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Prosas Poéticas : 

A nume do luar

 
A noite tocava a hora do pousio.
As searas dormiam… enroscadas… ora viravam para a direita, ora para esquerda, conforme a brisa lhes dizia.
Os ulmeiros, lá no alto, pareciam dançar ao som do coaxar das rãs, que numa fraga, pareciam namorar ao luar, num riacho que passava ali perto…
Percorri-te a distância de um olhar… as searas, continuavam para lá de ti, pareciam sorrir na maciez do toque, no manso e delicado roçar de corpos, no enlace apaixonado em que se aqueciam… ou talvez, apenas sorrissem o descanso, da espera de um novo dia.
O luar, profanamente ténue, apático, avivava indiferente a capa insípida do teu olhar. Elegias as sombras, olhavas furtiva… àqueles… cujos olhos te fitavam ébrios de desejo, teatralizavas mais os gestos, provocavas mais o andamento do passo, adocicavas as formas, os sinais, e mostravas a nume que existia em ti. O luar ganhava vida, e até mesmo o poente, parecia virar-se no inverso para te observar.
Querias ser as tardes de domingo, o destino do périplo dos sem destino, ocupar o pensamento vazio, querias viver, amar, adormecer, acordar, no empíreo, no profano, querias ser Deus, o diabo, a bênção, o pecado. Querias morrer, ressuscitar, querias ser todos, a todos te dar, querias ser os rios e no mar desaguar, querias repartir, ser mil, em todo o lado querias estar…
E saías vagueando, pelas sombras do luar…

Luís Paulo


Luis Paulo

Queria tanto ser poeta,
Falar do mundo…
Do amor
Porque não da dor?
Do sofrimento?
Da injustiça então…
Enfim, falar do meu sentimento


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Autor
lpaulo
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1803
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