Amar é dar ao outro o vasto sentimento,
descobrir na própria falta a sua doçura,
abrir o coração sem paixão, sem loucura,
Cada momento e encontro novo firmamento.
Mas, na fonte seca, esconde o grande perigo:
confunde fome e sede em incerteza,
converte a própria ternura em estranheza,
faz do vício retrato, da fraqueza abrigo.
Cada qual é refém da própria ilusão,
e quem toma a confusão alheia por bandeira
traz a marca e cicatriz da própria solidão.
Amar é contemplar de frente essa fogueira:
falta que é de todos, a humana condição,
ardendo em cada qual sua luz primeira.
P.S.: "Amar é dar o que não se tem a quem não o quer" (Lacan)
Souza Cruz