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Crónicas : 

DIVAGANDO NA FALTA DE INSPIRAÇÃO

 


Fazer o bem sem olhar a quem, é o maior dom do ser humano. Ajudar quem precisa de ajuda, dando-lhe todos os recursos para se levantar do chão, é um bem precioso e efectivo. Devemos olhar para o outro sem preconceitos pré estabelecidos nem fugas para a frente. Temos de nos irmanar e crer no outro, como em nós mesmos. Todos precisam de carinho e de atenção, sermos os primeiros a dar o primeiro passo, sem ficar há espera do outro, é o gesto a ter e a levar em conta. Ninguém é de somenos, todos somos importantes, para levar a vida avante, com alegria e sabedoria.

Estigmatizar uma pessoa, pelo que é, pelo que veste, pelo que professa, só porque difere de nós, não é crível nem abonatório para quem estigmatiza. O preconceito é uma insegurança nossa e um egoísmo elevado aos extremos, a que nunca devemos recorrer. Levar a amizade pela mão um do outro, estabilizá-la e divulgá-la, ensinando os seus preceitos, é o que está a fazer falta neste nosso mundo. Todos não somos demais para exercer o bem-estar das pessoas, atendendo os seus suplícios e pedidos de socorro, como nossos. O gesto deve ser particularizado e generalizado, ao mesmo tempo, pois somos uma comunidade.

Uma comunidade de entre muitas, com as suas raízes, o seu folclore, os seus costumes, que devemos valorizar e expandir, para além de nós. Os artistas são muito importantes para o bem do outro, pois revelam-nos a sua visão periscópica, do mundo ao nosso redor, em pequenos fragmentos de arte, que nos farão regalar os olhos de beleza. A beleza está nos olhos de quem ama, e bonito lhe parece, quem ama o feio. O feio não existe (lá está outra vez o preconceito), o que existe são pessoas das tezes mais variadas e de rosto e corpo peculiar. Amar a toda a gente, sorrir para cada um e cada qual, anuindo, é o que está correcto.

Eu tive um sonho, de que os poetas viriam para mudar o mundo, através da internet, mas depressa vi que muitos são mesquinhos e de má índole, pior do que se vive lá fora, na chamada «realidade». Nós, escritores e poetas, temos uma obrigação redobrada, para com aqueles que não têm posses para comprar livros e para os que infelizmente, não têm voz. Somos nós o arauto da liberdade de expressão e do bem-querer de muita gente, que assim se sente menos sozinha. Não andemos aqui a guerrear para saber quem é o poeta ou o escritor em destaque, devemos unir-nos por uma causa maior: o bem-estar das pessoas.

Deixemos o nosso egocentrismo de lado, de prima donas, com pés de barro, e cuidemos bem dos nossos leitores, não andando sempre a nos criticar abusivamente e de forma gratuita. É que nem todos puderam estudar as regras da poesia, e embora as conheça, não faço uso delas, pois só lhes sei o nome. Não deve ser por isso que sou menos que outro alguém, pelo contrário respeito a todos por igual e enalteço os mestres. Mas quantos mestres não há em cada um de nós – poetas livres, que só querem o bem, sem olhar a quem? Vamos fazer da vida uma confraternização, entre todos os povos, conhecidos e desconhecidos.

Façamos uma grande convocatória e apelemos ao encontro de todos os poetas, escritores e artistas, nas variadas cidades, aonde estão estabelecidas as sedes dos “Poetas del Mundo”. Está nas nossas mãos mudar o mundo e fazer dele um bom lugar para os nossos filhos e netos. A natureza já está muito arruinada, para que não pensemos nela em nossas palestras. É atroz o que lhe fazemos continuadamente e ininterruptamente sem qualquer rancor, ou reflorestação. É isso… o «bem» acima de tudo, para todos, sem recusas ou assobiar para o alto, como se não fossemos todos portadores do «genes» do Universo.

Jorge Humberto
18/09/10




 
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jorgehumberto
 
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Enviado por Tópico
antóniocasado
Publicado: 18/09/2010 17:49  Atualizado: 18/09/2010 17:49
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 Re: DIVAGANDO NA FALTA DE INSPIRAÇÃO
Ola

Um poeta escreveu num soneto um dia:
"Só não posso evadir-me deste desalento, de não ter dado nada, e ir de mãos vazias". No momento em que escrevo isto não me recordo do nome de um dos mais belos poemas que li em 1973 e que tem sido o arauto de uma verdade que expurgo de mim e pretendo expurgar dos outros.

São versos de uma realidade crua. Nem a pretensiosa ideia de "vamos unir-nos" em prol de algo sobressai daqueles versos entregues à vida como à forca, numa sem vontade delirante, trágica, quase cómica.

O universo de quem escreve é o livro. Ainda hoje choro os senhorios que me roubaram mais de 15.000 livros, a minha biblioteca pessoal, acumulada ao longo da minha vida, apenas porque o dinheiro permitiu o roubo e a sua escassez não permitiu reaver o que era minha pertença.

O seu texto até parece retórica! Mas é de uma realidade que faz doer. Se partilho das suas ideias? Integralmente! O que penso do seu texto? Subscrevo-o.

Muito mais teria a acrescentar pois ficou tanto de tanto por dizer... Desde o papel dos poetas e escritores na sociedade, ao papel da sociedade em relação a eles.

Para não me alongar lembro apenas um episódio acontecido numa escola do Norte onde fui convidado para fazer uma palestra sobre poesia.
Uma aluna acercou-se de mim e cumprimentou. Retribui. Depois disse-me que queria fazer uma pergunta. Escutei-a atentamente:
- Porque é tão raro os poetas visitarem as escolas?
- Porque é raro a educação e o ensino gostarem de poetas e escritores intrometediços...
Rimo-nos porque brinquei.
- Posso dar-lhe um beijo? - Volveu de novo a miúda.
- Sim... Claro. Porquê?
- Porque é tão raro estar na presença de quem vive a vida a sonhar.
Calei-me. Estava tudo dito.
Daqui poderemos retirar o que quisermos.
Fico-me por nada, que é precisamente o que tenho nas mãos, para além da visão de um amor universal que eu próprio não sei definir.

Um grande abraço.
antóniocasado