Poemas : 

Azul-silêncio

 


Naquele tempo
prevalecia uma voz
rouca

e uns olhos
azuis‑relâmpago

que atravessavam a sala
como quem rasga
um véu antigo

a deixarem no ar
um cheiro a chuva
e promessas
que ninguém ousava nomear.



As palavras vinham
lentas
carregadas de uma fadiga indecisa
e de um lume secreto

uma verdade
a tremer
para nascer.


E eu
sentada à beira
do silêncio

aprendia a escutar
o que não se dizia

como quem recolhe
migalhas de luz
num chão
que desaprendeu o sol.



Havia noites
em que a voz falhava.



Mas os olhos
[ azuis-relâmpago ]
continuavam a incendiar
o escuro

como se soubessem
que a memória
é feita de clarões breves
e não de eternidades.








 
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idália
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