Chegaste até mim louca e desabrida,
Em galopes de ventania cruzada,
Em lombos de humana gente estafada,
Vinda do teu ocaso, já morrida.
Mas em tal noite de acaso e cilada,
Em que te encontrei e te quis perdida,
Ali, onde sempre me leva a estrada,
Ou aqui, onde sangra esta ferida…
Quando o pensamento nos toma e leva,
Sem a razão que nos amarre à terra,
Timoneiro és coração do meu barco…
E foste-te de mim num momento de treva,
Sob luzes de Natal, clarões de guerra,
Por nenhum cais me faço ou desembarco.
20 de Novembro de 2025
Viriato Samora