Poemas, frases e mensagens de baraujo

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de baraujo

deslizo entre as tábuas do meu sentir

 
deslizei para um condomínio de pó
em que a tinta se transformou em teia de aranha
e a madeira… pequenos passos do tempo esquecido
de náufragas intempéries do meu ser.
lágrimas dos restícios sentimentos
supostamente de tempos idos
supostamente esquecidos…

deslizei por uma cadeira perdida.
numa qualquer sala das recordações
guardadas num qualquer lugar…
perdida entre escombros do meu ser
que está neste meu sentir
supostamente já guardado algures no tempo
supostamente perdido nesse algures…

deslizei entre as sombras
varridas pelo vento que já não sinto
trazer a tua voz, espalhar o teu perfume.
perdidas entre a minha sombra,
vagueando nesta sala
em que me encontro sem janelas
supostamente deixada para trás
supostamente esquecida…

deixo-me ir,
sentado nesta cadeira vazia
do vago pesar que me cobre
entre os olhares distantes em que te procuro
e estes que deito sobre meus pés
supostamente a caminhar algures
supostamente longe deste lugar!

Bruno Ribeiro
PMS, 23.Junho.008
 
deslizo entre as tábuas do meu sentir

no fundo do mar

 
mergulho na imensidão azul
e envolvo-me na espuma do mar
porque navego através do que sinto
e sufoco no próprio sentir…
beijado pelo sal das ondas
consciência sentida de uma lágrima perdida
que vagueia, esquiçada no meu rosto
também ele perdido…
o ar que foge do corpo
para se libertar de mim
os pulmões que respiram água
alívio de qualquer dor!
são sementes de pânico
estas deixadas sob o meu olhar
imperturbável pelo sal que sinto…

‘tento e tentei…
percorrer o mundo sem ti
mas a ti volto todas as noites
num delírio que me aprisiona
entre o perfume da memória
o perfume do sentir, perfume de ti!

‘tento e tentei…
apagar e afogar o que sinto
mas não se perde
na incolor ausência de ti

por isso afogo o meu corpo
na inconstância do meu ser
que sente e bate por ti…
são parcas as palavras
muito raras as que me aliviam
deste fustigado olhar vazio
por entre as gentes da solidão!

fossem as tuas palavras presentes
para aliviarem o meu coração…
sufoco este,
que me converte num suspiro
esquecido por entre o vento!
já me perdi,
nesta mancha azul
em que o ar se esvai
já me rendi,
às forças que não tenho
e assim me afundo…

sou… mais um grão de areia!

Bruno Ribeiro
Lx. 20.Set.008
 
no fundo do mar

pousado na pedra polida pelo mar bravio

 
uma pedra repousada no tempo
no meio de tantas outras
semelhantes, frias…
polidas pelo mar bravio,
tatuadas pela espuma branca…
nessa pedra guardada
na memória da minha existência…
sento-me,
olhando para a tela que me absorve
esse mar imenso… irrequieto…
no mesmo lugar onde já estivemos
a amarmo-nos com o olhar!
a espuma do mar,
relembra-me os segredos partilhados
jamais revelados. doce confidente…
este mar!
que me espreita, agora sozinho,
ali pousado, como um pássaro numa galho.
absorvo a brisa dos últimos raios de sol
que me aquecem num último momento!
e permaneço…
engolido no tempo…
que me desfaz… entre pensamentos,
que vagabundos, recorrem a mim
para se soltarem… inquietos…
guardo-me, naquele recanto
da encosta despida,
sobre a pedra cinzenta
polida pelo mar bravio…
perco a consciência que existo
navegando no mar,
através dos sentimentos
embarcado no olhar
que se estende no azul infinito
e termina no algures
das lembranças pousadas
na gaveta escavada
do meu sentir!
esse marinheiro de ilusões…

deixo-me estar,
com a espuma do mar
o meu rosto beijar,
e segredar
o teu relembrar…

‘não te esqueço,
mas para te lembrar
preciso de abrir a gaveta
escavada em mim
e a chave está pousada
sobre a pedra polida pelo mar bravio…

Bruno Ribeiro
Lx.21.jan.009
 
pousado na pedra polida pelo mar bravio

timidez de um olhar

 
o vento chama pelo teu nome
eco da minha voz
e o sol espelha o teu brilho
chama da minha paixão!

nesta dança longínqua
em que te estendes
por caminhos que desconheço
espero, uma vez mais, olhar-te
e beijar-te,
vendaval do meu desejo
enquanto te rendes
à vontade do meu ser!

escrevo,
sobre pedestais vacilantes
ondas do meu ser
que varrem o meu viver
sons que o meu coração
desperta e se estende à mão
de quem te chama, hesitante
entre o tímido olhar de um beijo.

Bruno Ribeiro
PMS. 28.Junho.008
 
timidez de um olhar

fim

 
poemas negros começam a varrer a minha cabeça
um turbilhão de sentimentos e emoções
de uma alma perdida,
de um espirito desiludido,
de um coração desalojado!
a neblina caiu sobre a vida
de cor negra como em dias de tempestade!
um terramoto deu-se na minha vida
varrida por um maremoto...
causado por um amoremoto...
vejo-me a passear nuns terrenos desconhecidos,
outrora conhecidos prados verdejantes,
agora pântanos obscuros!
nuvens negras continuam a rodopiar no céu
a mil à hora como a dor a correr no corpo.
anjos negros, necrófagos dos pântanos
esperam por me levar a alma,
pintam e minam o espirito de negro,
despedaçam o coração, esfarrapam-no, destroçam-no;
nos meus olhos o brilho perdeu-se,
como o brilho das estrelas, dos sorrisos e do sol...
agora estão negros...
imensamente negros, das negras lágrimas!
já chorei lágrimas salgadas,
já chorei sangue,
já chorei algo de negro, negras pétalas
- lágrimas de nanquim
que ao saírem dos olhos parecem bocados de vidro e da vida...
farpas, lanças, facas, espadas, agulhas... dor!
o negro lodo, nasce e cresce sem parar
neste pântano de areias movediças
areias negras,
lama vermelha de sangue
de amores assassinados,
o ar sufoca de tão pesado, de tão húmido,
as palavras tornaram-se silenciosas
apesar dos meus gritos ensurdecedores
mas que não deixam de ser silenciosos.
só se ouve o riso dos anjos negros,
aterrorizador, faz-me cair,
parece uma trovoada, mil vezes pior!
onde existiam imponentes árvores verdes
encontro pedaços de troncos negros.
cai neve, neve negra...
olho para o que seria o sol – está apagado...
deambulo à procura de caminhos
pois os que percorri encontram-se negros
das negras lágrimas que já chorei...
tudo é negro...
esqueceram-se de pintar este quadro,
o quadro da minha vida...
parece pintado a carvão,
fotografia a preto e branco,
sem alegria, sem sorrisos, sem brilho...
estou perdido!
as portas da felicidade teimam em se fechar,
os guardas do paraíso teimam em não me deixar entrar,
fico para trás...
a minha roupa está em mil farrapos
e pior está o corpo... e a alma... e o coração...
arranhado, dorido, sujo, chicoteado, torturado...
tudo à minha volta está tão negro...
pareço estar dentro de uma caverna
bem no centro da terra.
não consigo procurar rota,
não consigo andar...
tou a ser devorado por corvos, por lobos,
por morcegos, por abutres, por piranhas, por cobras,
por escorpiões, por larvas...
estendo a mão à procura de ajuda
mas pisam-na, escondem-na...
já perdi a esperança de encontrar uma pomba branca
ou de um anjo de plumas brancas,
perdi a esperança de tudo e qualquer coisa,
abandonado, triste e só...
pego numa guitarra à tempos guardada,
uma guitarra sem cordas,
tento tocar uma balada melancólica,
com os dedos a sangrar...
parte de mim morreu
e a outra parte morre lentamente com dor!

Bruno Ribeiro
Lx. Outubro.06
 
fim

margens de solidão

 
vagens do meu olhar
pesado de não te ver
sonhando com imagens tuas
sonhando acordado,
acordado sem sonhar…

vagens de lágrima utópicas
pois é de um olhar vazio de não te ver
que se ergue um rosto seco
das noites acordado sem dormir
sem sonhar acordado.

bate no vidro porque em mim não bate
a última folha sem esperança
de sonhos vagos sem sonhar
qualquer desejo que me invade
despido de qualquer ser
porque em mim não resido!

Bruno Ribeiro
Lx. 17.Out.007

in: http://baraujo.blogspot.com/2008/04/margens-de-solido.html
 
margens de solidão

aconchego

 
sentado à janela,
a escutar a noite!
a lua sorri,
as nuvens passam
correndo atarefadas
e na cama,
os lençóis revelam
mais do que escondem
as nuas curvas do teu corpo
olho-te sorrindo,
enquanto repousas no meu leito.
a noite imprime cores
que deslizam sobre ti
aproximo-me,
levo a mão, a percorrer suave
o teu perfil…
enquanto guardo no aconchego
os nossos corpos
e faço deslizar o tecido
que nos abriga…
beijo-te o ombro,
envolvo-te num abraço
e adormeço…

Bruno Ribeiro
Lx. 14.Dez.008
 
aconchego

tela de sedução

 
São beijos, meu anjo
essas pétalas que caiem sobre o teu corpo
beijos de desejo, desejo por ti!
São pingos de paixão
esses de uma vela derretida
que percorre o caminho traçado
por um pequeno cubo de gelo
efémero… pelo calor do teu corpo
É apenas a minha mão,
essa pena que suave, esvoaça pelo teu corpo
numa espiral de sedução!
São apenas os meus olhos
que vislumbram o teu corpo
repousado… desejando-me!
São apenas pinceladas de ar
este suspirar profundo
em que os nossos corpos se unem
na subtileza do amanhecer!
e quando a noite chega
fragmentos de paixão deambulam
entre os nossos olhares…

por isso,
toca no meu rosto com a tua mão
e aproxima os teus lábios dos meus
deixa os nossos olhares conversarem
na melódica suavidade da paixão
tela ardente cravada na nossa pele!

Bruno Ribeiro
desejando-te algures, 27.Junho 007
 
tela de sedução

a rapariga dos olhos de mel

 
fragmentos de imagens,
varrem a inconsciência do meu ser,
percorrendo a banda desenhada
de sonhos diluídos na noites!
pequenos brilhos, pequenos nadas
criam pequenos esboços de sorrisos
nos crepúsculos de lágrimas caídas
pequenos nadas num cantinho do mundo
com grandes desenhos em aguarela
de olhos que desconheço
cintilantes como mil sóis…
olhos de mel sem rosto,
expressão melosa que me envolve
em fragmentos de sonhos
que desconheço.

pinceladas de curiosidade
abatem-se sobre o meu mundo
e no calor da noite
desejo partilhar o meu corpo
em brandas palavras doces
que se dizem sem falar…

Bruno Ribeiro

in: http://baraujo.blogspot.com/search?q=a+rapariga+dos+olhos+de+mel
 
a rapariga dos olhos de mel

um gato no telhado

 
repousado,
na cumeeira de um telhado
olhando
e desfrutando
breves miares ao luar
breves melodias pelo ar
que varrem esta cidade
perdida entre outras cidades…
gostava de estar aí sentado
nessa cumeeira
beijada pela lua
gostava de escutar nesse lugar
os sons desta cidade viva
escondido por entre os ramos da noite
e cantar,
com uma guitarra nas mãos
qualquer coisa sonante
ou uma qualquer balada…
mas não sou sequer ágil
para estar sentado
nessa cumeeira ao luar
nem tão pouco ágil
para despontar acordes
desta guitarra sem cordas…

Bruno Ribeiro
PMS. 5.Julho. 008

in baraujo.blogspot.com
 
um gato no telhado

olhando

 
 
imagino-te assim…
olhando-me,
enquanto cantas através do olhar
que me envolve,
que me cativa,
que me aconchega…
sorrimos
e vagueamos entre conversas
que o tempo não importa,
porque assim estamos,
olhos nos olhos,
envolvendo-nos, abraçando-nos!
estendo a mão à tua mão
e levas-me a dançar
pela música trazida pelo vento
sem saber dançar…
mas não importa
porque estamos assim,
perdidos no tempo,
porque ele não importa.

ai! esses lábios macios
que me chamam
no silêncio do beijo…

Bruno Ribeiro
Lx. Out.008

in:http://baraujo.blogspot.com/2008/12/olhando.html

ps. musica dedicada à Alexis, com uma flor pousada sobre uma mão!
 
olhando

desassossego

 
nevoeiro,
palavras que procuram um farol para assentar…
vozes preocupadas sussurram,
pensamentos inquietos que transpiram
entre trocas de olhares cansados…
perturbados…

livro rasgado…
pelo que foi dito e não dito…
pelo que foi feito e não feito
pelo que foi pensado ou ignorado…

fio-de-prumo,
que se enrola numa espiral
envolto em dúvidas, em si mesmo,
que desliza no vácuo do sentir!

e são as letras da calçada
onde escrevo no meu andar
a melodia do que sinto e penso
apetite voraz de te olhar!

Bruno Ribeiro
Lx. 10.Out.007
 
desassossego

um outrora que já não é

 
receando a noite
e os fantasmas que ela me trás
e as sombras que bloqueiam o meu pensar

receando o dia
de me aperceber uma vez mais
que estou só! sem ti!

ai! soubesses tu…
que os meus passos
me levaram inconsciente
a percorrer outrora nossos caminhos

ai! soubesses tu…
que os meus olhos
esculpiram, inconsciente
silenciosas lágrimas outrora sorrisos!

luto contra os meus receios
vislumbre de pequenas realidades
telas cobertas por sombras
outrora coloridos olhares
outrora coloridos sentires

o meu olhar procura-te
inconsciente… sem te procurar
os meus lábios chamam-te
inconsciente… sem te chamar

Bruno Ribeiro
Leiria. 21.Junho.008
 
um outrora que já não é

lágrimas de nanquim

 
deixo que a tinta desta caneta
derrame os sentidos do meu sentir
sobre a nudez desta folha branca
que vagueia sobre o presente
memórias de um qualquer passado!

deixo seco o meu olhar
derramando no ar que me beija a pele
a nudez dos meus sentidos
que vagueiam em mim
memórias que vão e vêm, sem convite.

lanço, pousando sobre o rio que sobe
devagar sobre as minhas mãos
um breve papiro em forma de barco
que se dilui no esquecimento
e vagueia nos mares do meu sentir.

e desce, silenciosa
a lágrima do meu olhar,
na sombra do sorriso ausente,
que me afaga, sem consentimento,
e contorna o meu rosto.

‘fossem breves as lembranças
para que as noites fossem dormidas
no descanso do luar..
fossem apagadas as memórias
para que os dias tivessem sol
no descanso do meu olhar…

porque me beija a solidão?
e me abraça o silêncio de ti ausente?

agora que a tinta seca
e a lágrima se derrama
viajo no inconsciente
para te esquecer
ou não te lembrar…
mas aqui estás…
sempre com aquele sorriso
que me esgana, que me sufoca
em mim mesmo!

Bruno Ribeiro
PMS. 27.Ago.008
 
lágrimas de nanquim

o sentido das coisas

 
Se para ti faz sentido,
Para mim sentir o sentido disto
Não faz sentido,
Porque sentido sem ti não faz
E em mim o sentido não existe.

Se para ti faz sentido,
Tentar perceber um sentido qualquer
É perda de qualquer sentido
Porque sem ti eu não faço sentido.

E o sentido das coisas é efémero
E desconfio se alguma vez
Perceba o sentido disto…

Bruno Ribeiro
Lx. 10.Out.06

in: http://baraujo.blogspot.com/2006/12/o-sentido-das-coisas.html
 
o sentido das coisas

Chiado Confidente

 
Procurei os versos das ruas e a poesia do bairro nas palavras deixadas e escondidas nas suas texturas, procurei um dos capítulos de Lisboa, escutei os seus sons, inalei os cheiros, olhei para o seu rosto, tacteei o Chiado…

Procurava respostas de perguntas incompreendidas, senti o sol a atravessar o meu corpo, falei com as sombras, vivi-o… enquanto passeava pelas calçadas gastas de vultos desconhecidos, anónimos que ali vagueavam e assim me tornei noutro deambulante que dançava nas suas vestes de texturas diferentes, enquanto deixava mensagens silenciosas, perdidas num lugar de poetas… lágrimas que desciam pelos carris dos eléctricos e jaziam no rio.

Deixei que as horas passassem por mim enquanto trocava segredos com esta zona nostálgica, procurava poesia que noutras épocas juntavam as pessoas em tertúlias nos cafés que me mostrassem o caminho que fizesse escrever as lágrimas que dos meus olhos teimam em não cair…

O sorriso das pessoas, alegria… aquele tão belo sentimento que perdi, que me abandonou… Por vezes esquecia-me do passado e noutros era incapaz de não me lembrar do teu rosto – simplesmente aparecias, naqueles momentos magníficos que o Chiado oferece a qualquer instante imprevisível e que gostaria de ter partilhado e que agora vivo passeando de mão dada com a solidão.

Bruno Ribeiro
Lx. 28.Out.06
 
Chiado Confidente

perdido!

 
Perco-me nas vozes que me divagam...
Perco-me no silêncio que me invade...
Perco-me na solidão que me assola...
Perco-me no tempo e no espaço...

‘a melodia que soa a traição
e a balada da mentira
não me saem da cabeça...

perco-me no esquecimento...
perco-me na vontade de sorrir...
perco-me nos acordes do silêncio..

que invade o meu ser
a cada instante
em cada momento...

perco-me na espuma do mar...
perco-me nas nuvens que esvoaçam...
perco-me na efémera palavra...
de me perder a mim próprio!

Perco-me na cinza das horas...
Perco-me na chuva...
Perco-me nas bolas de sabão...
Perco-me no meu próprio olhar!

Bruno Ribeiro
PMS, 11.Fev.007
 
perdido!