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Poemas : 

pergunta

 
Pergunto-me se no feitio
está aquilo de que sou feito.
Lá para dentro espreito
vejo, cego, molduras e vazio.

Desse barro sujo desconfio,
janela sem parapeito
em que me deito,
muitas vezes, com frio.

Questão eterna que adio,
talvez até ao último leito,
a resposta nunca aceito,
procuro-a na foz de cada rio.

Pergunto-me se, por atavio,
ou profunda falta de respeito,
é este feitio apenas um jeito,
ou meu navegar, meu navio...




Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

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Por regra não respondo.

 
Autor
Rogério Beça
 
Texto
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 31/03/2019 15:34  Atualizado: 31/03/2019 15:34
 Re: pergunta
.
A autoconsciência como experiência do vazio -- muito mais do que máscaras, somos molduras à espera de um retrato.
A tentativa de aproximação a um mundo hostil -- a janela que procuramos e que dá para um inverno, premonição de morte.
E nós, pobres navios, vagueando, desrespeitando as rotas, à procura...
Abraço fraterno.