A maior homenagem ao vazio,
as loas, os aplausos, a festa,
é que sem ti, nada vale ou presta
e todo quente se converte em frio.
Palpo um ar irrespirável e pio,
o chão é árido, nada gesta,
é que, sem ti, a miséria é esta,
nada nada no mar nem no rio.
O pouco se cria no abundante
que procuro, como louco, em vão
sem ti, uma mão cheia de nada.
Tudo pára, preso neste instante,
nada existe além desta solidão,
sem ti, acaba-se a minha estrada.
Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.
Eugénio de Andrade
Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.