Conquisto. Nunca mendigo migalhas.
Viver, saciar a sede na saliva,
Colher o sal da pele na língua viva,
E ouvir no teu silêncio o mar que espalhas.
Meu desejo é asa: fende e batalha.
Na mulher que prende, morde e cativa;
Na carne, pernas, ventre — fugitiva,
Beijo que morde — foz que me agasalha.
Dorme, fica o corpo, calma enseada
Leito de rio, cais vazio, peito,
És presença: o laço, enlace, espasmo.
Ardo em ti: maré que não foi domada.
Naufrago em ti, neblina — doce estreito,
Renasço em ti: onda, maré, orgasmo.
Souza Cruz