Sonetos : 

Em teus braços tantas vezes morri

 
Em teus braços tantas vezes morri,
Que ao castigo não basta uma só morte,
E tantas outras de vivo fingi,
Ainda que agora isso não mais importe.

Cénicos afagos que reduzi
a átomos ingratos de pouca sorte,
Diluído no sangue vertido até aqui,
Rocha da muralha e do contraforte.

Tanto morri e tanto ressuscitei,
Como num holocausto do Agnus-Dei,
Em mim todos os pecados gravitam…

Mais demónios e deuses que habitam,
Mil vozes que no meu cérebro gritam,
Naqueles braços morri onde amei.

17 de Setembro de 2026


Viriato Samora

 
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ViriatoSamora
 
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