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Poemas : 

Amarrados ao umbigo da corona

 
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Ó tempo,
Já não me lembro quanto tempo
Vi mãos lavadas
Como nos tempos d’hoje

Tempo passa,
Lembranças ficam e persistem no tempo,
Mas não me lembro em que tempo
Lavei as mãos tantas vezes ao dia

De mãos lavadas e caras tapadas,
Tempo parece outro tempo;
Já não se dá beijos nem abraços
No corredor da distância

Em agonia está o bom senso,
O trato social está esmorecendo
A cada metro quadrado,
Que dista a ti de mim

Ó tempo,
Quanto tempo terás ainda
Nas curvas do tempo sem tempo,
Que nos amarra ao umbigo da corona?

Adelino Gomes-nhaca


Adelino Gomes

 
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Upanhaca
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Enviado por Tópico
Eureka
Publicado: 22/09/2020 10:57  Atualizado: 22/09/2020 10:57
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Usuário desde: 02/10/2011
Localidade: Lisboa
Mensagens: 4280
 Re: Amarrados ao umbigo da corona P/* Upanhaca
Bom dia Upanhaca,

Indispensável se faz, uma referência a este maldito virus.

Adorei o teu poema, embora o tema me dê voltas ao estômago...
Todas as alterações que foram necessárias introduzir na nossa sociedade para tentar travar a dispersão do virus e, demais alterações que o governo português produziu a nível de disponibilidade de assistência médica e de serviços, vieram deixar, outros que já se encontravam doentes e a tentar se tratar com outras patologias, sem apoio, sem médico, sem futuro, sem esperança...

Eu posso dizê-lo em primeira voz, porque me vi enleada nessas circunstâncias. A minha vida está parada desde o confinamento de dia 15 de Março de 2020 e, não sei como poderei voltar a ter uma vida.

Tantas outras pessoas, como eu, aguardam que o governo e a classe médica se lembrem que para além deste miserável virus, existem pessoas com outras patologias a precisar de tratamento e atenção social.

Desculpa o desabafo... mas onde vamos parar se continuarem a ignorar os outros pacientes?

Um abraço

Eureka