Os ecos não são vozes nem o amor são falas
Falas como se desconhecesse
O lugar do choro e das mágoas,
Como se desconhecesse a forja
Das tuas garras.
Falas com a voz de uma tribo inteira,
Das direções certas,
Das batalhas sem derrotas,
Das derrotas que serviram
De força,
Agitadora das vitórias.
Esqueceste de falar
De todas as indecisões
Que te mantiveram parada,
De todas as lições que deste
Sem as comprovares na pele.
No fim da conversa,
A fome do peito
Sabe a silêncio
E não a amor,
Como dantes,
Quando sentíamos
Medo,
Quando um ou outro
Não chegava a tempo
De amar.
Faguices
Olho
Agora
Para o aquário
Vazio
Não deixa de ser bonito…
Mas, o que sinto
Sãos a recordações tuas
Do teu entusiasmo
Do primeiro peixinho
Da “tata tuga” como dizias na altura …
Das nossas peripécias
Com a limpeza e alimentação das criaturas
O que recordo á volta do aquário,
Sãos teus sorrisos e as tuas lagrimas,
E a nossa história a dois …
Talvez os lugares de antigamente, envelhecem e morrem da mesma maneira que a gente, apesar da imortalidade dos sentimentos verdadeiros… o importante é não desperdiçar a riqueza dos momentos e do tempo certo deles …
Vou-te amar até à ultima gota de luz …
Procura-se o vinculo mais forte, no céu mais estrelado,
Procura-se o regadio da lágrima mais pesada …
Mas a resposta recostei no profundo da alma …
Com a promessa de te amar …
No eterno lugar onde o tempo não tem espaço …
Poema dedicado a todas as mães que se tornaram estrelas antes de serem avós …
Poema dedicado a todas as filhas que ficaram com o coração amputado, antes de serem mulheres…
As galáxias libertam o mesmo som ...
lutas como um anjo
longe das asas
e do chão azul
então vamos lutar os dois
com o coração
batendo
um no outro
Faz nos tão bem… escrever sobre o coração com o coração
os únicos espelhos
que espelham o real espectro da alma
sem inverterem a imagem das palavras [por desenhar] ….
são os olhos
e como é imperdível
o seu confronto
com olhar do ser amado
aqueles sorrisos
sem lábios !
aquele brilho
sem o céu estrelado !
como é possível
nascer daqueles rostos,
o mais preciosos piscares de sonhos
e as vezes
num simples restolho do rostolho
nasce um fio de mar
e quando o mar
se confunde com o céu
naquele silêncio doce
o abraço precoce sucede
sem grandes trabalhos
[é assim a mãe e um filho
quando entram em casa
carregados de saudades]
Lutadores
Os heróis de bicos de pés
Alcançam o céu para nós
Cabe também a nós
Azular os seus passos
A gentileza do toque em mão
sabes
aproximei-me de ti
trazendo aquela pureza do sentir
aquela generosidade intrínseca de te fazer feliz
não queria tocar-te com o comum
próprio dos homens creatófagos
queria dar-te a melhor versão de mim mesmo
por isso coloquei à frente do desejo
a nobreza dos sentimentos
a candura do coração
a verdade
de querer dar
sem querer nada em troca
para além do teu bem-estar…
com o tempo
ensinaste-me
que existe pureza
na pele da carícia
caída no dorso
…que o gosto a murmúrio doce
se intervala na ranhura dos lábios
e num sopro mágico
…que tudo em nós
se procura num todo
o mais chegado
da nossa essência
fervilhando num abraço
…que um afago dócil
nunca poderá
ser impuro
partilhado
na mesma dimensão
…que a extensão dos nossos sentimentos
tem o gemido som
do afeto em fogo
envolvido em prazer
num amor completo
Há um firmamento no teu olhar …mapeando o velejar do meu coração … Há um firmamento no teu coração …mapeando o velejar do meu olhar …
Poderia escolher um milhão de estrelas,
Semeadas por Deus no céu
Para me guiar na emoção …
Mas escolho a luz do teu coração
Para atravessar a escuridão
Da solidão,
Dos passos leigos
Feridos pelo chão molhado …
Escolho a esperança do teu amor
Por mais incerto que seja
Por mais encoberto que esteja o olhar,
Escolho olhar-te,
Despido de peito …
Por mais perto que esteja o clarão de um outro amor,
Escolho fugir para longe, mais perto da dor e da tua incompreensão …
Escolho – te
Pois só há
Uma escolha …
Amar-te!
Amar-te!
Amar-te!
E se um dia,
Deixar de te amar,
É por que morri de alma e de carne …
Os silêncios dos teus vocábulos mudaram as cores das ruas
o peito afunda
a sede
de acreditar
que o amanhã
vai mudar
a esperança verde
ganha
a cor da espiga
antes de ser fendida
os olhos viram
lagos
copiando
os raios
do nosso astro
chorando a lua
tudo isto ... só porque desististe
do nosso abraço
do afago
dos nossos
gestos
tudo isto... porque o teu mundo
virou mudo
e as palavras caíram descalças
no asfalto
no itinerário
dos lábios
Ainda acredito que uma Elefanta do mar pode abraçar um Lóris
Observei cada passo teu,
cada rasto de estrela
que deixaste,
emoldurei-o
com o olhar,
nas mãos,
sem pregar olho.
Apesar da lonjura dos olhares,
ainda tenho em fila
o molde de cada passo
teu,
e o seu infinito brilho
do adeus.
Deveríamos seguir o amor
quando o adeus não faz sentido
e modificar o seu destino.
Ou melhor,
o sentido contrário do amor
não pode ser a mão aberta
disfarçando o Não
com mais quatro dedos
levantados,
desunidos do coração.
Ou melhor,
não deveria existir adeuses,
só as mãos abertas em pares,
mais que preparadas
para se entrelaçarem nas costas,
assim que regressares
e tocares
no peito com o peito,
em clave.