Eu canto o tempo afónico de ti,
E canto a lenda e a história crua,
Canto o desencanto em que renasci,
Pelos recantos duma qualquer rua.
Canto a saudade e as dores que sorvi,
Do amor a mágoa que se tatua,
Da beleza e da morte que antevi,
Canto em mil estrofes que me extenua.
Como se do silêncio se ouvisse,
O estrondo do raio que o céu abrisse,
E toda a terra de negro tingisse…
Canto eu a verdade e a sua tolice,
Da juventude ao quebrar da velhice,
Talvez desdizendo em canto o que disse.
17 de Novembro de 2025
Viriato Samora