Poemas, frases e mensagens de Verde

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Verde

Oh Mulher!

 
Oh Mulher!

Sois dos meus olhos o pranto,
De vos ter por tão pouco…
Vós, moldada, toldada e em canto,
Oirada em asas d’ um amor rouco,
Na voz d’ um trovador louco,
Incompleto, qual desejo e encanto.

Oh Mulher!

Vós, por elfos, serafins e sereias,
Serenada debaixo da lua,
À luz do sol, imaginada nua.
Amada a vossa imagem crua,
Por nós coitados regateias,
E mais clamais sem medidas meias.

Oh Mulher!

Qual embuste ou ratoeira,
Apregoais-me sem dó nem piedade.
Que mais quereis no vossa beira,
O meu amor sem idade?
Já o tereis e outros! Numa irmandade,
Desnudados no escaparate, a vossa feira!

O Verde - 2010
 
Oh Mulher!

Suspiro; e Curto...

 
Espaço-me vazio, ao desdém de aquém,
Um pensar liquefeito, discorrido ao além…
Além mais do que… quero d’ alguém,
Um paladar amargo, tragado, d’ outrem.

Encurto, recorto tempo, espaço passadas,
E os libertos, aios suspiros, vagados,
Decaídos lentamente, sobre calçadas,
Vão perdidos… são lembrares amassados,
São demónios encolhidos, são bruxas caladas.
São amores passados, são olhares calcados.

E lá vão vagados… Os passares, do meu viver.

O Verde - 2010
 
Suspiro; e Curto...

Morre Poema

 
Fui reminiscência,
P' los pensantes pulmões, soprado!
De mim qual ausência?
Grão d' areia ao sol, amarrado!
Uivos e silvos, berros e gritos,
De poetas Agastado,
Sopros e lamentos, ah… Gigantes!
Quais falantes olhares, queimantes!

Cala… Cala… Cala…

(Cala-se o poeta, descai os braços, caídos e alinhados ao seu dorso. Expressiva eloquente, projectado p’ los seus olhos, um assolo de raiva e tristeza! Em silêncio… e corpo imóvel, inanimado. Sem qualquer força deixa cair os manuscritos ao seu lado… apanhando-os após um breve silêncio.)

Rascunhos fecundados,
Vazios lamentados!
Um lembrar de nada…
E…! Palavra amamentada,
Em punhos de poeta!
Uma voz que fala… E GRITA!
A arte matada!

O tempo passado...
Matado!

(O poeta desanima, inquieto e amedrontado, lança sobre nada um vago olhar, ao vazio. Num gesto de desistência, vencido, lança as folhas sobre os ombros, para trás das costas e baixa a cabeça, transpondo-nos dentro da própria tristeza. De olhar cabisbaixo, coloca as mãos atrás das costas, as mãos dadas. Rodopia! Em pequenos círculos, de inicio languidamente e acelerando à medida que recomeça a declamar. Inicia a declamação em sussurro, aumentando gradualmente o timbre para um sentimento mais possante.)

Já fui flor da criança,
E na mão dela um sorriso em pétalas,
Um beijo dado, p’ la boca da criança,
E à mãe, ofertado um par de lágrimas,
Um amo-te em gesto de dança,
Um olá na boca beijado,
Um aperto em abraços…
Lá perdido… lá deixado.

Quietude…

(Um momento imobilizado, uma quietude estagnada, um pensar petrificado.)

Sou agora, poema em pedra,
Sopro enrolado em árida terra,
Vago de memórias, de quem erra,
Gestos antecipados, de quem era,
Alem, no caminho que espera,
Alguém que passa e tropeça,
Alguém que fale, que me lembre,
A voz de quem lê, o olhar de quem sente,
E mente…

(Abre os braços, com o corpo imóvel, erecto, voltando para cima as palmas das mãos, olhando ao cimo, o poeta liberta um sorriso gargalhado.
Rodopiando aleatoriamente e sem qualquer coerência, o poeta geme.)

Liberto espaço,
Lugar a um novo poema…

(O poeta quedado, ajoelhado…)

O Verde - 2010
 
Morre Poema

Queixume

 
Tenho cá dentro,
Um grito mudo,
Uma voz que cala,
E tornara-me surdo.

Tenho cá dentro,
Um lamento falado,
Um pensar que dói,
E tornara-me caído.

Tenho cá dentro,
Uma dor amarga,
Uma sombra fria,
Que afaga…
E entorpece!

Tenho cá dentro,
Um suspiro retido,
Um doado ceder,
Repetido,
Silenciado…
E que mata!

O Verde - 2010
 
Queixume

Até que a Morte nos Junte

 
Amo-te!

Amor que foste, vivido,
Ainda em vida sorvido,
Cobarde e combalido.
E deixaste-me…
Nas noites, alado,
O teu sentir,
O teu ser a meu lado,
O vazio enregelado,
Das noites o teu ir,
De quem não é mais,
Um ser de entre ais.

Amei-te!

Amar-te-ei! Sempre…

O Verde - 2010
 
Até que a Morte nos Junte

A mais Formosa

 
Qual Vislumbre, ofertais e cegais?
Da sua graça, do rir e do seu puro ar.
Quão sois? E em pranto rogais,
A mais bela, do vento a “formosar”.

Oh! Mulher… Que me saudais,
Por passado e ausência ofertada,
As noites gélidas onde não estais,
Onde eu, sem da graça imaginada!

Vinde amor, vinde ao meu encalço,
Deitai na minha cama, a sua graça.
Vinde amor, vinde ao meu encalço,
Derramai no meu peito, a sua alça.

O Verde - 2010
 
A mais Formosa

Mãe

 
Mãe…
Quero mostrar-te mais,
Uma palavra retribuída,
Uma voz diluída.
(choro)
Retornar ao teu peito e ser apertado,
Cheirar o teu sorriso acanhado,
E não ter medo do mundo.
Um menino crescido,
Quero chorar na tua mão.
No teu regaço amadurecido,
Deitar-me…
E mostrar-te como és mãe…

Quero dedicar-te um poema,
Uma palavra, dilema ou teima,
Que te veleje,
Dentro de mim a gratidão que te tenho,
E sem descolar os lábios,
Ouças-me do amor que te tenho.

Quero mostrar-te onde fui,
Na saudade apertada,
Quando um sol capturei,
E na frente do peito preguei-o,
Para sentir-me mais perto,
Do teu calor e abraço que é rei.

Quando roubei a lua, ah a lua…
E guardei-a no bolso,
Agrilhoada num cordão,
D’ inocência crua.
E no escuro da solidão,
Gélida e fria, noite nua,
Levemente espreita-la,
E lembrar-me de como és bela.

Quando convidei o mar
Mesurado impetuoso,
A serenar junto de mim,
Em luar majestoso,
E recordar a tua voz,
Embalar…
Melodizar-te nas ondas,
E serenar-te a mil nós,
Desenhar-te cantando,
Sobre o mar a tua voz.

E quando… Tolo!
Com a primavera namorei,
Á luz de velas e candeio.
E sem tormenta ou dolo,
Por mais um momento,
Mesmo que devaneio,
Pude sentir o teu cheiro,
Adormecer no teu colo,
E sonhar... "Mãe"

(Em todas estas palavras, existe apenas um poema, numa só palavra que nada consegue igualar: “Mãe”.)

O Verde - 2010
 
Mãe

Rascunho

 
Onde vais tu? Efémero pensar,
Discorres de mim, espaças-me,
És vadio! Um breve passar,
És ávido, sequioso por mais…

Atormentas-me!

Pára! Devolve-me a sede, a fome,
E rejeita-me, vaga-me de ti, sossega,
Dispersa e falece no meu rascunho,
Morre…
E cessa no meu punho.

O Verde - 2010
 
Rascunho

Primeira Chuva

 
No chão sentada…
E chove!
Olha como salpica, no colo ensopado,
Olha como ventam as folhas, caídas,
P’ lo vento levadas, combalidas,
Olha como passa, o tempo soprado.

Brinca… no chão encharcado,
Descalça? E sem casaco,
Sem amparo, sem achado,
Só… E sem mão, sem caco!

Menina corre…
Olha como saltita, rodopia,
Brinca, faz de conta que é,
Rainha do tempo.

São no colo, de cacos e trapos,
São castelos e são fadas, são farrapos!
São de amores um conto,
São perdidos,
Da menina e coibidos.

O Verde - 2010
 
Primeira Chuva