toda a vida teme que a morte a abrace,
Todo o bem um dia provoca estragos.
A memória, porém, a memória,
Força indómita que reaviva a história,
Com um regaço maior do que o mundo…
E o amor, filho da paixão inglória,
Tantas vezes um com o outro confundo,
Erra em mim como um triste vagabundo.
06 de Novembro de 2026
Viriato Samora