
Que se Faça a Luz
A noite nos traz a consciência e um vazio,
e também a indeterminação de uma realidade;
a existência vaga, solitária, num abismo frio,
e o amor embrutece em cada esquina da cidade.
A alienação emocional que este mundo produziu
ferve nos olhares empobrecidos, em cada cavidade,
expondo o declínio dos seres, de fio a pavio,
num palco que explode e colapsa nossa identidade.
O tempo destruiu nossa ingenuidade juvenil;
ele feriu os peitos da nossa castidade.
Desesperador, este passado que me fugiu,
trazendo a trágica existência desta verdade.
Voamos sobre águas putrefatas, que causam arrepios,
nossos corpos retorcidos por tantas e tantas eras;
pois a mesma força que nos trouxe à luz
nos enviou para as profundezas das nossas trevas.
Alexandre Montalvan
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