Poemas, frases e mensagens de Frederico

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Frederico

Ah...como eu queria

 
 
Ah como eu queria

brindar o sol com gomos

de luz passeando em debandada

pelos teus céus despertando

loucos desejos tão cruciais

silenciando os beijos

que me deixaste tão marginais



Ah como eu queria

reflectir-te minhas paisagens

desenfreadamente cordiais

agitando todas as partículas

quânticas se díluindo num

eco rasgando o tempo em constantes

e renovadas ondas de amor desaguando

na maciêz de um delírio essencial



Ah como eu queria

ser-te factual

fascinar-te com encantos

de amor ancorados

a cada sopro da existência brutal

morrendo na plenitude da saudade

debruçada nesta penitência tão fatal



Ah como eu queria

dissolver-me em ti

alimentando cada verso

dormitando no travesseiro

fértil da vida

onde nos abrigamos à mercê

de um silêncio se despindo

aliciante e sorrateiramente

enclausurado a cada palpitar

do tempo bramindo avidamente

FC
 
Ah...como eu queria

E o resto ...é esquecimento

 
 
Regressarei ali

onde o tempo sepultou

minhas ilusões

procurando na impaciência

que os ventos perfumam

o odor mascarado de longínquos

beijos quando agendámos

no mesmo dia aquele

cardume de abraços que ficaram

estáticos

afogando-nos nesse mar sazonal

ancorado na dor silente

que estóicos reportamos

nesta noite breve renascida

em cada um de nós

em lâmpejos de amor tão profilático

– O resto…é esquecimento

quando as palavras rolam

ladeira abaixo

desgovernadas pelos

barbitúricos apelativos

que ingerimos mal adormece

a noite

e nós apaixonados incorremos

tolos

caudalosos

neste fado que ressoa

emblemático na transgressão

de vida pendente

que morre olvidada em mim

– Vejo, ouço,lembro

o majestoso timbre que flameja

entre nós

Reparto o sol em gomos de luz

melancólica

que insinuante ainda flutua

Lunática

tentadoramente frenética

por entre tristes sabores

que degustei tão mediático

Fito-te nos olhos

descrevendo novas órbitas

meridionais

Aplaco a raiva destinada

a esta linguagem onde

se oprimem astutas todas

as lástimas gritando em silêncios

um pranto prévio de vida

um instinto exalado no teu perfil

surgindo anónimo

em recolhimento…em ausências enfáticas

– O resto…é esquecimento

alheamento

dias insolúveis

manhãs prometedoras

vazios repetidos

saudades dramáticas

muito tempo de duração

quase ilimitada

tantas promessas que se abeiram

traumáticas

sempre iguais num verso

acariciando-te repetitivo

deixando-me doido

envelhecendo nesta solidão

aleatória

povoada desse

aditivo que se chama gratidão

e nós apressadamente apagando

as labaredas da vida

vivendo nossa combustão espontânea

submissa …tão cutânea

FC
 
E o resto ...é esquecimento

Serenidade

 
Serenidade
 
Compartilhamos por vezes

um sorrido doce

inimaginável

com lágrimas perdidas no convés

das memórias lembradas com fervor

onde por fim me abrigo

no convívio selecto dos amores

sem mais deixar vestígios

para a eternidade

sem mais morrer

porque a vida feliz

derradeiramente apetece

e assim acontece

– Resta-me viver tremendamente

todas as impossibilidades

de um milagre simplesmente possivel

porque na vida tudo acontece

numa prece perfumada

onde a fé nos habita

em cada manhã que renova

apaixonada delicadeza

de quem revive

em transfusões de serenidade

e beleza

FC
 
Serenidade

Existências...

 
Existências...
 
Existe toda a beleza

que depura a vida

regorgita até minha poesia

que fareja longânime todas

as angustias

assim tristes
solitárias
únicas
descartadas na penúria do tempo



Existe a declaração de amor

estampada neste inesperado verso

assim como respiro a rima

sem ritmo,

sem sombras

trilhando luzes

ilustrando impossíveis milagres

renascendo heróico neste

meu mundo tão inabitável



Existe por vezes

um sorrido doce

inimaginável

uma lágrima perdida no convés

das palavras lembradas com fervor

onde por fim me abrigo

no convívio selecto dos amores

sem mais deixar vestígios

para a eternidade

sem mais morrer quando acontece

mas sim viver porque a vida

assim merece

FC
 
Existências...

Flutuando

 
Flutuando
 
Flutuando

Evapora-se o olfato pela noite

quebrantada na paisagem perfumada

dos teus olhos

espalham-se consoladas as labaredas

trémulas que inundam a fogueira dos nossos amores

quando restam no tempo a fartura constante

no seio dilacerado nos nossos beijos

no hálito fresco de cada madrugada

que rasga a eito minha solidão sem voz

que não mais escuto

meu cortejo alegórico,astuto,absoluto

ao resplandescer mais um dia

em cada silêncio que flutua

em cada noite cúmplice que a lua gentil ilumina

em cada sílaba que em surdina se aparta feliz

e tranquila adormece teu vulto que à luz da luz

se escapa na nesga de liberdade

efusiva,impassível e mais formosa

na hora que desponta impregnada

de perdão e tanta compassividade

FC
 
Flutuando

Ao Gato...Barbieri

 
 
A tua musica tem asas como a alma

que pousa alada no pranto que cessa

Teus acordes pintam o vento que escoa

pelas margens sonoras de um silêncio

que agora enfim começa

Sei que ainda dançaremos pelas

extensões do tempo alimentando

arpejos mais eufóricos

até que por fim...no fim dos tempos

nos encontremos tão harmónicos

Frederico de Castro

- a um musico ímpar que deu às minhas paixões o meio de obter prazer delas...
 
Ao Gato...Barbieri

A cura

 
A cura
 
A cura - à minha filha Noemi

Com o tempo aprendemos que a dor
nem sempre é dor
toda a lágrima nem sempre é triste
assim como um beijo nem sempre
encurta uma ausência
porque afinal podemos sonhar
e curar com antecedência todas
as mágoas que o dia revela
todas as saudades
que durante tanto tempo
voltaram pra mim,

deixando-nos
mais sós e sem contratempos
esquivos, ao sabor da sorte
à procura de uma cura
que teima em chegar
tão de repente como o vento,
tão apressadamente como a morte…
FC
 
A cura

Perfeito silêncio

 
 
Vou deixar quieto

o meu silêncio

Contentar-me em alegrar a fachada

onde deposito plenas gargalhadas

embrulhadas no tempo perfeito

quando enfeito todas as calmarias

debruçadas na ténue luz da manhã

que respira escaldando minh’alma

escancarada

no páteo de tuas cantarias


- Esqueci-me das palavras

neste perfeito silêncio

Penetrei nas sombras da noite

atando-te ao gomo de luar

onde semeio uma grata aurora

forasteira

em ondas ébrias entardecendo

meus horizontes, vagando por ali

nas tuas trincheiras


- Afogámos nossas esperanças

num almanaque de palavras gentis

içando estes versos

num perfeito silêncio

convergindo num destino que pulsa

velando nossa existência infinita

manufacturada na fímbria da noite

que agora fenece tão explicita


- Observo o madrugar dos meus

sentimentos

velar-te imarcescível

enquanto partilho pelas veredas

do tempo

um solicito beijo correndo

apressado por ti

tão apetecível


- Parei do lado do tempo

plausível

entregando-me ao feliz

suspiro deste perfeito

silêncio

quase irreversível


- Deixei-te sem palavras…irrepetíveis

nem saudades intransponíveis

apenas o que restou

deste poema em fragmentos

proféticos abotoado ao degredo

que me deixou tentadoramente

por ti disponível

na eternidade implacável

de um silêncio sorrateiramente inaudível

FC
 
Perfeito silêncio

Nas asas do silêncio

 
Nas asas do silêncio
 
Nas asas do silêncio

E quando penso
que nada passa
assim me expresso
porque a vida se apressa
e tudo resta tal como tudo... o vento levou
tudo,
tudo que se desembaraça da vida
qual argamassa impressa
na semelhança das manhãs
que sorriem descalças
entre a noite e o dia
agora disfarçados
sem enganos esboçados numa promessa
ou palavras de amor repensadas
a baloiçar nas asas do silêncio
a cada breve e tão simultâneo momento
FF
 
Nas asas do silêncio

Astuta solidão

 
Astuta solidão
 
Tatuei em versos minha solidão

astuta

me ludibriando os tons

de alegria que deixei pousar

na anatomia dos silêncios

despindo-se

sob o olhar da tua batuta

- Ali logo me enamorei

habitando-te sôfrego

bebendo-te à luz ténue dos

azuis celestiais onde finalmente

por ti me encorporei

- Não mais te ausentes resignada

pois assim não sei como

condimentar minha poesia

introvertida

desfragmentando todas as vigílias

da noite avassaladoramente de desejos

a ti compelida

- Supre toda a existência por nós

assim partilhada

Aconchega-te aos meus instintos

e decerto nos atreveremos

galgando os

alentos

sedentos

pernoitando nos arruamentos

enfeitados do tempo fechado

no subscrito dos nossos contentamentos

- Une todas as pedras desta calçada

onde pavimentamos à esquadria

cada beijo proscrito

no enrocamento duma vida

em erosões manuscritas qual

nutriente de amor

transbordando o assoreamento

deste leito onde nos embebedámos

à luz da luz soterrada

na minúscula avenida de cada lamento

infiltrado no declive dos nosso seres

em desesperado acasalamento

FC
 
Astuta solidão

Tantos dias...

 
 
Percorri tantos dias

esqueci-me de acertar

o tempo vagando

ontem, hoje ou amanhã



Elucidei a existência onde

vivo dia a dia errôneo

memorizando os silêncios

indecisos alimentando

cada detalhe do meu quotidiano

que escapa engolido na voracidade

deste instante ilusório

acampado aqui sedutor

invadindo toda a cumplicidade

recriada no tempo redentor



Procurei por ontem

à margem do que

não existe mais

Descortinei todas as

revelações deixadas

neste poema estacionado

num particípio passado

onde imprimo meus versos

expulsados,expressados

compassados,dispersados

num trago de beijos impregnando

nossos seres agora tão acossados



Tantos dias…tantas horas

e o tempo que cessa

paira agora no ventre

de um eco cantando

todas as palavras incógnitas

que deixo ruminando atónitas



Ao reencontrar-me nas esquinas

desta vida

refino minha razão exactamente

aperfeiçoando cada rima irrelevante

onde ostento a paisagem da vida

se reproduzindo atentamente



Tanto tempo…tantos dias

sem saber…na expectativa

exalando-te definitivamente

FC
 
Tantos dias...

Quando partir

 
Quando partir
 
Derrama-se pela noite

meu triste pesar em raios de sol

envelhecidos no ébano e puro

olhar dos nossos carentes desejos

ando assim solitário de tanto cismar

de tanto relembrar nossa piedade

esmagada num cemitério

de tantas amarguras

repleto de relevos debruçados

na paciência que se extingue

quando chegámos por fim

ao fim dos tempos

que fazer então…

quando as ilusões se tornam inexistentes

e abrigadas num cálice raso de fé

que fazer se a mente me ilude e permanece

acantonada, contemplando aquele sopro gélido

que extingue mortiço a réstia de luz

que rejuvenesce e consome os dias por vir

que fazer…senão partir

no seio formoso da aurora consagrada

num harpejo lírico transportado

na desilusão do poeta

senão chegar de rompante com o orvalho

agasalhando nossas alegrias acetinadas

e bordadas na morada onde o mar

por fim se deixa por nós aconchegar

vou partir …e por lá decerto te deixo

por mim ancorar

FC
 
Quando partir

Brisa de Verão

 
 
Publiquei na manhã todo o perfumar dos dias

velando teu despertar belo e cheiroso

guardando-te pra mim

viçosa

vestida a rigor no precioso trajar

dos nossos desejos beligerantes

onde te colho qual flor charmosa

e deslumbrante



Estou simplesmente submerso neste

poema onde me disperso todo em ti

sem controvérsias da vida breve

onde tatuo tantas gargalhadas de

euforia me devorando num milésimo

de segundo desabrochando onde louco

eu sei, inspiradíssimo

sem mais opções te flertaria



Povoaste-me o presente com sorrisos

e ovações de saudades

multiplicando toda imaculada serenidade

do tempo que regurgita saciado

por entre aqueles abraços de cumplicidade

e tantos beijos arando os desejos

morrendo numa colheita degustada

com inteira exclusividade



Só eu sei como esta poesia me sacia

infectando cada verso mais volátil

que um súbtil olhar alicia

Só eu sei como inventar-te cada dia

aprendendo as equivalências do amor

expressando cada história contada

auspiciosa e com esplendor



Só eu sei como escoltar-te este silêncio onde

nos desvendamos pra sempre

ancorados ao destino rugindo na frágil

e flébil brisa deste Verão que se escoa

emergindo no púlpito do tempo

pra toda a eternidade



FC
 
Brisa de Verão

E depois...o adeus

 
 
E depois escrevi estes versos

no sossego de um dia

murchando devagarinho

reconciliado num adeus,

até depois… tão órfão e peregrino

Foi num espaço decretado

de tempo

que pavimentamos o soalho

da vida

repleto de sedução

caminhando pelas ruelas

da saudade quase desbotada

implorando urgente

uma singela obra de manutenção

E depois…o adeus

despedindo-se dentro de nós

ao desencontro do nada que resta

indiferente à perpétua hora

morrendo devagarinho num recanto

qualquer perdido na fresta

ou no silêncio dos teus prantos

E depois…o adeus

abandonando-me de vez

melindrado

vulnerável

formal

deixando na plataforma deste versos

o som do canto aflito

demorando na despedida

o aperto comovido do adeus

na hora da partida

E depois…o adeus

partindo pra lugar nenhum

demorando a presença do teu ser

esquecido

encontrar o nosso remetente

amenizando as cicatrizes

umbilicalmente abraçadas a estes versos

que deixamos amortecidos

na matriz do tempo

algoz e sem outra directriz

Será apenas só mais fácil

sonhar-te cada noite

imaginar pra lá de um

sumido sonho

o reencontro da vida fecundada

na antecipação de uma lágrima

alimentando cada ciclo de um adeus

onde me aventurei como passageiro

desta saciada existência madrugando

na chama das lembranças eternamente

camufladas

onde me fiz teu fiel hospedeiro

FC
 
E depois...o adeus

Daqui em diante...

 
 
E daqui em diante

vestirei teu arco-íris

com a matiz de um sorriso

alinhando o perfil dos

ecos incalculáveis numa

sinfonia de beijos despertando

geniais e incontestáveis


Doparei este verso

com cores sorrateiras

defenestradas pela noite pousada

à janela do tempo mascarado

de meiguices quando feliz

me saboreias


E daqui em diante

neste concílio de fé

recito uma oração voraz

embriagando-me

neste folhetim de silêncios

onde me sacio na epístola

da esperança

infinitamente veraz


E daqui em diante

vou pela avenida dos ventos

ao som de um samba passageiro

alegrando os foliões da vida

vertendo os suores perfumados

num enredo expressivo onde desfilas

toda mascarada na alegoria de vida

tão sorrateira


E daqui em diante

prepara-me o destino

onde te vislumbro

comprometida

engordando o tempo feliz

onde batucamos nos silêncios

alucinantes

ao rufar deste poema esculpindo

e pincelando

nossos quotidianos de mil euforias

estonteantes


E daqui em diante

tempero nossa loucura

com versos feridos de dor

revelo-te o mecanismo original

do amor empolgante

onde construo cada peça

de uma caricia murmurando

tua imortalidade

assim tão expectante

FC
 
Daqui em diante...

Perdidos no tempo

 
Perdidos no tempo
 
Perdidos no tempo

Neste presente ou futuro
sou o livro que lês
as palavras que discurso neste modesto
e intempestivo feixe de luz
maravilhado na fronteira inacabada
entre o sol e a lua
dissolvidos, insânos
sem espanto
contendo nossas mãos
vazias com um pouco de nada

construímos valores magnos
implementamos leis e princípios
com deveres, saberes e sabores intemporais
afinal o que somos
disfarçados, incompletos
comovidos, poetas fingidores
perante um mundo que desaba
perdido no tempo
sem vestígios mais do que é breve,
pois se sobrevive
sem complexos assumidos
alimenta os mais fracos tão completamente
neste presente que não mais nos machuca
porque afinal nosso futuro
será imenso e por ele me aventuro
FC
 
Perdidos no tempo

Voltar no tempo

 
Voltar no tempo
 
Decifra-me se puderes

encontra-me neste poema

tantas vezes reescrito

onde mergulho cada palavra

no tempo infiel e proscrito


Reserva-me todos os murmúrios

onde transformamos gargalhadas

em versos de prazer inédito

alimentando o sinédrio dos meus

juízos tão itinerários e frenéticos


Data-me o tempo

que se escoa na espessura

limítrofe do vento

Cubram-se os céus factuais

onde te invento

em vícios quase premíscuos

e delimito minhas orações

nas asas arfantes de um anjo

que vela até

meu arrependimento


Voltar no tempo

onde entreabimos a alma

com beijos

e atiçamos nosos seres

com abraços

que se apressam em fuga

delicadamente

mal a manhã vindoura

te ostente de vida inexoravelmente

FC
 
Voltar no tempo

Os contornos da sombra

 
 
Na minha pele

já empalidecida no tempo

regaste com perfume

todo este ser que te sustenta

erigindo minha esperança

quase implacável

que por ti finalmente

ruge e sedenta

– Olhando no rascundo do tempo

rabisco na alma da gente

um tépido vento que assobia

embalando o dia tristonho

e tu carecida de poesia

escondes os contornos

da sombra que releio incansável

deglutindo cânticos fraternos

ainda mal rompe nossa alegria

mais intima,em lenta combustão

munida de embriagantes momentos

inolvidáveis…insubstituíveis

– Perdi as emoções

no breu da vida desafortunada

Ocupei todas as memórias com fotos

desbotadas pelos tons

silenciosos onde usufruímos extenuados

nossas existências

sangrando suculentas nesta poesia

quase virulenta

onde atormentas todos

os meus instintos

onde me arruínas até aquela

velha doutrina onde alimentei

egos famintos

ironias latejando num punhado

de ecos tão lúcidos

desinquietos, revelando-nos

o amargo sabor do absinto

– Quem me dera

conhecer teus detalhes

nos contornos suaves da sombra

adivinhar-te inteiramente

Despertar cada instante cordialmente

desassossegar-te implicitamente

até por fim exalarem nossos sonhos

vagueando errôneos em movimentos

de cumplicidade reveladora

– Assim possa eu sustentar

teus imprescindíveis

gestos tatuados na efeméride

dos dias

onde incendiamos

cada gomo de vida tão avassaladora

perpetuada nas excelências do amor

redesenhado em ondas de contentamento

que partem no tempo virtual

mitigando com preces esses

contornos de luz

onde me abandono

à sombra da tua superfície inspiradora

bebendo-te em delírios de alegria

convertendo-nos em aliciadores

e incuráveis sonhos

entranhando loucamente neste poema

em constante desalinho

mesclado de luares onde pernoito

arrastado em ondas de silêncio

e adormeço-te devorador…assim quietinho

FC
 
Os contornos da sombra

Um de nós...

 
 
Brota minha escrita

desatando a rota no dia

que galopa rumo à tua

guarida


- Um de nós

deixará as saudades

se confessando entre

dois olhares quase indeléveis

correndo neste poema

que te deixo em epígrafe

quase me desintegrando

impassível


- Eu sei

como te desatar

os silêncios

Sustentar toda a posse do tempo

que nos algema irreversívelmente


- Um de nós

inexoravelmente

deixará amarradas

todas as emoções corrediças

onde nos banqueteamos

com palavras irrecusáveis

e jamais esquecediças


- Consumiremos todas as

harmonias

que se atam ao nó

dos meus silêncios

Maquinaremos tantos abraços

em cada segundo

enclausurado no tempo

que a nós se apega

desata, sossega

galga

e jamais renega


- Um de nós

traçará os ritmos onde

se imolam paixões

onde se lavram insurreições

colhendo em todos os

cântaros de vida

um milésimo de tempo

onde

pernoitaremos insinuantes

sem mais restrições

FC
 
Um de nós...

Tempo para a eternidade

 
Tempo para a eternidade
 
Tempo para a Eternidade

Temos que acreditar no tempo
comprar dele a inusitada esperança
façamos da fé o poema mais casto
que alguma vez reverênciamos
percorramos perfumando da Terra
todos os seus movimentos anónimos
precisos, infinitos
em órbitas que só os sonhos contemplam
entre um cálice de partilhas
que só a grata esperança alcança

por isso temos sempre de acreditar
e fazer dos trovões nossa exaltada gratidão
para vencer as batalhas mais duras
sem tácticas universais,
mas com talento e carácter
que preserva mais sólida a fé de muitos
a constância férrea de todos;
temos de acreditar,
hoje e sempre
que a eternidade nunca será
uma só hora de vida nem tão pouco
um breve e despedido adeus
mas uma vida inteira para encher
com autenticidade a imensidão de nossa vida
FF
 
Tempo para a eternidade