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Poemas, frases e mensagens de ClarissaDias

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de ClarissaDias

Alguma prosa subjetiva

 
Que primavera é essa oh meu Deus! Dores, de cabeça, de existência, de amor... Gostos, doces, amargos, e sem graça. À espera da luz no fim do que mesmo? A sombra sempre foi acolhedora, pra quem não havia descoberto a beleza dos atos, fatos e sentidos. Essa dualidade de sentimentos e sensações; amor-raiva, cansaço-euforia, desapego-esperança, vai nos arrastando pra um lugar comum em que a única certeza é estar-se deslocado. Mas tentamos. Deslocamo-nos. Pra onde mesmo? Eu, particularmente, e por incrível que pareça, em direção à verdade de tudo isso. Em direção daquilo que ainda me encanta, mas que assombra. Memórias que aparecem a todo instante e pedem abrigo na minha mente. Enquanto dou alguns passos à frente, outros pra trás, vou me envolvendo e tentando me desvencilhar. É tudo tão contraditório!
Imagino chegar o dia em que haja só tranquilidade. E temo esse dia! Minhas inquetações estarão sanadas. E eu nem quero isso. Quero viver em poesia, por favor. Quero que as coisas deem certo, e que sejam intensas. Tranquilidade e nada não me resolvem. Enquanto esses tempos vão passando, lá estou, esperando a banda passar, com um coração corroído por aquele “tu” ausente do meu lado.
 
Alguma prosa subjetiva

(Poder) Até não mais.

 
Toma um frasco, uma caixa, uma seringa, uma etiqueta, uma lembrança, um cheiro, uma forma, um preço.Eis a felicidade. Felicidade?

(Venho puro e ileso.
Mas és tão sedutor!
Qual o preço?)
Tua mente, traga-a; tua vida, agora, arrebatada.
Há uma regra: não pode haver humanidade.
Ficarás duro, não sentirás dor.
Nem remorso, temor.
Ficarás pleno, euforia atravessando o espírito.
Pleno até arrebentar. Pois não poderás sair desta forma simplória.
Homem, ou máquina de consumo, não haverá diferença.
A criança chorará de fome, a mulher sofrerá dores piores que a do parto.
Não chegarão as lamúrias a te afetar.
Que esperas?
É a tua tão sonhada glória.
Coloque o preço sobre os outros, ludribrie-se pelas luzes, pelo aroma do prazer.
Tudo ao teu redor, compráras, conquistarás, terás.
E tua vida?
Perderá a última partícula humana, que dói, que tem piedade. Que ama.
Glória!
 
(Poder) Até não mais.

A ordem dos fatores não altera o produto

 
Pra que todo esse dilaceramento? Feito gelo e fogo. Não, isso não é uma crônica, tampouco seja alguma coisa. É um amontoado de letras, sílabas, palavras, sendo extraídas daquele lugar em que os tempos andam difíceis. Embora tu te ocupes dessas tantas e corriqueiras atividades do dia a dia ou consuma afoito algum tipo de arte, pra tentar suprir e escapar de ti mesmo, há situações pesadas ou inertes.
...
Ouve! Coração cansado demais pra ser sentato. Há muito mal-entendido, e foi-se o tempo de querer explicar. Tu deve cuidar-te sempre e da tua consciência. Isso não é tudo, porque veja bem: tu até tenta... Sabe o que está faltando e o que precisa. E que tudo está perdido, mas que nem sempre.
...
Então tu vai sentar à sombra, quase à tardinha, e te lembrar da vida. E tu descobre que esse vento morno, talvez seja capaz de levar tudo embora (quisera eu!). Tu és um peregrino, e na verdade, tu está sempre meio sozinho na estrada. Mas tu ainda corre o risco, porque tu gosta, sabe como é. Uma boa dose de solidão e quietude viva. Ver o nascer de cada dia e ouvir cada elemento que ta lá, na estrada, pulsando. Cada beleza discreta, e também verdades cruas.
...
Já nem sei mais o que sou
Se existo
O que existe?
Se tu existe
Eu sou?
Se sou o nada
Tu é também
Logo, tudo é nada
Então há uma ordem natural
Não se assuste
Se o tudo virar nada
Mas
A gente tem essa mania
De querer nadar contra a corrente
Ou contra o nada
Que é tudo.
 
A ordem dos fatores não altera o produto

Cho(ver)*

 
Menino Roberto, deve ter uns sete anos. Ninguém realmente sabe como conhecê-lo, singularmente especial, talvez um desses personagens estranhos. Na casa em que morava, poderiam haver todas as dores e em Roberto, havia fantasia pouco explorada. Ele via, sabia, o que estava por vir, de algum modo. A inocência presenciando aventuras, povos amedrontados, catástrofes, vozes, gritos, sentimentos e a grande chuva, que ele se perguntava se poderia destruir seu lar. O pai, tão perto, tão distante, afeto afetado, qual a chance deles? Criança, criança, pequenez que necessita de um abrigo para crescer. Brilhantes olhos azuis, veja o que pode fazer a si mesmo, no ínicio da vida ainda. As cenas de sua mente, parecem tão reais, como se Roberto fosse o herói (ou a vítima?) de tramas épicas. A casa, a família, agora são o mundo. O que o menino vai levar, se houver salvação? A chuva intensa, realmente devastará? Roberto abraça o pai, traz-lhe o jornal, senta-se alegre ao lado dele. Eles têm apenas um ao outro, a distância deve diminuir, pr'o coração se acalmar. Enquanto Roberto viaja solitário, mundo afora, dentro de si mesmo, tenta dar algum sentido diferente ao tempo calmo que resta, pois, em seu íntimo, algo amedronta inicialmente, mas talvez haja um recomeço, depois que a forte chuva cair.

*Inspirado em "A Hard Rain's a Gonna Fall", de Bob Dylan.
 
Cho(ver)*

Somos tão jovens

 
Somos tão jovens e temos uma energia imensa. Nossas ideias, loucuras, utopias, manias e atitudes caracterizam a geração. E haveremos de continuá-la.
Somos tão jovens e morremos. Morremos de amor, morremos de tédio, morremos raiva... Sentimentos aflorados, cabeça despreparada.
Somos tão jovens vivendo e lutando. Vivemos e lutamos, principalmente quando tentamos definir nossas bases. Aquilo tudo que queremos levar pro resto de nossos dias.
Somos tão jovens e as efemeridades também nos consomem.
Somos tão jovens e tão medíocres que escapamos num boêmio estilo de vida. Prendemo-nos numa realidade sem perspectiva. Pensamos sermos deuses fazendo uso de drogas, estarmos acima do bem e mal, por nossas ideias errôneas e pretensiosas. Falsos poetas à caminho da destruição. Só à espera da próxima festa.
Somos tão jovens que ainda acreditamos em deixar uma marca nossa no mundo. Acreditamos no amor. Acreditamos na paz. Acreditamos na igualdade. Acreditamos na justiça. Acreditamos que tudo de benéfico que podemos fazer a outro ser, é o que realmente faz sentido. E se não for isso, o que será então? Percorrendo uma estrada ora tortuosa, ora prazerosa, deixando pequenos fragmentos de luz que saem de nossos corações tão jovens.
 
Somos tão jovens

Homem de lugar nenhum

 
Tenho um nome notável, mesmo assim sou ninguém, como todo mundo. Minha história uma estória falha. Vou contar dos meus nós. Como esse na minha garganta há algumas horas, até mesmo enquanto caminho impassível pela cidade. Faz um bom tempo que costumo andar solitário, no início foi grande passo para "a fuga", mas agora não faz mais sentido, é vazio, talvez eu seja também. Não importa se sou velho ou jovem, aquilo que se sente e é bem nosso, se dá na mesma intensidade, independe da estrada. Saturado de lutar contra o mundo, comecei a lutar contra mim. Descobri que, inevitavelmente, eu sou este lugar, eu sou algumas pessoas, e me perco de mim tantas e tantas vezes que... Aqui sou, nem sei bem se estou, e observo quem vem e quem vai. Dia desses conheci um tipo comum e amigável à primeira vista, porém, seu prazer máximo é contar com muitos admiradores, e nada tem a oferecer verdadeiramente à alguém. E me perguntei: é feliz? Com essa publicidade falsa que faz dele mesmo, o que ganha, com efusividade enfadonha, sorrisos afetados? Só consegue estender a mão ao seu próprio reflexo nada belo no espelho. Continuo por eu mesmo, por enquanto... O vazio crescente me acompanha. Já tentei preenchê-lo, assim como muitos homens. Usei da arte, da cultura, do dinheiro, do amor, enfim, do modelo que felicidade que nos é proposto. Ou seria imposto? Hoje não vou cantar ao amor, ele me deixou o nó maior de todos, só amanhã, quem sabe. Ah, bons tempos aqueles de esperança, mas a minha foi apunhalada. Talvez ela ainda exista, uma esperança não desesperada, e sim mutilada e ignorante, que me move sem precisar a direção. E será? Haverá algo que me tire das andanças desenfreadas, que desamarre os nós, diminua o nada, encontre a mim, vivifique a estrada? O que será?
 
Homem de lugar nenhum

Samba no escuro.

 
A moça que vai passando aqui na rua, procura, revira, revive e embaralha história, colecionando incidentes que nem dela são. O curto segundo em que ela se olha na minha janela, damo-nos conta uma da outra. No reflexo dos olhos da moça, faz-se perceber os meus, e tenho agora o vidro refletindo a paisagem habitual, o nada, ou eu.
O mormaço define o humor das coisas. A vida reinventando-se ali fora e em mim. Ou talvez seja uma eterna repetição de algumas já esquecidas verdades. Porque, no fundo, a gente sempre sabe o que é real, por mais absurdo que possa parecer. Então eu tenho de ter coragem, porque o jogo está ficando mais perigoso a cada rodada, não há tempo para mesmos erros, mesmas frustações. Desolação aquela já conhecida, ainda que hajam muitas mudanças, as coisas que não evoluíram, e sim sofreram revés, ah, isso tudo atordoa, corta, descompassa a hora do anoitecer, ri friamente da minha fraqueza. Por que, nesse mundo, é tão difícil fazer com que aquilo se deseja, mais cria, mais se sente, seja fidedigno à nós, depois de tanta água rolada em vão? Das tantas lutas e buscas, indo cada vez mais fundo do beco negro, até quando? ATÉ QUANDO?
Então agora a menina bate na porta dos fundos, e com uma sensação de conforto, vou abrir, rever minha amiga. Nas nossas tão simples palavras, indagando, meio que muda, a ela (ou quem sabe a mim) onde está nossa felicidade?
 
Samba no escuro.

Das coisas que se aprende

 
Tirarei o que desatina do meu peito. Já atravessei o caminho íngreme, bati em centenas de portas, mas não há ninguém lá. Por que continuar a seguir, então? Vou pegar a auto-estrada, trocando a mágoa por alegria. Porque agora, de onde estou, vi tudo que antes me foi impossibilitado. Iludiram-me, tiraram meu riso, isso dói, mas vejo que não me cabe a dor. Não mais. Aos ventos calmos vou indo. As noites abafadas, também podem trazer um doce frescor às consciências tranquilas. Por favor, todos os poetas, profetas, artistas de viver, exultem sempre ao amor. Amor com nome, com ideia, utopia, qualquer um e todos eles. E, quando os tempos estiverem difíceis, amor com silêncio, às vezes basta. A mim mesma, amor honesto. Posso juntar o que restou de limpo e então.

Lá se foram os dias perdidos; ainda há os dias perdidos. E tu que sempre estava a me secar os olhos, tanto fez a mim, quando mal te encontrava. Tens beleza lucida e mansa, teus gestos são bondosos e teu coração totalmente humano, também calejado e grande. É um andar tranquilo ao teu lado. Sim, vou crescendo e deixando morrer o que faz de mim uma triste passageira. Estou longe do mau agouro, vou acordando todo dia, fazendo o que é de ser feito, tomando todos os cafés e chás e precauções pr'o meu coração. Momentos soturnos foram válidos, até o mais doente desespero foi. Mas não nos cabe isso, não! Por que não vi tuas asas, antes, quando andava às tontas? Não importa, o hoje é uma luta, mas só pelo que nos faz sorrir, e abrirei o mais sincero sorriso quando a gente se ver de novo. Ai! O lado bom do despertar. E disse isso, e repito tudo sempre na minha mente, porque merecemos todo amor que houver nessa vida.
 
Das coisas que se aprende

Variações sobre um mesmo tema - n° 2

 
(Gostaria de dizer que não fico à procura da desventura - ou cegueira, loucura, o que for. Eu tenho enxergado muito bem ultimamamente. Tanto, que vejo vermes, fungos na natureza bela que cria ser intacta e pura e que me fazia tão bem, era meu berço. Agora, essa podridão está me infectando, me fazendo murchar, pois consegue percorrer tão caminhos tão profundos do meu ser. Oh... Renasça!)
...
Você não tem outra saída. Caminhe pela noite profunda, coloque o bálsamo da ternura em suas feridas, anestesie a dor que não cessa. O efêmero sempre se vai, mas tem marcas que não podem ser apagadas - e não serão. Elas lhe guiarão. Continue caminhando - logo o dia virá - lembre-se do motivo do riso e enxugue o pranto. Pare. Serene a alma e deixe-se levar pelos braços de Morfeu.
...
Amanheceu! Ouça! Está tocando a canção. Outra vez. Tenho certeza que lembra-se dela. O refrão ecoava em seus sonhos. Abra os olhos agora, lentamente. Viu como tudo voltou ao seu lugar? Sinta o amor. Sinta a quietude. Sinta o calor. Seus olhos estão marejados - e desta vez é lindo. Você está em casa, novamente. Não pode mais fazer mal, o que é do bem. É a aurora dos seus dias gloriosos. É o começo do florescer...
 
Variações sobre um mesmo tema - n° 2

Variações sobre um mesmo tema

 
Sentados frente a frente, desfrutando do prazer daquela amizade, que nada doía. Compartilhavam tudo e assim lhes parecia mais fácil, pois estavam no mesmo barco. Eis que segue:
- Tenho discos, livros, filmes e alguns rabiscos.
- Tenho vícios de linguagem, rimas pobres, desconexas.
- Tenho uma estrada torta alagada por lágrimas.
- Tenho um pouco de Alice, Werther, Hamlet e alguma persongem de Clarice.
- Tenho um pôr-do-sol para cada dia de tristeza.
- Tenho sorrisos das crianças, que fazem meus lábios abrirem em dança.
- Tenho um outono vivo (eu vivi!), e uma lembrança de que parti.
- Tenho um amargo agosto, que se estendeu.
- Tenho um orgulho, que adormeceu.
- Tenho um mundo, e não tenho nada.
- Tenho um coração, pedindo pousada.
- Tenho amor, perdão e medo.
- Tenho noites em claro, que sofro em segredo.
- Tenho uma fé, atrasada.
- Tenho uma cicatriz. Profunda.

São filhos da modernidade, jovens amargurados, poetas do amor puro. Eles não encontram o caminho para casa, se o coração não tiver conforto.
 
Variações sobre um mesmo tema

Desconstruindo Augusto

 
"O expediente já acabou faz algum tempo no escritório de meu pai. Aquele café amargo que tanto gosto à meia luz de minha sala Jokerman nos últimos versos saindo do Ipod eu Augusto aqui jogando essas palavras falsa sensação de tudo em seu lugar contrastando com a mente inquieta coração afobado-cansado-mutilado lágrimas brotando. O Direito, a Advocacia não me satisfazem, essa é uma das minhas escolhas (?) erradas. Ainda considero o escritório um tipo de lar, admitindo muito à contragosto que isso se deve pricipalmente à ela. Ela... Quinto semestre no curso tradicional na família, 'tu não deve fazer outra coisa, garoto, teu futuro tá garantido', e eu querendo cursar Letras, especializar-me em Literatura. Talvez se eu não estivesse aqui, não a teria conhecido. Talvez fosse um alívio não conhecê-la. Não entrarei nos pormenores daquilo tudo & lindo que tivemos, o que sei é que agora a amizade dela me dói e que ainda a amo. E já tentei fazer isso parar, o amor, e faz tempo e não sai. Eles e eles, qual escolher? Pensamentos muito opostos. Preciso deles todos. Isso me enlouquece. Meu rendimento no estágio e faculdade estão mais baixos que minha moral com alguns d'eles. Estou inconstante demais, além dos limites da 'inconstância natural de Augusto'. Quero e tenho medo de algumas libertações. Não há quase nada e não sei como proceder no agora, que dirá daqui pra frente. Não abandonar as raízes, continuarei sofrendo? Ou perder, mas talvez renovar-se, à la sair meio sem rumo, irá aliviar-me e terei aquela felicidade constante novamente? Minh'alma geme, soluça, clama. Pelo menos exorcisei-me, a um grosso, porém real modo, nessas palavras. Basta. (Por enquanto)."
 
Desconstruindo Augusto

Tento.

 
Então há os fantasmas, que aparecem assim, do nada, e viram tudo do avesso. Como posso conviver com eles? Perdão? Ah, eu havia esquecido que agora tudo é diferente.

Vou recomeçar isto, tentar colocar o tal sentido que tanto é procurado. Responder àquelas perguntas dos momentos ridículos e pesados. A verdade é que o mais real é confuso.

Quero conforto. Preciso deixar de lado as idealizações. Tornando tudo uma grande contradição, mas agora, já não há mais como disfarçar o que há tempos tentei. Deixa.

Fugir apenas da amargura e da falta de fé. A cabeça sempre vai pesar, o importante é sentir algo, porque o nada destrói. Sentir nem que não se saiba bem o que.

Tentativa é a lei, sempre foi. Só não sei até quando, e pra onde isso tá levando. O que importa, é que assim dói menos. E assim é mais bonito. Assim se vive.
 
Tento.