O vermelho do telhado
guarda segredos que o vento não leva,
como se cada telha soubesse
o peso doce de existir.
O céu, azul por hábito,
inclina-se sobre a casa
num gesto antigo de ternura,
como quem diz:
estou aqui!
E as tardes (tuas),
amarelas de promessa,
vestem-se de brisa
para dançar devagar
no quintal dos teus pensamentos.
Há um mundo inteiro
que só acontece
quando você olha.