Olavo de Carvalho dizia que a verdadeira consciência moral nasce no diálogo, não só com os vivos, mas também com os mortos ilustres que permanecem como autoridades no espírito humano. É a isso que ele chamava Assembleia de Vozes: um conselho imaginário formado por figuras que, pela sua inteligência, virtude e sensibilidade, você decide adotar como juízes permanentes das suas ações.
Essa assembleia funciona como um tribunal da alma. Não se trata de agradar a plateia de hoje, mas de submeter cada decisão a um colégio de juízes que já habitam a eternidade. Nenhuma desculpa de circunstâncias convence esses juízes; seu padrão é absoluto.
Na minha poesia, esse tribunal é composto por Bandeira, Borges, Gerardo e Cecília. Cada verso que escrevo passa pelo seu crivo silencioso. Pergunto-me: “Isto teria valor aos olhos deles?” Se a resposta é não, o poema não se salva. É assim que meço o meu trabalho e abaixo dessa régua não aceito descer.
Essa prática é, ao mesmo tempo, exercício de humildade e de liberdade. Humildade porque reconhece que há quem seja maior do que nós. Liberdade porque nos livra do julgamento efêmero do mundo e nos ancora naquilo que é permanente.