Visitei-te hoje ao fim
do dia. Sorriste. A teu lado,
enumeras
dois defuntos
e uma caixa de chocolates.
Pintaste duas flores e uma jarra.
Esqueceste a morte.
Suspiraste pelos ares do campo,
pelas margaridas partidas,
pelos trevos redondos.
Falaste da enfermeira Eugénia,
que tem uma casa na serra,
um rebanho de ovelhas
e uma colmeia.
O Facebook dela é curioso:
vende mel,
dúzias de ovos
e camisolinhas de croché.
Sinto a tua falta, mãe.
Observo enquanto te afastas,
na cadeira de rodas,
empurrada pela auxiliar.
Esqueceste de dizer
adeus,
até já
ou até logo.
Talvez para ti
eu nunca vá.
Não me lembro da última vez
que te vi inteira, mãe.
Partes
aos poucos.
E eu
contigo.