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O mundo do Co -2020

 
O Mundo do sr. Con
E assim o homem passou manhã todinha vangloriando-se, sem deixar espaço para o sr. Con fazer sua leitura.
- Esse cara é bom, seu. Bom de mulher, bom de porrada e o melhor de todos bom de copo, isso eu sei – ironizou Seu Valdecir.
Quase senhor Constantino caia em desgraça alcoolica, Decolino trouxe para Blindowski uma garrafinha de uma cachaça especial cor de querosene e um odor adocicado de jenipapo. Quando Sr. Com a cheirou, as papilas degustativas salivaram, enchendo a boca de agua e veio uma vontade insana de tomar apenas ‘uma dose’ – por duas vezes fora tentado, mas seu Valdecir o aconselhou a não faze-lo. Ouviu a voz, se não agora estaria por ai vacilando pelas ruelas do mercado e na Praça do Bacurizeiro, jogando abuso fora.
Fechou o atelier, o branquinho pagou a churrasqueira e com uma verbinha no bolso aleluia rumou para o Val e comprou um kilo de açúcar e rumou para seu aconchego, entregando finalmente a sua panaceia literária


O sábio Blindowski afirmou categoricamente que o intestino humano tem 18 metros – santa ignorância -Sr. Con mostrou-lhe o o livro de biologia e do sistema digestório – 9 metros ao todo e o intestino 6m – não o convenceu depois de bebericar na boca do litro uma dosita completou com o ar de um velho sábio corrigindo seu discípulo:
- Esse livro tá errado, eles se engaram. É dezoito mestre, mestre tenho certeza.
Sr Con para evitar calou-se. O álcool estava comendo a mente de Blindowski – concluiu silenciosamente.
Cinquenta mil quilômetros por horas a nave New Horizon da Nasa viajou dez anos no espaço até Plutão, a ultima fronteira do nosso sistema solar e a 13 mil quilômetros de distancia fotografou-o, enviando fotos que encantou os astrônomos. Segundo um dos cientistas, nos anos 60, a Apollo 11 levou três dias para alcançar a lua, com esse mesmo foguete faria em nove horas. Quando comentou esse assunto com o cético Little Fat, ele lançou um olhar de incredulidade que deixou-o perplexo:
- Isso é mentira dos americanos – disse laconicamente – Eu não acredito nisso, se aqui do interior tem dificuldade de se comunicar imagina a milhões e milhões de quilômetros- balançou a cabeça negativamente; - eu sou como Tomé, só acredito vendo – e saiu.
Aleluia! Aleluia! Tank you very Much, my good God! – agradeceu depois que rece pagamento de Nhá Pu pela encomenda vinte reais. Fazia semanas que não via uma dessas e nem das outras.
O pastor passou alegre e satisfeito, Blindowski compareceu ao culto e renasceu das cinzas como Irmão Nini, prometeu dar um tempo na birita, os irmãos receberam-no de braços abertos e entoaram hosanas as alturas.
Ontem completou uma semana limpo, sem álcool, mas no dia anterior quase o nosso amado Constantino escorregava ao cheirar uma cachaça especial com odor de jenipapo que o inimigo presenteou até então Blindowski – por pouco muito pouco mesmo, quem o salvou foi um pixixitinho parceiro que olhou dentro de seus olhos e lhe disse: não beba!
Parece que a critica e os leitores de Rowlings não gostaram muito do seu livro “Morte Súbita” – Sr. Com gostou e virou fã e talvez até leia a saga de Harry Potter – é uma excelente escritora. Hesitava entre Nevil Shutes e D.H. Lawrence ou talvez outro escolheria depois....


Uma tentativa em vã de soldar um eixo numa calha do pneu de um carro de mão – a peça muita fina e a amperagem alta não se coadunam, obrigara Sr. Con a envergar a sujíssima e fedorenta farde de trabalho. O cliente convencido levou para outra oficina.
Enquanto esperava seu Costa o barbeiro do lado, Seu Riba abancou-se na cadeira de plástico, com a bengala improvisada num cano, é um palrador de mão cheia, contador de estórias e um grande mitômano assemelhando-se ao notório General Ivolguin, celebre personagem de “O Idiota” do venerável mestre russo Dostoievski. Desfiou o seu rosário de lorotas e Constantino ouvia-o com prazer- pura conversa sem pé e nem cabeça, invencionice de uma cabeça criativa – o atelier do sr Com parece que tinha um imã para atrair esses senhores – o caso de Blindowski e até recentemente um desconhecido que por força queria comprar o torno ancestral e disparou a contar vantagens que Blindowski ficou sem espaço e bateu em retirada. Mas de meia hora até a chegada de seu Costa, então finalmente sr. Con pode desfrutar de uma boa leitura, “Salto para o futuro” do escritor inglês Nevil Shute – vinha postergando-o, trocando-o por outros livros. Sr. Con é um leitor inconstante, as vezes estar lendo um livro e de repente dar na telha de troca-lo por outro e mais outro, quando dar conta tem uma trilha de livros inacabados para ler.
- Cadê a cachaça, professor? – perguntou seu Lico jogando-se na cadeira, antes ocupada por seu Riba, o mitômano e o encarou com seu olhos de ébrio e amanhecido: - O senhor é poeta mesmo?
Sr. Con viajava na poesia de seu conterrâneo Nauro Machado:
“O silencio é a palavra
Para a paz das coisas
E como o principio
De tudo, não sendo.”
Fechou a ‘Antologia Poetica” e pousou sobre a mesinha improvisada atulhada de dicionários e olhou-o:
- Sou, sou sim – disse convictamente.
- Poxa que bacana, professor. Eu não gosto de ler e nem de escrever, mas admiro muito o senhor. Toda vez que passo aqui o senhor está lendo ou escrevendo, acho bacana.
Não havia ociosidade mental para sr. Con sempre lendo, buscando novos horizontes, debruçava-se sobre um livro como os urubus tibetanos sobre os cadáveres, bicando-o cada palavra para depois regurgita-la em escrita. Mudou de roupa, cobriu o transformador de solda e improvisou um conserto na telha Brasilit quebrada pelos gatos brigando.
- Vai pra lá enviado de satanás – gritou alguém injuriado na entrada da rua 23

 
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efemero25
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