EU !
Eu sou a liberdade de interrogação,
exclamando com palavras vazias,
cheias de pontos e vírgulas.
Onde a paixão
e o amor se descrevem.
Sou…
mas o que sou?
Tenho limites por seu direito,
e a liberdade que você me dá.
Eu sou o cálice de um vinho pela metade,
a paciência do tempo sobre a morte,
onde não há o que se perder.
Julgando um leão
por abater a sua presa,
com sangue em sua boca,
e esquecer que o leão
também sente fome.
E que não faz diferença,
somos todos leões
na dor que a fome nos dá.
Meus olhos podem ver tudo
com liberdade.
Minha boca pode expressar palavras
que abençoa ou amaldiçoa.
Eu sou , eu
Tenho liberdade.
Eu sou uma vontade,
eu tenho vida,
mas não a vida
que eu quero viver.
MARIONETE
Muito além do que posso ver,
e as palavras que nos fazem ter a certeza
que quase sempre estamos perdidos
em nossos sentimentos.
Pois nem sempre
o que pensamos
iram sair de nossas bocas.
Temos vontade,
mas nunca a coragem.
Olho para agradar,
escuto com limites
e falo palavras
que meus pensamentos
nem sempre se agradam.
Eu fecho ou abro meus olhos
para não me machucar.
Fico surdo
para não me perder
e falo somente
o que queres ouvir.
Duvida
não quero lhe fazer chorar,
me perdoe às vezes que, por minha causa, chorou.
mas não é apenas o sentimento de amar um ao outro
que vai determinar nosso caminho.
teremos a sua certeza
com a minha incerteza,
a sua felicidade
e minha tristeza,
o teu sim
e o meu não,
o doce de sua vida
com o amargo da minha,
o seu orgasmo
e meu silêncio.
todos esperam um dia encontrar um grande amor
e, sem perceber,
dele se torna escravo ou senhor,
pois não existe no amor
um caminho para duas pessoas,
e também não há um só sentimento
em dois corações.
não vivo em contos de fadas
e também não estou
no final de um filme romântico.
lhe perguntava várias vezes
se você me amava
ou se alguma vez me amou.
abandonei o meu caminho
e meus sonhos
por acreditar que, ao seu lado,
seria feliz.
no começo, tudo é perfeito;
no meio, a dúvida,
e, no final,
só você pode responder
se, em tudo que você fez por amor,
você foi o escravo
ou o senhor .
o poeta ea solidão
culpa
Eu só consegui ver seus olhos…
quando eles estavam longe…
E foi apenas porque
eu estava perdido…
e sozinho…
e nenhum sentimento
que tocara a minha carne
me fez sentir assim…
Tuas mãos estendidas…
todo tempo no tempo…
me oferecendo…
como aos deuses…
o que havia de mais precioso em você…
tuas lágrimas…
Iguais a pedras de diamantes…
caindo aos meus pés…
e o teu sorriso…
como pérolas…
brilhavam na mais profunda escuridão
que havia em mim…
E teus olhos…
como não lembrar?
Se haviam neles…
o caminho…
e a salvação da minha alma…
Eu só consegui ver…
quando estava perdido…
e sozinho…
em um longo caminho…
longe de mim…
FÚTIL
No final de ano…
vejo os fracassos
que se misturam com a esperança
no ano que está por vir.
Os anos anterior a este
que me dar mais uma vez a esperança
em realizar coisas que ficaram por fazer…
como exatamente a anos que passou.
Será que fracassei em toda a minha vida?
Pois nem tudo que sonhei está aqui…
no meio das realizações empoeiradas
e que perderam o interesse.
Será que tudo em nossas vidas
é desejos passageiros?
Quadros na parede
que nunca mais chamaram a minha atenção…
um livro à mesa…
a televisão de última geração.
Será que as coisas são passageiras…
mesmo havendo muito trabalho
para se conseguir e realizar?
Será que eu não tenho tudo que preciso?
Pois as únicas coisas que se fazem presentes
são as contas…
pois preciso pagalas…
pois tudo que tenho
necessita delas pagas e quitadas.
Será que meus sonhos
são apenas de alugueis?
Sonho e trabalho por eles a vida toda…
e ficam acumulados
por desejos que se perdem com o tempo.
FOME DO MUNDO
talvez você não lembre
que milhões de pessoas morreram
para que você,
nesse exato minuto,
esteja sorrindo.
com sonhos para realizar,
e que, por motivo de outros,
sacrificarem suas vidas.
e tudo mudou,
de repente, assim, do nada.
seus sonhos não significavam mais nada.
além de sobreviver,
esqueceram as canções
e os sorrisos.
pois não havia tempo mais pra isso.
meninos se transformaram em homens,
com sangue nas mãos,
que haviam tirado de outros homens.
o lamento de todos
ecoam no tempo das historias,
pois o homem que traz a paz
também a tira,
sem dó nem piedade.
fazendo o tempo que se foi
ser o presente.
e que será o futuro?
ainda comemoramos dias de paz,
até que ele sinta fome de novo.
e com a fome,
a angustia e lagrimas,
que não vai significar mais sofrimento,
pois irão esquecer a humanidade
que um dia tiveram em seus corações.
pois o lobo uiva pra matilha,
e a caçada começa.
até que a fome esteja saciada,
e que matar não faça mais sentido.
até que comam o pão da vida,
e que venha saciar
a fome do mundo.
VAMOS CAMINHAR
Me dá a sua mão.
Eu quero caminhar com você,
não importa onde vamos.
Não temos o poder do tempo,
e nem o seu encanto.
Somos apenas o acaso,
um sonho.
Me dá a sua mão,
vem comigo.
Acredite que o meu caminho
é o seu caminho.
Não sinto em você medo
por estar ao meu lado.
Eu acredito que,
ao segurar a sua mão,
se um de nós cair,
iremos nos levantar.
Me dá a sua mão.
Eu quero caminhar com você.
Somos apenas o acaso no fato,
um sonho claro iluminado.
Me dá a sua mão.
EU QUERO SER !
Minha humanidade,
nunca percebi em minha vida.
Eu sei todas as fases para ser um ser humano,
para se tornar um ser humano.
E escutava histórias de fome
e de guerras,
de tragédias em que muitos partiram,
deixando saudades.
E também chorei por pessoas,
mesmo estando longe
do medo,
do sangue
e da morte.
E nos meus tempos de infância e juventude,
ouvia sobre pessoas que lutavam
para que outras pessoas pudessem ser felizes
e ter pelo menos vidas decente
ao passar de suas vidas.
E com isso,
outras teriam que morrer
por outras pessoas
que lutavam para que outras pudessem viver.
E, em nome da humanidade,
mais sangue foram derramados
e vidas humanas foram extintas
como um sopro de uma vela ao vento.
Escrevo isso chorando
por vidas que se foram
para que outras vidas
se tornassem humanas.
Onde podemos encontrar
a tão chamada humanidade
que se faz em interesses políticos,
por pessoas que tentam ser humanos
ao ter interesses humanos
sobre as próprias vidas,
e tentar não se afogar
subindo sobre corpos desesperados
pelo mesmo ar?
Cadê você, humanidade?
Você está na hora de servir um pedaço de pão,
olhando para o céu
e sentir que isso é tudo que pode fazer.
A minha fome de humanidade
vai estar amanhã,
talvez não no mesmo lugar,
mas vai querer se alimentar
de um pouco de humanidade.
O tempo é igual para todos:
o ar,
a dor,
as cores
e a escuridão.
Muitos transformaram a humanidade em comércio,
um lucro desumano
em nome da humanidade.
Eu me sinto um ser humano,
mas outros seres que dizem ser humanos
não deixam eu ter esse direito.
Me dê a mesma humanidade
que você quer para você.
Sou humano em tudo como você,
sou um humano,
mas depende de você
apenas ser!
SOPRO
O tempo é vasto…
ele é tempo que não se mede…
com a medida…
e nem com a esperança de um tempo…
Ele acaricia…
acalenta o infinito…
Ele não se dá…
ele não se compra…
Ele é o sopro da imensidão…
ele apenas existe…
Sem perdão em nossas vidas…
ele apenas começa…
E, mesmo que a morte se faz presente…
ele não tem fim…
ME DESENCANTAS
O que te encantas…
me desencantas.
O que fizemos para o amor
não é natural.
Na perda…
na culpa…
se faz a solidão…
E o vício te encontra
na mesa de um bar…
e, a cada conversa
que tens com a amarga dor…
deixa apenas o vazio
que vem de outros olhares
em sentir pena de ti…
E a noite se faz
em madrugada fria…
onde ti acompanha
na saideira…
apenas a solidão…