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Poemas, frases e mensagens de Shepherd Moon

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Shepherd Moon

Poema sem palavras

 
Podia escrever um poema
Quando me olhas e procuras
o meu corpo, adivinhando o meu toque e o meu carinho.
Quando fazes amor na minha pele
com a tua pele, o teu corpo se funde no meu e eu não sei qual é o coração que sinto no peito.

Quando me ouves, me aprecias, me aceitas.

E me envolves num abraço que parece do tamanho do mundo.

Mas as palavras fogem, falham, escapam-se e perdem-se em tudo o que vivemos e sentimos...
Existem palavras para o poema que vivi contigo?
 
Poema sem palavras

Se...

 
Se eu pudesse
Beijava-te a testa e aninhava a tua cabeça no meu colo, decorando cada linha do teu rosto,
Lia-te poemas que gostasses e mostrava-te sítios cheios de sol, onde os corações podem ser felizes sem medo...

Se eu pudesse
Dizia-te mil vezes
Quantas saudades tenho de ti
Quão falta fazes na minha cama e no meu colo
Quão eu procuro noutros corpos o teu cheiro...
E em quantos pedacinhos deixaste o meu coração quando lhe voltaste as costas...

Se que pudesse,
Dizia-te todas estas coisas de coração aberto,
Enviava-te estas palavras,
Se eu soubesse que ao lê-las o teu coração estremecia por um pouco, só um pouco...
Por esse tão pouco eu te daria este muito...

Dodi,
3 Dez 2008

Para ler acompanhado de ... Lifeline (Ben Harper).
 
Se...

Missiva ao pós-tempo

 
Eis-me aqui sozinha no espaço infinito.
O que me rodeia não é mais do que a incrível perda da vida existente em tudo. O amor que me inunda é o maior que posso descrever e de repente tudo é nada. Talvez possa viver de frente esta angústia e felicidade conjugadas.

Conjecturo...
Tudo o mais não é nada do que imagino. Preciso do momento único, da calma serena e do instante fumegante... A entropia é tudo o que me resta. Já estou a ver o fim da linha, já vejo como isto vai acabar. Quando tudo não for mais do que a felicidade, a vida vai ser querida por aqueles que a anseiam e sentem como o plano deve ser cumprido.

O afogamento quer-se fundo e sedento... Leve e confuso... Existente e rígido.

Rasga-se de repente o que procuro.
Assim confunde-se o tempo com o vento e o sentimento com o pensamento.

(11 Setembro 1997)
 
Missiva ao pós-tempo

Pode ser o príncipio de um grande amor...

 
...Pode ser o fim do que poderia ter sido um grande amor.

Não existirá um príncipe que seja encantado o suficiente para partir as muralhas, atravessar túneis bafientos, saltar precipícios e matar dragões para chegar lá ao fundo, onde está o meu coração pequenino e tão frágil como um passarinho acabado de nascer, levá-lo ao colo e dar-lhe o aconchego que eu não deixo que ninguém dê?

Quando foi que interrompi este caminho, que voltei deliberadamente para trás e disse que já não conseguia? Quando foi que deixei de me sentir caída numa cama de rosas? Quando foi que deixei que o medo me levasse para trás e construísse mais uma muralha à volta do meu coração? Volto atrás, olho para a parede do meu quarto onde desenhei o meu coração preso com correntes e identifico-me de novo com ele, apesar de já ter pintado com tinta por cima.

Não foram suficientes as vezes em que me beijavas o coração e lhes fazias festinhas, parece que poucas vezes ele esteve lá para as receber.

Fica na memória a maneira como esculpias o meu corpo com as tuas mãos suadas, tornando-me perfeita na minha imperfeição assumida, uma perfeição que eu nunca julguei que poderia ter aos olhos de ninguém.
 
Pode ser o príncipio de um grande amor...

(este não tem título...)

 
Não sei como te amar
Devo abrigar-te
Ou deixar-te voar?
Deverei deixar que venhas para mim
Ou serás mais feliz se te procurar?
Deverei amar-te com paixão
ou ser doce e suave?

És para mim um mistério,
Algo que não sei conhecer,
Não sei o que significa cada gesto
Não sei ler os teus olhos...

Que escondes, que procuras?
Que estrelas tens dentro de ti?
Deverei tentar vê-la no teu olhar?
Diz-me... como te posso amar?

(Para o Sérgio, 25 Mar 2001)
 
(este não tem título...)

A ti

 
Que saudades que tenho de ti!

Hoje tudo me cheira a ti, me soa a ti, me sabe a ti.

Hoje o meu coração só pensa em chegar-se a ti e em construir uma ponte que ligue as margens entre mim e ti.

Hoje só queria estar noutro tempo e noutro espaço onde me sentisse mais perto de ti, um momento que fosse, umas horas que fossem, mas que me fizessem esquecer que depois ia de novo ficar tão longe de ti.

Hoje queria-te aqui ou queria-me aí, mas que fosses só pintado com as cores que eu mais gosto, perfumado com o aroma que mexe mais com os meus sentidos.

Queria um mim em ti e um ti em mim,
um ti só para mim...
 
A ti

Então e se eu fosse para...

 
...Bragança, Braga, Leiria, Oliveira de Frades, Oleiros, Sertã, Almodôvar, Lagos, Vila Verde de Ficalho, Portalegre.

Queres ir para onde? Poucos sítios me dão a sensação de liberdade que o terminal de Sete Rios me dá. Autocarros para todo o lado. Divirto-me a olhar para o ecrã das 'PARTIDAS' e a imaginar que vou para todos aqueles destinos. Daqui posso ir para qualquer lado, as vezes bem gostaria de me dividir em 1,2,3,4,5,..,19,...,15,16 Doras e ir em cada um destes autocarros. Só para ver como me sentia em cada lado. Gosto do ecrã das 'PARTIDAS', faz-.me sonhar, "Olha, já fui ali, ali e ali. Gostava de ir para ali, ali e ali". "Agora cheguei, mas gostava de já estar a partir para ali, ali ou ali".

...Campo Maior, Vila Real de Santo António, Loulé, Gouveia, Castelo Branco, Alcobaça, Monte Real.

Queria espalhar-me por estas terras todas, queria ir para todo o lado ao mesmo tempo, só mesmo pra ver... Olha o meu já chegou, diz 'Embarque' ali nas 'PARTIDAS'. Hoje é Faro. Só Faro porque não posso ir para todo o lado ao mesmo tempo. Linha..quê? Ah! É a 6, às 18h30, autocarro 93.

... Fátima, Ponte de Sôr, Peniche, Figueira da Foz, Guarda.

Bora?
 
Então e se eu fosse para...

Gravity of Love

 
O brilho do sol do Algarve quase me faz chorar.

Espalho o olhar sobre milhares de alfarrobeiras, oliveiras, figueiras e laranjeiras que se estendem nesta terra vermelha, barrenta, pedregosa. O meu coração também voa por todo este Algarve interior, sinto-o a ser acarinhado pelo sol algarvio e a saudade fica sempre comigo quando caminho para longe deste mundo.

Pode ser que um dia eu caia em mim e consiga ter realmente a noção da dimensão de um "ADORO-TE MUITO DORA". (Lisboa 257 - tantos quilómetros ainda por fazer, ate chegar a minha terceira casa...) Espero poder ter a noção do quanto que gostas de mim e de quão és precioso, perfeito do alto da tua imperfeição, o quão és um entre milhões e o quão te devo acarinhar por seres simplesmente quem és.

A paisagem altera-se, já não vejo a vegetação que identifico como típica do barrocal algarvio (para alguma coisa serviram as aulas praticas de geologia geral, há quase 10 anos atrás) mas sim muitos pinheiros, alguns eucaliptos (ola Austrália, que raio fazes no Algarve??), azinheiras e sobreiros que denunciam a proximidade do meu (esse sim, MEU) Alentejo. Só falta a terra plana para dizer que e o meu Alentejo, mas o brilho do sol algarvio e as chaminés das casas não deixam duvidas... Alentejo ainda não.

Abriste o meu coração e ao fazê-lo também eu abri um pouco o meu. Olho para o "ADORO-TE MUITO DORA" escrito a caneta de feltro no tecido interior (como eu gosto destas coisas...) da minha bolsa nova (foste tu que ma deste) e o meu coração amolece dentro da armadura onde o coloquei para não me incomodar.

(27 de Setembro de 2006)
 
Gravity of Love

Suicídio

 
Cai um pano cinzento defronte dos meus olhos, que me entorpece as pernas e as mãos, me suga o brilho dos olhos e me faz ansiar por um descanso infinito.

"Será que doía muito?"
 
Suicídio

(Ler baixinho... para ninguém ouvir...)

 
Estou a ouvir as músicas que ouvia quando me comecei a apaixonar por ti. Se bem me lembro, naquele dia o sol brilhava de uma maneira absolutamente maravilhosa... Hoje olho lá para fora e para o meu coração na esperança de ver o sol brilhar, mas hoje não, hoje chove muito, incessantemente, uma chuva que nem me lava nem me aquece, e sopra o vento, mas não o vento que eu adoro e que faz mover os aerogeradores que tanto gosto de ver, este é um vento que me gela toda por dentro.
 
(Ler baixinho... para ninguém ouvir...)

Em círculos

 
Não
Não estou nos meus dias

E já nem sei
Que dias são os meus

A ânsia de andar
A ânsia de parar

Fugir parada
E parada fugir

Também não sei
Do que
De quem
Ou de que quando é que fujo

Mas sei que fujo em círculos
Porque do mesmo sítio
Não passo.
 
Em círculos

Não te posso dizer....

 
Não o posso dizer a quem quero dizer! É inconveniente, é chato, vai perturbar a calmaria, vai ser despropositado! Acabei de o escrever e pensei em passá-lo para muitos papelinhos e deitá-los pela janela, ao vento! Alguém os há-de ler...

Tenho de o GRITAR!!!

Se alguma noite rolares na tua cama grande e sentires a falta de uma cama pequena...
Se levares a tua mão à tua face e imaginares que sou eu que te toco ao de leve...
Se beberes o nosso chá e te lembrares da nossa primeira chávena partilhada...
Se sorrires ao mesmo tempo que chorares pelo que se passou e pelo que não se chegou a passar...
Não sintas o teu coração só, pois há outro neste mundo que sente o mesmo...

É PARA TI E NÃO TO POSSO DIZER
 
Não te posso dizer....

Loucos...

 
Olha para o meu texto sem sentido. As minhas palavras alinhadas uma atrás da outra, atrás das outras todas, seguidas por tantas outras.

Olha para as palavras que não vou mostrar a ninguém, mas que estão sempre a borbulhar dentro da minha mente.

Olha para, mais uma vez, coisas sem sentido:
- Alguém que esteja a ler, por acaso está a procurar sentido nisto que escrevo?
- Loucos...

Escrevo pelo prazer de ver as palavras a sairem da ponta da minha caneta, e ver a brancura da folha tornar-se oculta por esta tinta azul. Puxo por um fio de ideias, ao acaso, e lá vem uma enchente de palavras povoar a brancura desta folha.

- ESCREVE-ME!!!! (Dizia-me a primeira folha, alvíssima, dos meus cadernos da primária.)
Só que eu nunca sabia o que escrever, mas queria escrever, escrever, escrever. Será que só as pessoas que gostam de escrever sentem esse impulso?

E de repente o meu fio quebra-se. E eu fico sem continuidade na minha escrita.

(E ainda nem cheguei ao meio da página! Que vergonha!)
 
Loucos...

Palavra mágica

 
Vais ver que vai acontecer, e quando acontecer vais senti-lo com todo o teu coração, que deixa as feridas esquecidas para trás, bate como se nunca tivesse sangrado, como se fosse a primeira vez.

Vais dizê-lo, vais dizer a palavra mágica que é a melhor expressão do teu sentimento, e ao dizê-lo sentes o coração a dilatar-se, a ficar maior do que o teu peito, sente-lo nas veias, na pele, expande-se e quer sair do teu corpo.

Vais deixar-te cair no poço que julgavas sempre escuro, no final só te apercebes que caíste num manto de penas, num doce, doce manto de pétalas, coroado com o olhar e com o corpo daquele que amas. Tocas-lhe e é tudo tão real, o que sonhaste para ti está ao teu lado, num doce, doce, doce, manto de pétalas.
 
Palavra mágica

Quarto escuro

 
Às vezes sinto a expressão física do meu quarto escuro, trago-o cá para fora e tolhe-me os sentidos.

Que é do mundo? Apenas um borrão de muitas cores que me são vagamente familiares. Quebro a minha ligação ao mundo através das lágrimas que me distorcem a visão e os sentidos. Um quarto escuro que me acorrenta e me afasta do mundo.
 
Quarto escuro

Salva o dia

 
Escondo-me egoisticamente, covardemente, dolorosamente, atrás de uma caneca enorme de chá que me escorre pela garganta deixando-me fresca e quente ao mesmo tempo.

O que tinha para fazer acho que já fiz, agora queria deixar-me ficar aqui sozinha – uma bola de neve horrível, nojenta e pegajosa que são os meus sentimentos para comigo e para com os outros. Os piores são os que tenho de mim para mim (gosto desta expressão mas ainda não consegui perceber bem o seu significado). Esses sim, matam-me ou tiram-me vida:

- O peso de muitas toneladas que sinto por estar aqui e não estar noutro sitio qualquer a fazer algo que dê verdadeiro significado a um dia eu ter sido parida.
- O peso de muitas toneladas por me deixar estar aqui atrás desta caneca de chá e não ter coragem para ir para a varanda sentir o vento na cara, uma das coisas que mais gosto de sentir.
- O peso de sentir este peso e o peso de sentir este peso de sentir este peso. Este peso exponencial é o que dá mais cabo de mim. É ele que fica agarrado às minhas pernas e não me deixa voar, e quando voo, puxa-me para baixo numa queda livre que não controlo.

Deito as mãos ao peito e quero arrancar o que quer que esteja aqui ou que me tenham posto aqui que me dá este sufoco. Ai, ai, ai, isto dói, quem me tira isto? E como é que eu faço para deixar que me tirem isto? Como é que eu faço para imaginar uma vida em que não tenha este aperto, como acreditar que essa vida também existe e foi, com certeza, a razão de eu ter sido parida?

Agarra nas pernas e levanta-as daqui. Pega no chá, acaba com ele de um trago e vai para a varanda. Leva a caneca para a cozinha para não deixares o quarto desarrumado. Arruma a mala, faz o que tem de ser feito, são 19h15 e ainda tens um dia para salvar.
 
Salva o dia

Gosto de...

 
Gosto de ouvir musica que me põe bem disposta com o volume no máximo, gosto de dançar quando estou feliz, gosto de andar de bicicleta o mais depressa que posso no meio das poças e da lama, gosto de olhar para as estrelas e de ler coisas que escrevi quando estava de coração nas mãos.

Gosto de cozinhar durante horas e depois ver que as coisas me saíram bem, gosto de arrumar o meu quarto à minha maneira, gosto de matar saudades da minha cama e do meu colchão e de me sentir tão confortável que quase lhe dou beijinhos.

Gosto de escrever nas paredes do quarto, e de lhe colar papeis de tudo e mais alguma coisa.

Gosto de estudar coisas novas, sou muito curiosa por todo o meio fisico em que me rodeia e gosto de saber o porque de muita coisa.

Adoro rosa, laranja, azul forte, vermelho e de por ganchos de todas as cores no cabelo. Gosto de ver o meu cabelo preto e comprido, gosto de sentir o vento nele sem me preocupar se estou a ficar despenteada ou não.

Gosto de andar pela minha aldeia e nunca me fartar das pessoas, gosto de beber o vinho que cá se faz e de ir cantar com os mais velhos às adegas por altura do São Martinho.

Gosto de abraçar os meus cães e de sorrir quando penso na minha Nancy, gosto de andar de bicicleta com eles e de ver como ficam tão felizes e como puxam por mim para ir mais depressa.

Gosto de beber chocolate quente ao pé da minha avó e do meu avô, gosto de estudar ao pé deles enquanto a minha avó devora novelas da TVI.

Gosto de dizer aos meus amigos o quanto gosto deles e de os surpreender com abraços sentidos.

Gosto de ir a museus ver pintura e de ficar apaixonada pelos quadros.

Gosto de v-i-a-j-a-r e de ser uma turista na minha própria terra, de ir precisamente por sítios que não faço ideia onde vão parar.

Gosto de beber canecas enormes de chá de menta, de jasmim, de eucalipto, de funcho.

Gosto de fazer step, gosto de andar depressa, gosto de me sentir bonita, gosto de me rir e que me façam rir até doer o estômago,gosto de dormir à noite com os meus peluches todos a ocupar a cama.

Gosto de cantar as minhas musicas, de as sentir a elevar-me o coração e de sentir que posso v-o-a-r sempre que quiser, gosto de me sentir com 15 anos mesmo com quase o dobro dessa idade, mas com os mesmos acessos de paixão por tudo.

(26 de Novembro de 2006)
 
Gosto de...

Caminete das Sete

 
Já não venho aqui escrever há muito tempo (quase 2 meses?), não sei que me deu desde aí, mas não tive mais coragem para escrever.

Escrevo isto na caminete da carreira, a que vai de Beja para Vilalva, mais conhecida como a caminete das 7, apesar de partir de Beja (ainda) às 18h40 e chegar a Vila Alva quase as 19h30. O horário de chegada nunca importou muito, nem na altura em que fazia este caminho todos os dias, no longínquo tempo do liceu. Naquela altura o que interessava mesmo era o caminho e os colegas, lembro-me de pensar que andar na caminete era mesmo a melhor altura dos meus tempos de liceu (bem... até começar a namorar, porque desde aí que o melhor momento era sem duvida ir meter-me na cama quentinha do Hugo, em Beja, depois de um caminho gelado passado nesta caminete..).

Como estava a dizer, nunca mais escrevi, nem aqui nem nos cadernos/blocos/paredes onde costumo fazer rabiscos. Mas agora vinha aqui, de portátil ao lado, liguei-o para ouvir musica e deu-me vontade de escrever – as frases começaram a formar-se na minha cabeça, como sempre fazia, e decidi aproveitar.

Acho sempre que ninguém vem ver isto, apesar de ser essa esperança que me faz escrever (já quando mantinha um diário o que me motivava era pensar que daí a muitos, muitos anos alguém ia ler aquilo…), mas o meu amigo Psi, também conhecido como Rui, veio aqui deixar uns comentários, o que me animou bastante (obrigado e um abraço enorme para a estação de Silves!!!), e esta foi a altura em que decidi escrever de novo.

É. A vida muda mas as vezes parece que não muda assim tanto enquanto não se passam uns anos valentes que tornem essa mudança visível. Ou as vezes são só precisos meses. Dois meses, desta vez. Já acabei, quase, a minha pós graduação em sanitária. Avizinha-se um emprego, espero que tudo corra bem desta vez, mas depois de 3 anos à procura de alguma coisa, não consigo evitar em estar um pouco apreensiva. Tenho medo, pode ainda não ser desta. A minha idade pressiona-me de uma maneira incalculável, sinto que não estou a fazer o que se deve fazer com a minha idade. Pior. Quando era mais nova tinha outros planos para mim que não estes, tudo bem , fiz o(s) mestrado(s) com que sonhei. Ate mais do que sonhei, porque só pensei em fazer um, mas há algo que não me deixa sentir minimamente feliz, parece que ando a treinar, a treinar, e nunca marco golos, nunca jogo à séria. Bolas. Espero bem que seja desta.

Depois há o coração. Pois há. Ainda não sei lidar com ele, mas ele deve saber lidar comigo porque me consegue sempre convencer a fazer montes de loucuras. Ou pelo contrario a não fazer nada, o parvo retrai-se e tem medo, fica pra lá escondido a tremer sem fazer nada. Não sei mesmo lidar com ele e nunca tive coragem suficiente para o ouvir verdadeiramente. Ainda me vou arrepender. Só espero que seja a tempo de fazer alguma coisa de jeito pela minha vida.

(Autocarro da Rodoviária do Alentejo, 30 Agosto 2007)
 
Caminete das Sete

Amor de verão enterra-se na areia

 
Chega o passado com o seu calor de Agosto, quente e morno, doce e prometedor da eternidade. Sem depois, sem o futuro que hoje se torna presente, onde tudo parece longe e tão fora de alcance. A certeza de que não se repetirá o morno abraço, pelo menos da maneira como o conheci, em todos os sonhos que criei, criei... voei, mas voei sozinha... voei com uma presença criada, que nunca lá esteve como a imaginei. E agora apercebo-me que estou sozinha, como sempre estive!, mas agora vejo-o. Sinto-me traída! ... traída... mas não sei quem me traiu, se eu própria se tu, meu anjo imaginado. Imaginei tudo? Tu dizes que sim... então, em que mundo estive, como pude imaginar tanto, deixar o meu coração elevar-se, louco e surdo, sem entraves, sem condicionamentos, sem a certeza de que se estava apenas a deixar ir... queria tocar o sol... queria beijar as estrelas... deixei-o ir... quem é capaz de controlar um coração, afinal?, eu não fui capaz... agora... ele continua lá no alto, desce quando perde o ar quente e morno de Agosto que o eleva, mais um bocadinho... só mais um bocadinho... dá-lhe ar quente, dá-lhe mais uma vez o doce sabor da ilusão...

Chega o passado com o calor de uma noite perdida a pensar em ti, meu anjo imaginado. Chega mais uma vez, e eu procuro alento para ver o Sol nesse passado que imagino, que crio em cada momento, decoro com flores, árvores, jardins inteiros e bosques luxuriantes, só para mim e para ti, não para ti que existes, mas para ti, que viver só no meu coração.

Chega o que eu tenho de enfrentar e vencer, porque afinal de contas, sou tão forte, não é?, mas eu caio, eu procuro-me de novo, eu quero o meu espaço, quero isolar-me, quero voltar-me para dentro, colapso sobre mim própria... volto ao que eu chamo só meu, e que não quero (não quero!), partilhar com mais ninguém... aqui sou rainha... sou senhora do que sinto... ninguém me diz que não pode ser assim.. porque aqui, neste pedaço de coração que eu chamo insistentemente de meu, coloco o que quero, dou-lhe asas quando quero... deixo-o voar alto ou cair tão baixo...

(Março de 2004, para o Tiago)
 
Amor de verão enterra-se na areia

Músicas-tenazes

 
Quero ir-me embora e teimo em ficar por aqui a pôr a música-tenaz desta tarde a tocar vezes e vezes sem conta. Gosto da maneira como me põe o coração leve e como o sinto no peito, é nestas alturas em que consigo ir mais dentro e trazer cá pra cima uma fotografia desfocada e pálida do que lá está.

Que não visito há tanto tempo.

Estou a tornar-me cinzenta e enfadonha, não gosto disto que a idade me está a fazer, perco as cores e corro atrás delas, fujo atrás da paixão e por isso gosto deste "rush" que esta musica me dá, leva-me pra um bosque sombrio e iluminado pela lua mas curiosamente consigo ver as estrelas. Flutuo num lago, com véus imaculados, com os cabelos bem escuros a cair nas costas... E eu deixo que a música, esta música-tenaz que me prende ainda aqui, me envolva completamente, deixo-me ir sem medo, sem medo nenhum, porque sei que se cair...

...Mas eu não quero cair, quero estar a flutuar para sempre, leva-me leva-me leva-me... Envolve-me num manto de estrelas, quero vê-las sempre à minha volta, quero beber do seu brilho, quero deixar-me ir.. deixa-me ir...

Agora como é que faço? Depois de estar neste mundo não quero outro... Eu não sou deste mundo, quero outro mundo onde possa viver a minha mente plenamente, onde o medo não me tire a vida, onde eu me deixe ir e chore se for preciso, mas que dê uso ao meu coração, que se parta que eu choro de novo, que sinta que eu sinto com ele, que morra que eu morro feliz, que se sinta num carrocel de paixão que eu enlouqueço com ele, que ele voe que eu ainda lhe dou asas mais fortes para ir mais longe... Mesmo só na minha mente, quem diz que a mente não é real? Quem diz que se me partir não me remendo?

(Within Temptation - Pale)
 
Músicas-tenazes

Shepherd Moon