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Poemas : 

Sarcófago rosado

 
Tags:  ocaso    porvir  
 
Epicurista, viu-se, aos vícios, cair
Na plúmbea jusante da ilusão
E deste incerto planar verá fluir,
Desditas certas, olvidadas então.

Porvir, pântano que consome,
Purgantes sirtes a reter-lhe o vôo,
Álgido restará em noite insone,
No hirto coração, triste ressôo.

Ah! Portal rosado dos enganos
Portal que do fim o odor esconde
Cilada aberta ao vacilar humano
Virtudes não havendo que a ronde.

Previsto alude de encostas frias,
Invernal sufrágio dos prazeres findos...
Soturnos, os gonzos das horas tardias
Soaram, ao meio dia, acordes bem vindos.

Prontidão reclama a foz iminente
Ao arrepio duma insana nostalgia
Urge, pois, resgatar o sal inocente
Do saldo de lágrimas salvado da orgia.

Urge reaver cores, valores e crenças
Reciclar destroços em virtuoso vaso
Lacrar o róseo sarcófago das avenças
E apostar com fé no reflorir do ocaso.

 
Autor
Manito
Autor
 
Texto
Data
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1927
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