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Poemas, frases e mensagens de Frágilvocábulo

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Frágilvocábulo

“Telapatia “

 
 
deste lado
imagino
os teus dedos
tocados
pelo teclado
como se tratasse
de um piano

sinto a tua alma
abrindo-se
como uma romã

e cada bago
um vocábulo
soando
a amor

e neste momento que te escrevo,
gotas
nascem no rosto

e não choro pelo que escrevo
choro sim porque te amo
 
“Telapatia “

Levante

 
 
lágrimas fósseis
impedem o deslumbre
das coisas belas

mas o tempo também é feito de primaveras
logo
o outono do peito passará
como inverno das nossas perdas …

um dia…
sei que estarei ao teu lado…olhando-te do alto do coração

um dia…
transformemos a saudade numa dádiva de afeto e de paz ao quadrado …
 
Levante

Espero que estejas bem

 
 
o silêncio dos teus dedos
entristece os lábios
na hora de falar
na hora de suspirar

resta-me esperar
pelo acordar
dos versos
teus

não demores
o chão não dorme
acordando os passos
na tua direção

não te esqueças
do propósito
deste peito
nosso
[o de amar bem de perto
num soldar de mar e céu]
 
Espero que estejas bem

A esperança despida

 
 
a esperança
adiou
os adeuses

acreditou
no alvor
de um amor [desusado]

a nossa
esperança
viu os dias
a serem
atropelados
pelas noites

sentiu os outonos
a madrugar
mais cedo que os verões

até que um dia…
seu coração
observando a nua solidão [a esperança despida]
transbordou um mar
no meio
dos seus
arenosos
olhos

meu Deus...!
um coração assim ...
só feito de saudade
morre tão devagar
 
A esperança despida

sempre foi amor …para lá do bailado das palavras

 
 
contrariar as correntes de amar
é ir em contramão
na direção contrária do coração

mas o que poderíamos ter feito ?

diante de uma cordilheira gigante
depois
de uma pequena montanha
transposta...

onde podíamos ter ido?

se tínhamos o atlântico tão longe do Índico…
e um cosmos às nossas costas …

O que podíamos ter sido?

após os olhos quebrarem a alma
num meio abraço sem resposta
[ o último adeus de Cristo vivo de carne ]
 
sempre foi amor …para lá do bailado das palavras

Como estás?

 
 
quando cheguei-te
a porta semiaberta
não abria
não fechava

lembro …trazer uma dúzia de chaves na mão
e todas as esperanças no coração

e tu…lá estavas … brotando beleza no solo nu …

o teu magnetismo rodava o meu corpo …sem saber bem o que fazer …
interessei-me pelo forro do teu olhar …
para lá daquela cor espigada, havia uma mágoa que queria decifrar …curar com a alma ….

sabes ...existem olhos que ainda esperam lágrimas antigas …

diz-me como estás?
 
Como estás?

Como é fácil … escreveres “ adeus” numa nuvem … sem a salgar…

 
 
menina ave
que não chora com lágrimas
dança num azul por cair
e regressa a casa
com asas
encharcadas de nada
numa despedida
tão invulgar
 
Como é fácil … escreveres “ adeus” numa nuvem … sem a salgar…

Aguaceiro de luz

 
Aguaceiro de luz
 
cada farol do teu rosto
desobscurece cada onda na braçada
no regresso ao porto dos sonhos
no retorno ao colo da praia
 
Aguaceiro de luz

Quantas flores desabrocharam da mesma raiz ?

 
 
…serei
a flor espelho
dos teus dedos

… aquela tatuagem
no forro da pele
que os olhos do mundo
não espreitam

e por mais que o tempo desarmonize a esperança da alma ...
haverá uma orquestra com o teu nome
nos altivos silêncios

um dia ...
deixaremos o mundo vazio
[quando colarmos o nosso peito]
 
Quantas flores desabrocharam da mesma raiz ?

De âncora em terra… com o mar carregado nos olhos …com a vontade de atracar nos teus braços

 
 
a vida é mesmo assim ...
de laços atados
aos passos
com um itinerário
cheio de curvas e atalhos

e tu como estás?

espero que o teu mundo esteja seguro
e o belo dos teus olhos
planei o revérbero do caminho
sem distúrbios

PS

antes de voltares a colocares as penas nos braços … sangra-as nos vocábulos
[só como tu sabes … instruindo o nosso âmago com pedaços do teu íntimo]

... e é tão bom escutar-te …
 
De âncora em terra… com o mar carregado nos olhos …com a vontade de atracar nos teus braços

Amo-te …e isso é de uma rudez …passado tanto tempo...mas amo-te

 
 
deixar o coração
enleado
na raiz do teu peito
é um pecado que desejo …
seja no apertado abraço
seja num poema enviado
para o endereço
da alma

o que podemos fazer?

se ainda temos o mar a escorrer na face
e a delicadeza de amar
a desaguar
a esperança
nos lábios …

a onde podemos ir?

se temos o perfume do toque
espalhado por todo lado
até nos dedos
até abaixo dos cabelos
até….
nos silêncios
das nossas
ausências
 
Amo-te …e isso é de uma rudez …passado tanto tempo...mas amo-te

só passando pelo coração... podemos chegar a alma…

 
 
pouco percebo
dos desejos vivos da carne

falava-te antes
daquele amor puro
que costurava feridas antigas
com a doçura das lágrimas

aquele amor que sabia escutar-te
com a ternura dos porquês

imaginava levar-te a lugares vulgares
para os tornares especiais

queria tanto
manter a tua felicidade
elevada
que faria de tudo
para ficares em biquinhos de pés …

queria acima de tudo que fosses feliz …

quanto ao resto…
seria afecto polvilhado na pele
e um regresso ao céu
no ato de sermos "Um"
em sentimento profundo
num universo só nosso
 
só passando pelo coração... podemos chegar a alma…

Ainda tens as asas intactas

 
 
fizemos dos poemas
encontros

irrigamos as palavras
com apego

embriagamo-nos
pelos vocábulos postos

desenhámos os sonhos
antes dos rostos

até criamos autoestradas
entre o peito e alma

e quando o tempo nos apertou
quisemos encurtar as horas
para Juntarmos os corpos
e os nossos mundos sensatos
mas estávamos ancorados
na esfera dos nossos laços …

por pouco …por muito pouco
não fomos esboço do sonho
peça encaixada que faltava

fomos
apenas lágrimas
que desmaquilharam a tinta das promessas
e esvaziaram a poesia das folhas
deixando as raízes sem terra …
e uma única saída na estreita estrada...

Como estás?

aqui permaneci
como estrangeiro
na minha própria casa
lendo-te ….

E Tu?

… desligaste a alma e as amarras
juntando os passos aos sapatos
e foste embora …
até agora

Porque não voltas…?
agora como pássaro…
já que temos os braços confinados mas não as asas …
 
Ainda tens as asas intactas

Há pessoas que são rios e dávamos tudo para sermos mar para elas

 
 
o rio será sempre caminho
mesmo quando suas lágrimas esgota
será trilho
orientação
para quem procura
o chão …
o mais alto
o mais baixo
coberto de água
coberto de céu
 
Há pessoas que são rios e dávamos tudo para sermos mar para elas

Nossas asas pendidas …

 
 
não posso mudar o rumo do teu voo
apenas amar-te
olhar-te do chão
flautar com o coração
estes poemas …

posso até pedir que poises em meu ombro
mas só tu podes mudar de rumo
e regressares
com o esplendor das tuas penas
e aninhares na dérmica cede da pele

a onde estás?

por favor ….por amor ….
diz alguma coisa

aqui na terra dos antigos mouros
todos soletramos liberdade
presos aos elásticos das mascaras …

E como estás …?
 
Nossas asas pendidas …

A intacta saudade de te amar …é a melhor explicação para o coração …

 
 
perante os frutos dos teus lábios
sinto a mágoa e a saudade
lado a lado

mas é bom saber
que a vida corre
nos filões
do teu coração …

nesta equação só nossa
sempre foste o magneto
e eu
um frívolo ferro
que atrais ou trais
[dependendo do lado em que estás]


a verdade sem-par
é que os anos passam
e a saudade de te amar
não envelhece a esperança do olhar
de um dia
dizer-te
o quando te amo
de rostos apertados
sem um único vocábulo
para falar
 
A intacta saudade de te amar …é a melhor explicação para o coração …

no meio do nevoeiro ... aguardando-te

 
 
sempre foste
a Estrela
capaz de luzir nas águas mais pretas
nos tetos mais cinzentos
em cada céu
[nos desertos das pessoas]

sem os raios
do teu corpo
tudo
é noite em espaço
vazio lagrimejado
um estranho trajeto


apesar de não estar tão perto
como o teu mercúrio ou o teu marte
sigo-te em toda a parte

estou longe
orbitando
teus
cabelos
 
no meio do nevoeiro ... aguardando-te

Δημήτηρ

 
Δημήτηρ
 
 
há quem te compare com Circe,
discordo
como pastor de silêncios
vejo-te … Deméter
a derreter as pedras douradas e a
transformá-las em cearas
de espigas douradas

vejo-te a moldar meu coração de pedra
numa courela de ervas belas

não minto,
é verdade que me sinto
tão pequenino
diante do teu ser …
que é impensável
esconder
o amor que te sinto
quando regressas
de raízes em seiva
depois dos poemas

já Circe transforma a virilidade dos homens em bestas [os homens em porcos]

tu, transformas a fertilidade em amor e generosidade [trata os porcos como homens]
 
Δημήτηρ

Da raiz até ao céu

 
 
neste coração
silenciado pela distância
existe a ternurenta recordação
dos teus olhos de criança …

neste peito
refém dos teus abraços …
ondeja a esperança
intacta de te amar…
impossível de cessar,
mesmo quando as horas
multiplicam os dias
nas nossas prologadas
ausências

bem sei que a vida salga as feridas …
mas esta saudade
dói pela doçura de te lembrar

Amo-te e vou-te amar … para lá das pegadas siderais...
 
Da raiz até ao céu

ainda temos as ondas dos cabelos

 
 
já não podemos navegar
naquele barco
que foi berço do nosso mar
atracado
abandonado
banhado
pela a areia
e o barro
salgado

mas ainda podemos aproveitar o seu tabuado
para construirmos uma sala de jantar
debaixo das estrelas
e a tal fogueira
para aquecer os nossos desabafos

já não podemos remar contra a gravidade do tempo
mas poremos os remos ao lado dos pés
e alcançaremos o cume daquela montanha
para vermos a nossa fogueira
como as estrelas que nos deixaram ..
 
ainda temos as ondas dos cabelos