No princípio, o silêncio e o barro,
Deus moldou o homem com as próprias mãos.
Deu-lhe o sopro, a vida, o fôlego.
E chamou-lhe o nome de Adão.
Mas no Éden perfeito, faltava um calor,
Uma alma gêmea, um doce encanto.
Deus fez o sono cobrir com amor,
E da costela brotou o seu espanto.
Quando Adão abriu os olhos e a viu,
A beleza do mundo em versos sorriu:
"Eis aqui o osso dos meus ossos", clama,
"A carne da minha carne que amo e que chama." Mulher
Nascia ali a primeira poesia,
Em formato de carne, afeto e magia.
Até a lua no céu se escondeu de inveja,
Diante da luz que aquele amor trazia.
Mas a serpente, na sombra a espreitar,
Viu tanta paz e quis perturbar.
Roendo de ciúmes de tanta harmonia,
Tramou a astúcia pra apagar a alegria.
E sussurrou veneno na mente da flor,
Tentando quebrar o elo do Criador.
Mas o que Deus uniu com tanto desvelo,
tornou-se a raiz de um quase eterno enredo
Que triste uma mordida na fruta,
depois oferecida ao homem pois tudo a perder.
Que pena que o fruto da doce harmonia
cedeu ao encanto daquela ousadia
( Poesia raiz)