Poemas, frases e mensagens de airtorion

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de airtorion

Areia, Tempo e o Vento

 
Areia, Tempo e o Vento
 
Queria o Tempo nas mão,
Mas só areias escorrem,
Entre elas. O vento, então!
Não nas mãos; na cabeça,
A levar pensamentos...
Mais leves que as folhas,
Distantes, quanto ao Tempo
Eternos, e primaveris.

Poema e imagem de Airton Parra Sobreira
 
Areia, Tempo e o Vento

DIMENSÃO

 
Células, protozoários.
Olhar microscópico.
Universo distante.
Viagem à Lua,
Cruzar a linha da mão.
Longevidade no olhar.
Penetrar no átomo,
Dividir a matéria.
Comer o pão.
Ser.
Não ser.
Deus ou bactéria?
 
DIMENSÃO

Esperar

 
Espera amanhã.
Hoje é igual
A qualquer dia.
Além da curva,
Há outra e outra.
Vivemos em anéis
De Saturno, ou,
Nos ônibus circulares.
A arquitetura, o cimento
Passa por nossas cabeças,
Todo santo dia.
Espera, mas não muito.
Amanhã pode ser fatal,
Por não ter esperança.
Espera.
 
Esperar

Mundo Fracionado

 
Células, vidas diminutas.
Vistas em microscópicos.
Um outro universo, tão próximo.
Viagem através de laminas,
Navegadas em gotas de oceanos .
Vida translucida, e fugaz.
Movimento frenéticos,
Fração de matéria.
Seres vorazes e silenciosos.
Seres que não se vê.
Deuses e bactérias?
 
Mundo Fracionado

Razão

 
Razão
 
Desistir da razão?
Um dia talvez,
Quando a noite chover,
Os pingos bater no chão,
A água correr como um rio,
Em direção ao vazio da alma.
Sumidouro de ilusões e sonhos.
Não há razão para se ouvir a chuva,
Mas há uma razão para cair,
Sobre a noite, e molhar os telhados.
Por que não os pensamentos, e...
Levá-la para o mar,
E assim, sem razão, navegar,
Sem portos de chegada,
Ou partida.

imagem e poema de airton para sobreira
 
Razão

Cidades de Mentira

 
Quantas mentiras
Passam por verdades.
Quanto as verdades?
Esquecidas, ignoradas.
Uma cidade coberta
De cal e fuligem.
Histórias mal contadas.
Cidade! Cidadão Kane!
Nos outdoors; sublimação.
As noites são manhãs,
Assim como nas granjas.
Confinados em
Telas de plasmas.
O mundo real;
Quase não se vê.
 
Cidades de Mentira

Por Onde Ando

 
O Sol brilha no Atlântico
Quando não estou lá.
Do lado oculto da Lua,
Toda alma é fria.
Quando ando na rua,
Sou um ponto em movimento
Junto à multidão
Que não pensa,
O meu pensamento.
O Sol brilha em Acapulco,
Mas não estou lá.
Qual a razão de ser dia,
Quando é noite em Calcutá?
Onde eu devo procurar
Por mim?
Por certo não estou em Laos,
Ou numa cama de hotel.
 
Por Onde Ando

Dia e Noite

 
Nas manhãs de olhares,
Estranho.
Visões inebriantes.
Dos campos amarelos,
Ao voo dos corvos negros.
Quando a noite chega
Na luz do luar
Surgem sombras e formas
De cores acinzentadas,
Silenciosa madrugada, e
Depois não há mais nada, além
Dos gatos sobre os muros.
 
Dia e Noite

Viver & Partir

 
Viver & Partir
 
A vida nada mais é do que passado.
Sentimos falta quando já se foi. Adeus.
A ti, um sorriso tem mais sabor na partida.
Fica a dor, não do corpo, mas da alma.

Tudo se vai, menos a voz de quem queremos.
No final somos nós que partimos, mudos e sós.
O ultimo trem nunca nos avisa da despedida,
Apenas a vida fica a ouvir o apito da partida.

Poema e imagem de Airton Sobreira
 
Viver & Partir

Olhar Para O Vazio

 
O que há dentro do vazio?
Se nada há.
Por que o olhar dentro dele?
Os ventos percorrem o vazio,
Indo; sabe-se lá para onde?
O azul celestial também o é.
A imensidão, os cantos das paredes.
Um ponto é cercado de vazios,
Horizontes sem pensamentos.
A procura de algo.
A espera.
Até quando, sentir-se vazio?
 
Olhar Para O Vazio

Certo e Errado

 
Certo e Errado
 
O que é certo ou errado.
Concordar, discordar?
Depende do Tempo,
Da direção do vento.
Na hora não se sabe,
Só depois, mais ai é tarde.
Sempre será assim.
Os erros se repetem,
O certo se extingue,
Como os bichos.
Certo pode ser errado,
O errado tornamos certo.
Continuamos a errar mais,
Sempre mais.

Poema e imagem de Airton Parra Sobreira
 
Certo e Errado

Ir á Lua

 
Ir á Lua
 
Sinto saudades da Lua,
Embora não tenha pisado nela.
Tudo é absoluto.
O silêncio; desértico.
Falta o ar, e o mar.
A consciência é leve,
Vai até lá.
A cor da Lua combina com
Meu paletó cinza,
O retrato em PB,
A primeira TV.
Lá não há transito.
Nuca serei multado,
Por andar no mundo de lá.

Imagem e poema de Airton Sobreira
 
Ir á Lua

Ideias

 
Ideias
 
De onde surgem as ideias?
Dum lugar invisível talvez.
Quem sabe do branco do papel,
Ou da falta de espaço.
Da respiração contida.
Surgem do nada,
Como mágica, e por que não?
Não há nada mais puro,
Do que a inexistência do futuro.
Pois é bem lá de onde vem.
Nada há no futuro,
Porém ele sempre vem,
O pensamento sempre amanhece.

Digigravura e poema do autor
 
Ideias

Mundo Paradoxal

 
Mundo Paradoxal
 
Busca-se o conhecimento distante.
Fora daqui, em viagens frias e vazias.
Chipar uma fera, um cometa, e...
Não ver um olhar tão perto.
Tão distante da razão, mas...
Cheio de compreensão.
Pisar descalço, o chão frio do passado.
O barulho da chuva e das vozes,
Nunca irão abandonar a alma,
No silencio existe um berço,
A embalar um sonho distante.

Imagem e poema de Airton Parra Sobreira
 
Mundo Paradoxal

Lugares

 
Lugares
 
Os lugares estão,
Ocupados por fantasmas.
Numa sofá, no vão da escada.
Repletos de histórias,
De atmosfera.
As pessoas partem, mas
Permanecem os retratos em
Momentos felizes, em...
Eternos descontentamentos.
Os sentimentos estão ali, acolá,
Em qualquer parte sobrepostos,
Sobrecarregados, saturados.
O rio leva apenas as águas,
Mas não as memórias.
Sedimentadas entre os seixos,
Reflete o sorriso distante,
Na superfície num dia de Sol.
Lugares escuros na noite,
Estão entre as taças de vinhos,
Na toalha manchada, numa nota
Deixada na mesa pro garçom.

Poema e imagem do autor
 
Lugares

Vendaval

 
Súbito vendaval.
Leva do chão
Toda estrutura.
Varre as nuvens
Deixando apenas
O vazio azul celeste.
Ventos são pensamentos
Invisíveis indo mar adentro.
 
Vendaval

Sentir

 
A vida é tão somente sentir.
Deixar fluir o que mais bela há.
O nada a ser construido,
E nada esperar; apenas sentir.
O perfume, o som, o vento.
O pensamento não sente,
Apenas fala da morte.
Traz o ódio, mais nada,
Enquanto o nada é a fonte,
De todo saber.
 
Sentir

Rei Arthur

 
- A vida do rei neste momento é mais importante do que te mandar para a forca, e esta é a tua sorte.
- Certamente, vossa majestade.
- Agora volte para masmorras.
Malenca saiu da posição de joelhos, e manteve a cabeça baixa, indo aos poucos recuperando o fôlego de sua alma que estava convencida em deixar aquele gordo e pesado corpo pendurado no velho carvalho.
Depois do encontro da rainha com Malenca, ela decidira ir só até a capela e orar por Arthur, antes da escolha de quem iria nesta viagem de resgate ao rei. Apreensiva , mas também esperançosa por saber que seu marido estava vivo.
Semanas haviam se passado enquanto Arthur permanecia preso na ilha. Por sorte puderam encontrar um abrigo ao lado do templo. A caça até que era farta, e muitas frutas exóticas para serem saboreadas sem que lhes causassem mal.
O cartógrafo já mapeara todo a ilha, catalogado plantas, e pensava se um dia voltasse ao reino poderia mostrar essas maravilhas jamais vista no velho mundo. Sua preocupação agora seria em descobrir alternativas de suportes para continuar seus desenhos, e pigmentos vindos da terra e plantas para as suas aquarelas.
Arthur preocupado com o que poderia ter acontecido a rainha enquanto permanecia prisioneiro, cercado pela imensidão das águas, onde os monstros marinhos eram apenas frutos da imaginação, e que talvez Malenca tenha usado esse argumento para se safar. Arthur parecia conhecer bem a mente perturbada, mas astuta de Malenca, que apesar de desnorteada sempre soube se safar. O mago estava ali a seu lado tentando ler o mundo através de formações de nuvens, e sem tirar os olhos do céu disse a Arthur:
- A leitura dessas nuvens sempre foi um desafio, não se comportam iguais as estrelas e a lua.
- Nada existe ao acaso, isso posso afirmar, o fato de estarmos presos a essa ilha já era esperado.
- Diga o que vê nessas nuvens, Mago?
- Espere um pouco, estou tentando associá-las ao sonho que tive essa noite, e procurando um espaço entre as nuvens para poder criar uma leitura.
O mago parou por um tempo de falar, enquanto Arthur olhava para ele esperançoso de que visse algo nas nuvens, que para ele nada mais eram do que simples nuvens que amenizavam o sol forte a lhe queimar a pele.
- Sim Arthur, posso ver que há um movimento do reino para nos resgatar, mas ao mesmo tempo enfraquecerá a defesa, onde a rainha terá de procurar uma aliança para salvar o castelo.
- Pode intervir, mago?
- Talvez possa se achar certas ervas e pedras para posicioná-las no centro do templo, e buscar algum meio pra me comunicar com F, ele sempre foi interessado no meu trabalho. Essa noite a lua estará favorável a esse tipo de realização.
- Então faça isso, mago.
- As nuvens ainda continuam a mandar mensagens, e é fato que Drakos esteja envolvido com o nosso abandono aqui nessa ilha. A rainha deverá tomar muito cuidado com ele.
Pg 38

Parte de uma novela sobre o rei Arthur.
Estou reescrevendo, pois deixei na gaveta, e agora pretendo terminar.
 
Rei Arthur

Frações

 
/Longa é a vida,/
/Curto/ os momentos./
/Tempo fracionado,/
/Assim/ como os restos,/
/São sentimento/
/Deixados à mesa,/
/Junto a migalhas./
/Esquecimento./

airton parra sobreira
 
Frações

Pensamento

 
Estou nos anos de 1920, sou um viajante do Tempo.
Como tudo isso se originou?
Talvez nem eu saiba ao certo, pois estou começando agora a escrever.
Vão me perguntar também, porque escolhi a década de vinte?
Foram pelos ternos cinzas.

O fato se deu numa charmosa cidade a qual darei um nome fictício, pois devo preservar minha identidade.
Vivo em Nova Colúmbia que está a uns trinta minutos de carro da Capital, e como sabem os carros desta época não ultrapassam os 40 km/h, então não fica distante, caso fossem automóveis dos anos 50 provavelmente levariam uns 10 minutos. Vocês não imaginam a variedade de veículos que conheço, já que sou um viajante do Tempo. Procuro ser discreto e ético. Claro que sei sobre a quebra da bolsa de Nova York de 1929. Poderia ganhar muito dinheiro sabendo com antecipação, o comportamento do mercado financeiro, se atuasse como consultor, mas as coisas não são tão simples assim, e nem como a maioria pensa.
O meu dom é o pensamento, e com ele viajo no passado e futuro para qualquer parte do planeta. Falo vários idiomas e sempre me apresento com a roupa da época.
Você pergunta como isso é possível? De certo existe uma explicação científica para este fenômeno, mas devo não interferir muito no Tempo ao qual eu não deveria estar. O que posso dizer é: pense numa estrada, que de repente se bifurca. A escolha a qual caminho seguir é sua, mas os dois existem, e não é porque prosseguiu num deles, o outro deixou de conhecer, ou até fazer parte de seu futuro caminho.
Tudo começo numa tarde chuvosa de sexta-feira. Sai do meu apartamento por volta das 15 h. Tenho por hábito ir duas vezes por semana no Café Leopoldo. Peço como de costume uma água gaseificada e um café expresso uma das tortas no balcão que pareça com que saiu a pouco do forno. Meti a mão no bolso do paletó, e percebi que havia apenas uns míseros trocados, e mais uma vez pediria ao garçom para pendurar minha conta. Neste caso nem precisaria ser um viajante do Tempo para saber da maneira com olharia para mim, mas até este momento eu era uma pessoa normal. Foi quando entrou um senhor de terno cinza e se sentou frente a mim, puxou um bloco e começou a fazer anotações, ficou assim por uns minutos, e voltando ao bolso seu caderninho, olhou para mim..... continua
 
Pensamento