Sonetos : 

Na tua face onde o vento recita

 
Na tua face onde o vento recita
Pétalas caídas aos pés da saudade,
Olhos que não vêem o sentir que incita,
O amor não ser, caído pela metade.

Na tua face floresce a vaidade,
Na lágrima em que a insídia habita,
Nada mais há que me vença e degrade,
Mas nela desenhei a minha escrita.

É no afastamento que mais pressinto,
Em formas de nuvens misteriosas,
Inflamando-me até ao absurdo ígneo…

Transborda deste soneto sucinto,
Fecundante escória de outras prosas,
Dor que por ventura és o meu desígnio.

25 de Novembro de 2025


Viriato Samora

 
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ViriatoSamora
 
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