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Segunda-feira, 26/01/2026 e até quinta 29/01/2026

 
Segunda-feira, 26/01/2026
Dormi como uma pedra, totalmente chapado de vodka e cerveja. Acordei ainda zureta – mas consegui fazer o que tinha programado e aqui estou no Terminal da Praia Grande com o queixo quebrado. Foi uma queda brusca, inesperada, dei uma topada com o dedão do pé esquerdo num desnível na calçada em frente a Casa das Tulhas – Feira da Praia Grande e fui literalmente a lona. Recebi o recurso na Caixa da Praça João Lisboa e vinha todo alegre, sonhando em molhar a garganta com uma boa e gelada cerveja. Mas aconteceu e o sangue tingiu de vermelho a minha barba, obrigando-me a lavar-me no banheiro da feira. Na banca de Dona Loura como de praxe comprei dois livros: “Pela mão do Anjo” a biografia ficcional do diretor de cinema, escritor poeta italiano Píer Paolo Pasolini escrito belamente pelo escritor francês Dominique Fernandez e “Contos de Manhattan” do mestre americano Louis Auchincloss.
Quarta-feira, 28
O dedão do pé esquerdo lateja, desde a topada brutal na segunda. Ainda bem que era cedo e poucos transeuntes.
Comecei a ler os livros que comprei na segunda. “Pela Mão do anjo” de Dominique Fernandez e “Contos de Manhattan” de Auchincloss. Maravilhosos, principalmente a o primeiro a biografia ficcional do grande mestre Píer Paolo Pasolini – diretor de cinema – morte dele nos anos 70 me comoveu muito e escrevi um poema “Prantos para Píer Paolo Pasolini” ao estilo do que Frederico Garcia Lorca fez para o toureiro Ignacio Sancho Mejía. Pasolini trabalhou com Maria Callas e Sophia Loren. No sábado assisti o filme português interessante – “Snu – o amor que mudou Portugal” – a historia do romance do primeiro ministro Sá Carneiro e a dinamarquesa Snu.
Quinta-feira, 29
Eles se foram – primeiro foi o Tio Vince e minutos depois no raiar do dia Tia Fleur. E eu fiquei provisoriamente como o guardião do castelo aqui no Paraiso. Preparei um sanduba e o devorei com leite. O galo cantava no quintal – Serão quatro dias de completo isolamento. Terei que ir a Vila, ou seja, a pensão para apanhar o outro caderno de capa dura amarela e o shampoo que esqueci na pressa de vim ontem a tarde, depois que Mano Vince telefonou-me pedindo meus préstimos.
As seis e meia da manhã fiz o que tinha de fazer, ou seja, retornar a pensão Vince para apanhar as tralhas – além dos pães, trouxe o poeta Caeiro/Pessoa – Agora sim, tomo posse definitivamente de guardião – uma televisão com uma tela enorme, mas sem internet. All right!
Ainda é cedo, oito e dezessete. Levei as verduras, legumes e o feijão cozido para a cozinha. Antes de sair, joguei o milho para o astucioso galo e um pombo empoleirado no muro lateral o observava. Assistindo o migueloso apostolo milagroso Valdemiro Santiago, o líder da Igreja Mundial do Poder de Deus. Chi, esqueci a pomada das frieiras.
09:11 – O almoço pronto – um bom almoço vitaminado -repolho e feijão cozido que tia Fleur fez ontem a noite – um guisadinho de linguiça, repolho e ovos.
10:05 – Um pouco da filosofia oriental do escritor persa Ibn Al-Mukafa em “Calila e Dimna”. Morreu aos 35 anos, queimado aos pedaços no forno de um inimigo.
11:51 – O dedão do pé esquerdo voltou a latejar. Ontem a noite Mano Vince deu-me um comprimido de Infralax. As crianças brincam nas quitinetes do lado e do outro um pedreiro assenta uns tijolos batendo com a colher para fixa-los.
Meio-dia – Encantado com a prosa de Dominique Fernandez encarnando o mestre Pasolini – este livro ganhou o Premio Goncourt, importante premio literário francês.
O dedão arroxeado, acende o sinal de alerta, o medo de gangrenar. Foi assim que amputaram o dedo do comandante Lasierra. Chuvisca sobre o Paraiso. Os bombeiros da Defesa Civil vistoriam os casarões do centro que correm o risco desabarem, assim como a oficina do Sr. Con.
13:03 – A chuva volta, lavei o cabelo e a barba com shampoo e esfreguei-me com a palha. Depois de enxuga-las coloquei nas frieiras um remédio que encontrei sobre a cômoda do quarto que me alojei – um tal de “Colpadok -Nitrato de MIcanazol”.
Tarde – emocionado com a homenagem da Unidos da Tijuca para a grande mestre da nossa amada literatura Carolina Maria de Jesus – sou seu fã, a li uns quarenta anos atrás, comprei o livro icônico “Quarto de Despejo” fiado na banca do Irmão na Avenida Magalhães de Almeida. Perdi ou me furtaram nessas mudanças. Juvan tem um exemplar que o instiguei a comprar.
A merenda das três foi um copo de leite com bolacha. Ainda tem um pouco do almoço pra o jantar. Jogo milho para o galo – é final de tarde. A geladeira com mau cheiro.
18:00 – Hora do Angelus e assisto a missa da basílica histórica de Nossa Senhora Aparecida.
A distribuição da hóstia, levantei para acender a lâmpada da sala de jantar, o interruptor fica dentro do banheiro e segui para cozinha, fechar a porta do quintal, lavei as colheres e o prato voltei.
Ergo-me novamente para acender a lâmpada desta sala de estar e voltei ao banheiro para apagar a luz da sala de jantar, entro no quarto onde me alojei para fechar a janela.
O canto de encerramento e pedimos a benção a mãe Aparecida.
Em Brasília, 19 horas – A Voz do Brasil no Canal Gov.
19:32 – barriga cheia e o cricrilar dos grilos amorosos.
“Mãos Talentosas” a história do neuro cirurgião Bem Carson. O dedão do pé lesionado continua arroxeado, mas sem dor. Um copo de leite e outro sanduba. Uma cirurgia de 22 horas para separar os gêmeos craniópagos feita por uma equipe medica comandada pelo DR. Carson. O velho seriado “O Rei dos ladrões! Com Robert Wagner na Rede Brasil – um enlatado americano dos anos 70.
Mas um sanduba, enchi o litro de agua. Outro seriado e sono bate em minha porta.



 
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efemero25
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