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Carta 20

 
Aos pés de nosso Jacarandá, a profetizar o futuro, a contar-te essas coisas de dentro.

Ma Jolie,

Entendo-te em todos os detalhes, amiúde esses teus desejos que também são meus, e, que corrompem essas linhas, bem como tantas outras que já escrevemos. Entrego-me à felicidade, ao saber, agora, pelas tuas mãos, que tu já te recuperas deste infortúnio que acometeu a ti, e, que já és dotada das forças que, um dia, ousaram abandonar o teu corpo. Confesso que ao ler tuas viçosas linhas, um sorriso ganhou os meus lábios, e, lá algumas lágrimas repousaram neles, como a beijá-los silenciosamente. Meu amor se renova em tuas linhas, e, delas deseja nutrir-se de toda coragem, para, agora, te propor o seguinte. Leia-me, ma Jolie. Leia-me atentamente e não dê outra resposta que não aquela que o teu coração mandar.

Tu tão delicadamente revelas-me o desejo de encontrar-me. Este desejo, ma Jolie, ganhou força no terreno de meu coração, fincando raízes profundas e dissociáveis da razão. Amo-te tanto, que cá sou eu capaz de loucuras. Mas, loucura alguma a mim seria maior do que esta de não poder ter a ti por perto. Não te digo ainda o porquê das ponderações que irei fazer, mas, rogo aos céus que um dia tu saibas de mim o que quero dizer. Encontro-te sim, em nosso refúgio inicial, tomados pela atmosfera literária que inebria aquele lugar. Encontro-te na biblioteca guardiã de nossos segredos, e, estejas lá em horário desusado, que será roubado por mim, para fazer-te entender do quanto eu amo você.

Na noite de sexta, quando todos se vão às suas casas, siga até a biblioteca, como já o fizeste inúmeras vezes. Encontrará lá a porta trancada a chave, mas atente-se ao tapete de boas vindas repousado ao chão. Embaixo do tapete, tuas mãos lançarão de uma pequena chave, com uma tira de papel a ela presa, onde deverá constar a seguinte inscrição: “ Se tu me amas, ama-me baixinho... Não grite de cima dos telhados... Deixa em paz os passarinhos... Deixa em paz a mim!... Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho, Amada... que a vida é breve, e o amor mais breve ainda”.

Reconheces tu esses versos, ma Jolie? Pois se não te forem familiares, não te atrevas a entrar. A biblioteca é grande, e, o tempo escasso demais. Mas, se souberes quem está por trás dessas letras, tomará da chave guardada, abrirá toda e qualquer porta, e, ganhará o salão bibliotecário até a seção que reclusa os títulos de quem as escreveu. Não tente ascender as luzes. Haverá apenas uma vela a alumiar a tua entrada, e, outra a guardar as estantes. No corredor da letra poética, tu encontrarás uma cadeira, a qual deve sentar. Quando fizeres por fim tudo isso, saibas que tuas ações estarão encerradas, e, que quietamente tu deves esperar. Confias em mim, ma Jolie? Estarei bem perto de ti agora, mas para sentir-me por completo, tu deverás se permitir por hora ser vendada por mim.

Se a ti forem absurdas essas cláusulas, entenderei mil vezes mais as tuas decisões, mas se tu permitires que assim seja ouvirás de minha boca o que desejas, o que grita esses nossos corações.

Beijos de loucura,

De quem te ama em segredo,

Secret Passionné.


rody

 
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rody
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