causou-me tamanha estranheza,
quando senti em meus ouvidos o som da porta rebentar…
meus olhos, teimosos, continuavam a observar a luz cambaleante do abajur,
(que com atrevimento sussurrava, olhando por dentro de mim, desafiadoramente,
alegando que seria a partir daquele instante que eu começaria a acostumar-me com o silêncio, com o vazio e com a frieza…)
foi um adeus estanho: sem tentativas,
sem palavras soltas aos borbotões, sem um único gesto de complacência…
...apenas foi...
o que crescia dentro de mim não era a raiva, tampouco a mágoa ou um ciúme tardio…
era uma incredulidade de não saber o que fazer com a maldita porta que teimava em fechar a cada milímetro de segundo...(e eu mal podia tocá-la para impedir seu movimento...)
mal tínhamos combinado do que seria do futuro – ele nem chegou a chegar…
ficou em mim, tatuado em forma de dragão,
desde o gosto amargo da não explicação,
até a lágrima que, até hoje, ficou suspensa no canto dos olhos..
...nunca rolou pelo meu rosto...
os finais deveriam ser mais fáceis,
sem portas se fechando,
sem feridas expostas,
sem sonhos inacabados,
sem abajures impertinentes...
os finais nunca deveriam existir...jamais…..
porque foi dentro de um deles, que o teu abandono,
...deixou-me definitivamente Só...