Poemas, frases e mensagens de agniceu

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de agniceu

Os ecos não são vozes nem o amor são falas

 
 
Falas como se desconhecesse
O lugar do choro e das mágoas,
Como se desconhecesse a forja
Das tuas garras.

Falas com a voz de uma tribo inteira,
Das direções certas,
Das batalhas sem derrotas,
Das derrotas que serviram
De força,
Agitadora das vitórias.

Esqueceste de falar
De todas as indecisões
Que te mantiveram parada,

De todas as lições que deste
Sem as comprovares na pele.

No fim da conversa,
A fome do peito
Sabe a silêncio
E não a amor,
Como dantes,
Quando sentíamos
Medo,
Quando um ou outro
Não chegava a tempo
De amar.
 
Os ecos não são vozes nem o amor são falas

Faguices

 
Faguices
 
 
Olho
Agora
Para o aquário
Vazio
Não deixa de ser bonito…

Mas, o que sinto
Sãos a recordações tuas
Do teu entusiasmo
Do primeiro peixinho
Da “tata tuga” como dizias na altura …
Das nossas peripécias
Com a limpeza e alimentação das criaturas

O que recordo á volta do aquário,
Sãos teus sorrisos e as tuas lagrimas,
E a nossa história a dois …

Talvez os lugares de antigamente, envelhecem e morrem da mesma maneira que a gente, apesar da imortalidade dos sentimentos verdadeiros… o importante é não desperdiçar a riqueza dos momentos e do tempo certo deles …
 
Faguices

Vou-te amar até à ultima gota de luz …

 
Vou-te amar até à ultima gota de luz …
 
Procura-se o vinculo mais forte, no céu mais estrelado,
Procura-se o regadio da lágrima mais pesada …
Mas a resposta recostei no profundo da alma …
Com a promessa de te amar …
No eterno lugar onde o tempo não tem espaço …

Poema dedicado a todas as mães que se tornaram estrelas antes de serem avós …

Poema dedicado a todas as filhas que ficaram com o coração amputado, antes de serem mulheres…
 
Vou-te amar até à ultima gota de luz …

As galáxias libertam o mesmo som ...

 
 
lutas como um anjo
longe das asas
e do chão azul

então vamos lutar os dois
com o coração
batendo
um no outro
 
As galáxias libertam o mesmo som ...

Faz nos tão bem… escrever sobre o coração com o coração

 
Faz nos tão bem… escrever sobre o coração com o coração
 
 
os únicos espelhos

que espelham o real espectro da alma

sem inverterem a imagem das palavras [por desenhar] ….

são os olhos



e como é imperdível

o seu confronto

com olhar do ser amado



aqueles sorrisos

sem lábios !



aquele brilho

sem o céu estrelado !



como é possível

nascer daqueles rostos,

o mais preciosos piscares de sonhos



e as vezes

num simples restolho do rostolho

nasce um fio de mar



e quando o mar

se confunde com o céu

naquele silêncio doce

o abraço precoce sucede

sem grandes trabalhos

[é assim a mãe e um filho

quando entram em casa

carregados de saudades]
 
Faz nos tão bem… escrever sobre o coração com o coração

Lutadores

 
 
Os heróis de bicos de pés
Alcançam o céu para nós

Cabe também a nós
Azular os seus passos
 
Lutadores

A gentileza do toque em mão

 
 
sabes
aproximei-me de ti
trazendo aquela pureza do sentir
aquela generosidade intrínseca de te fazer feliz
não queria tocar-te com o comum
próprio dos homens creatófagos

queria dar-te a melhor versão de mim mesmo
por isso coloquei à frente do desejo
a nobreza dos sentimentos
a candura do coração
a verdade
de querer dar
sem querer nada em troca
para além do teu bem-estar…

com o tempo
ensinaste-me
que existe pureza
na pele da carícia
caída no dorso

…que o gosto a murmúrio doce
se intervala na ranhura dos lábios
e num sopro mágico

…que tudo em nós
se procura num todo
o mais chegado
da nossa essência
fervilhando num abraço

…que um afago dócil
nunca poderá
ser impuro
partilhado
na mesma dimensão

…que a extensão dos nossos sentimentos
tem o gemido som
do afeto em fogo
envolvido em prazer
num amor completo
 
A gentileza do toque em mão

Há um firmamento no teu olhar …mapeando o velejar do meu coração … Há um firmamento no teu coração …mapeando o velejar do meu olhar …

 
 Há um firmamento no teu olhar …mapeando o velejar do meu coração … Há um firmamento no teu coração …mapeando o velejar do meu olhar …
 
 
Poderia escolher um milhão de estrelas,
Semeadas por Deus no céu
Para me guiar na emoção …
Mas escolho a luz do teu coração
Para atravessar a escuridão
Da solidão,
Dos passos leigos
Feridos pelo chão molhado …

Escolho a esperança do teu amor
Por mais incerto que seja
Por mais encoberto que esteja o olhar,
Escolho olhar-te,
Despido de peito …

Por mais perto que esteja o clarão de um outro amor,
Escolho fugir para longe, mais perto da dor e da tua incompreensão …

Escolho – te
Pois só há
Uma escolha …

Amar-te!
Amar-te!
Amar-te!

E se um dia,
Deixar de te amar,
É por que morri de alma e de carne …
 
 Há um firmamento no teu olhar …mapeando o velejar do meu coração … Há um firmamento no teu coração …mapeando o velejar do meu olhar …

Os silêncios dos teus vocábulos mudaram as cores das ruas

 
 
o peito afunda
a sede
de acreditar
que o amanhã
vai mudar

a esperança verde
ganha
a cor da espiga
antes de ser fendida

os olhos viram
lagos
copiando
os raios
do nosso astro
chorando a lua

tudo isto ... só porque desististe
do nosso abraço

do afago
dos nossos
gestos

tudo isto... porque o teu mundo
virou mudo
e as palavras caíram descalças
no asfalto
no itinerário
dos lábios
 
Os silêncios dos teus vocábulos mudaram as cores das ruas

Ainda acredito que uma Elefanta do mar pode abraçar um Lóris

 
Ainda acredito que uma Elefanta do mar pode abraçar um Lóris
 
 
Observei cada passo teu,

cada rasto de estrela

que deixaste,

emoldurei-o

com o olhar,

nas mãos,

sem pregar olho.



Apesar da lonjura dos olhares,

ainda tenho em fila

o molde de cada passo

teu,

e o seu infinito brilho

do adeus.



Deveríamos seguir o amor

quando o adeus não faz sentido

e modificar o seu destino.

Ou melhor,

o sentido contrário do amor

não pode ser a mão aberta

disfarçando o Não

com mais quatro dedos

levantados,

desunidos do coração.



Ou melhor,

não deveria existir adeuses,

só as mãos abertas em pares,

mais que preparadas

para se entrelaçarem nas costas,

assim que regressares

e tocares

no peito com o peito,

em clave.
 
Ainda acredito que uma Elefanta do mar pode abraçar um Lóris

Ilibada a saudade na inaugural ferida

 
 
os dias passam
encurtando as horas
desordenadas pelas memórias
de um adeus

todas elas
representam partidas
instantes que têm em comum
a água caída
e os olhos
virados para cima
 
Ilibada a saudade na inaugural ferida

A moradia mais bonita é o teu coração…

 
A moradia mais bonita é o teu coração…
 
Moras cá dentro
Feito sentimento
Doseando a pressa das horas
E os rumores do reencontro ….
Jurado no latejo dos olhos …
Na inevitabilidade
Dos pontos cardeais
Dispersos
No desassossego
Irrequieto …
Dos passos

Porem,

Há uma força contida na veia mais fina
No suspiro maior
Soprando o teu nome
Numa nortada de amor
Que não arrefece
O núcleo
Dos sonhos
Castrados
Pela distancia dos
Nossos braços
Pelos traços
Molhados de dor…
 
A moradia mais bonita é o teu coração…

Aprisionado numa gota de mar

 
Aprisionado numa gota de mar
 
 
As lágrimas

virgens

de calor

regressam

ao mar

lacrado

para os sonhos.



Vejam,

o que as brigas

e os silêncios

[da indiferença]

fazem nos olhos

de uma criança.



Vagas de escuridão

presas na inquietude

de marear

a mágoa.



Querida,

vamos lá

agarrar no machado

e arrombar o pombal,

é urgente

salvar

os seis braços

com a paz

para que todos

os aniversários

sejam mágicos .
 
Aprisionado numa gota de mar

Partidas

 
Partidas
 
 
Os caminhos
cruzam-se,
separam-se,
unem-se,
acabam,

começam
depois
da última
paragem.

Terminam
onde
começaram.

Caminhos…

No outro dia, caminhava
com a alma mais dorida que os pés,
olhava as árvores
abraçando-se umas às outras.

Sozinha
caminhava,

observava
as colinas de mãos dadas.

Sozinha ia.

Avistava a aliança do arco-íris,
aldeagava um pouco mais a solitária marcha,

até chegar à foz da ria.

Aí,
no cimo da minha revolta,
tinha uma multidão
de beijos
caídos em gota,
escorrendo
o som da cara.

Nesse momento
percebi
que todos os caminhos
vão dar ao mar
das lágrimas,
depois do prefácio
do último passo,
antecedendo
o marasmo
dos doces lábios
afogados
noutra face
que não a minha.
 
Partidas

O retrato mais fiel

 
O retrato mais fiel
 
 
A cor desmaiou
Desvirginou o quadro
E espelhou
A realidade
Do que hoje sou

Uma flor que perdeu
A cor rosada
Do seu corpo

A virgindade da alma
Sem ser tocada

Que nunca mais
Voltará
A ser
Presente
Para o amante
Para a namorada

Aquele brilho inocente
Chorado antes de um reflexo límpido
Sem ser tocado
Pelo olhar de outro alguém
Tão esperado
 
O retrato mais fiel

Iria sempre á Cova da Iria

 
Iria sempre á Cova da Iria
 
 
Um peregrino
Segue o caminho
Que o leva
Ao coração

O peregrino não tem um tamanho definido
Apenas uma sede de infinito
Que se sacia
Assim que se chega
Aos pés de Maria

No outro dia
Seguimos o trilho
Tão pisado

Seguimos a concha raiando um sol
Para a gradecer o milagre das rosas

O milagre das rosas

A mãe
Do oco tronco à rama frouxa
Fez nascer um botão de vida

Da ferida dos espinhos
Fez nascer a beleza mais bonita

Aquela criança
Com um sorriso nos olhos
Que nos faz nascer
Em toda a parte
 
Iria sempre á Cova da Iria

Cuida dos meus olhos

 
Cuida dos meus olhos
 
 
Em Ti

Em ti,

tudo nascia

mais verde,

amadurecendo o belo...



Tudo

Tudo em ti,

ganhava o inverso do escuro,

no alinhavado sorriso.



Nasceste

de um poema,

verso

caule,

maestro

erguendo

sentimentos em tudo

que nascia,

protegido pelo solo

da carne,

depois do véu da pele.



Chamaram-te

alma

árvore

tutora,

para mim serás

mãe de todas as dores curadas,

de todos os amores

desembrulhados na pele

de mulher amada...
 
Cuida dos meus olhos

É preciso alma para desmurchar

 
 
essa nua cor,
que entristece a chuva,
essa cor de ruga,
amarrada de alma,
chega até aqui,
a este cais de mágoa.

menina,
levanta a cara,
enfrenta a luz com garra,
desabriga esse lindo olhar de todas as lágrimas.

levanta-te!

a vida grita por ti
do outro lado da janela,
do outro lado da porta.

neste lado,
existe um arco
para enfeitares
com a tua íris
os céus caídos
de mar.

neste lado,
esperam por ti sorrisos por abrir,
e um jardim
onde as flores
te chamam de prima…
 
É preciso alma para desmurchar

A Bochecha do Francisco

 
 
A bochecha que mais gosto
Tem um sabor a cereja,
Deixa o beijo frutado.

Bochechas assim
Não se encontram por aí:
Coradas,
Avermelhadas de pudim.

É uma bochecha gorda,
Beijocada,
Com o cetim da boca.

A bochecha de que vos falo
É a do meu filho,
Tem contornos do paraíso.

Já o meu rebento
Diz que a minha bochecha
É magra,

Uma bochecha
Que parece a careca do tio Jacinto,
Impreparada
Para o frio.
 
A Bochecha do Francisco

O itinerário iluminado da gentileza

 
O itinerário iluminado da gentileza
 
 
A gentileza,
não se comemora devidamente,
quando alguém oferece um sorriso
em forma de estrela
e nos guia para um caminho
menos ermo,
mais bonito.

Talvez,
nos estorvilhos dos trilhos,
[para lá das pontes],
devêssemos plantar flores
e sinais de bondade
e um asfalto
feito de verdades menos azedas,
por mais longo que seja
o trajeto dos sonhos
e das desesperanças…

Afinal,
os passos,
são mais felizes
sem olhar os pés
estrangeiros.

Afinal,
todos
merecemos
um final,
que valeu apena
o começo.
 
O itinerário iluminado da gentileza

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