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O mundo do sr. Con - 12/05/26

 
Terça-feira, 12
No mirante dos açorianos, ao lado do terminal rodoviário da Praia Grande, contemplando embevecido a fauna – as garças brancas pontilhando sobre a lama, mariscando com outras aves (Pena que o poeta não é ornitólogo para conhecer melhor as aves) – a mare seca e o forte odor de ar salgado – relembrando o peta sua infância, andando com a mãe na orla da pequenina praia do Desterro no final dos anos 60, por ordem medica, aos oito anos problemas nos pulmões. A faina dos pardalzinhos para alimentarem seus filhotes, nos ninhos camuflados entre as folhas dos galhos de uma jovem arvores que desconhece o nome. As formiguinhas ligeirinhas em filas indianas e as folhas mortas – As duas chaminés remanescente da antiga Ullen – concesonaria da eletricidade, dos bondes elétricos e da agua e esgoto no começo do século passado – onde um dos Kenedy fora assassinado por um funcionário revoltado com sua sumaria demissão – uma elegante rolinha solitária e saltitante bebe agua numa pequena poça bem na minha frente – os pios dos famintos filhotes – o barulho da urbe alheia a vida que pulsa nesse microcosmo. Um funcionário a espera da aposentadoria, sem presa para bater o ponto, caminha na paz de seu espirito a espera da redenção final. A fila em frente a Clinica estatal odontológica – Sorria – bem que o poeta precisa consertar a sua dentadura banguela.
Uma caminhada leve, urinando no banheiro do Terminal Marítimo e enfim a inclinada praça do almirante – o viaduto e o imponente Palacio dos Leões. Uma dodidinha descalça, fala sozinha esculhambando alguém. O apito e o badalo do sino na Capitania dos Portos anunciando o hasteamento da bandeira nacional. Uma ambulância e sua típica sirene. Oito horas e nenhum navio entrando ou saindo da barra do Itaqui. O trinado solitário de um bem-te-vi. Jane Austen e seus dramas de sua época no século XVIII – O centro antigo, um verdadeiro canteiro de obras – reformas e mais reformas – a do prédio da antiga receita estadual no cais, a da catedral, o palácio do comercio (antigo Hotel central) e da igreja São João financiado pelo PAC de Papai Lula.
Na praça do panteon em frente a biblioteca Benedito Leite na Deodoro, o poeta fez uma reverencia aos bustos do poeta Ferreira Gullar e a do escritor Aluízio Azevedo – seus mestres incontestes. Na biblioteca como sempre o sistema estava fora do ar – um grupo barulhento de pixitinhos escolares em visita – enquanto esperava lia “Mito em chama” do seu conterrâneo Jose Louzeiro, autor do icônico “Lucio Flavio, o passageiro da agonia” – no final dos anos 70 – o poeta comprou pelo reembolso postal, assim como “Aracelli, meu amor” e “A infância dos Mortos” que serviu de roteiro para o premiado filme “Pixote, alei do mais fraco” do argentino Hector Babenco – o poeta o encontrou pessoalmente numa das feiras do livro de São Luis, na cadeira de roda – apertou suas mãos e o incensou com elogios sinceros. Infelizmente não pode trazer o livro e então optou pela biografia da escrava do norte Séjourné Thruth e renovou Austen e Llosa para entrega-los no dia 20.

 
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efemero25
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