Passa de negro junto ao The Bold Octopus,
num fremir de negro, no ar o olor
a coroa fúnebre (jasmim, talvez violeta?),
todo o verão no frufru dócil
das pernas a roçarem uma na outra.
A lagoa para de respirar no rumor das guelras
sob a água, e os caranguejos suspendem
a marcha oblíqua entre o funcho
e as figueiras bravas, falsamente morrentes.
Ou talvez a metáfora se aproveite do verão,
como sempre fazem as coisas mais belas.
Um exagero estival, afinal,
daqueles que acontecem quando a mente relaxa
e inventa coisas que nunca existiram,
para preencher a ausência do ruído habitual
da cidade, das fábricas, das lojas
e das brincadeiras das crianças.
Imagino que se chama Catarina,
ou Catherine,
e vejo-a a abrir a boca para me dizer o nome:
Ca-ta-ri-na.
Ou Cath-ri-ne,
consoante a língua da fantasia,
e que venha de uma cidade interior
de geografia incerta,
espécie de pomba
numa delirante rota migratória.
Leva num saquinho
A Summer That Forgot Itself,
obra esquecida de Mark Twain,
e um outro livro
de Federico Arens,
escritor argentino,
desconhecido fora dos circuitos especializados,
que gastou sete romances a tentar entender
por que razão os homens não abandonam
a geografia interior em que nasceram.
Em cada um desses romances
passa uma mulher vestida de negro,
cheirando a jasmim, talvez violeta.
O último,
precisamente o que vai no saquinho,
Estoy aquí, pero no por mucho tiempo,
relata a vida de um apicultor
que morre infetado pela mordida
de um cão chamado Funeral,
e não passa de um equívoco
em forma de livro.
Ainda assim,
terá ganho o prémio literário
de uma cidade interior
de geografia incerta.
E ela passa de negro
junto ao The Bold Octopus,
deixando atrás de si
o olor de um verão fúnebre,
uma lagoa desrumorada.
Talvez lhe chame Cat,
para não errar.