Eu amei um anjo
que me carregava com suas asas,
me guiava pela vida
e no fim me soltava.
Eu não pude jamais culpá-lo;
estava desvairado,
propositalmente culpado,
amarrado nas correntes da mente
com a chave ao lado.
Sem escrúpulos,
sem viés,
eu implorava por isso
e ressuscitava novamente.
Me afoguei lentamente
na poça de sofrimento
de alguém que sequer houve lamentos,
mas que brilha sem ligamentos
com sua auréola adjacente.
eu pude seguir em frente.
Mas com ele em minha mente.
Agora vejo:
ele não era anjo, nem demônio,
era apenas humano
com asas emprestadas
e medo de voar junto.
Aqui jaz alguém que não pode ser metade.