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Poemas, frases e mensagens de LemosLemos

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de LemosLemos

Escrever poema

 
Escrever um poema não é brincar
com palavras e sons
sobre a brancura sem defesa do papel
ou da vida que não foi vivida.

No fundo dos becos sem saída
é que o poema se encontra
lado a lado com as mortes
inumeráveis e indefinidas
na mão que o escreve.

Morre e transforma-te!
Não há outro caminho;
o poema é sempre uma autópsia
da natureza e vida.

Eliezer Lemos
 
Escrever poema

Amigo é aquela que...

 
Amigo é aquela pessoa que o tempo não apaga,
que a distância não esquece,
que a maldade não destrói.

É um sentimento que vem de longe,
que ganha lugar no seu coração
e você não substitui por nada.

É alguém que você sente presente,
mesmo quando está longe...
Que vem para o seu lado quando você está sozinho
e nunca nega um sentimento sincero.

Ser amigo não é coisa de um dia,
são atos, palavras e atitudes
que se solidificam no tempo
e não se apagam mais.

Que ficam para sempre como tudo que é feito
com o coração aberto.

Eliezer Lemos
 
Amigo é aquela que...

Fantasia e realidade

 
A chuva cai mansamente,
suas águas molham os vidros do carro
e lentamente escorrem para o chão.

A chuva cai, em ritmo compassado às vezes acelerado...

Cada pingo que desce logo se desfaz...
Tal qual a ilusão que em nossas vidas chegam e se vão.

Chuva fina caindo na alvorada,
molhando as folhas dos coqueiros e arvores,
lavando os telhados dos quiosques,
amainando a poeira das ruas,
refrescando o inicio do dia,
alimentando as lavouras verdejando,
os campos e as planícies onde cantam os sabiás e cotovias.

A chuva cai...

Pingos e mais pingos cor de prata.

De onde eles vêm?
Da imensidão dos céus,
e cai abençoada por Deus,
enchendo os rios, engrossando córregos e cascatas.

Lá fora, a chuva forte cai.

Abro o vidro de meu carro e estendo os meus braços,
e como faz uma criança deixo os pingos de chuva
caírem na palma das minhas mãos
que se unem num ato reflexo.

Eu bebo a água da chuva como se fosse o remédio
que ameniza o meu nervoso, o arfar do meu peito.
O calçadão que beira a orla fica deserto,
pessoas correm a procura de abrigo fazendo-me voltar a realidade.

As mãos molhadas passo no meu rosto.

E a água da chuva que desce pela minha face
misturam-se com as minhas lágrimas,
tocando os meus lábios

E quando a chuva cessa, nas ruas da cidade
deixa o seu rastro refletida numa poça d'água,
nas folharias molhadas
que se confundem com a luz dos astros.

Desperto da minha nostalgia.

Abro os olhos e
contemplo com alegria
o milagre da vida que se renova
emergindo do cheiro de terra molhada
pela chuva que caiu na madrugada.

Volto a minha realidade,
e percebo que tenho por companhia a minha amada ao meu lado,
dentro do carro enquanto chovia,
tudo não passou de imaginação ou ilusão.

Dura realidade!

Quero voltar para minha ilusão!

Eliezer Lemos
 
Fantasia e realidade

A dor da solidão

 
Ouço barulho de chuva, mas não chove,
a manhã surge impenetrável,
uma pequena luz escorre como uma solitária lagrima,
uma luz grisalha, lívida e impenetrável.

A dor da solidão é como um pássaro solitário,
abandonado ao ermo,
uma expressão do silêncio,
com um olhar vago sem nada ver.
Está pousado num pequeno penhasco junto ao mar,
as águas sobem às vezes até a sua solidão,
molham-lhe as penas que parecem revoltadas com a sua impassível mudez.

Não há nada que o assuste ou inquiete;
fica parado diante das ondas que a cada instante crescem,
mesmo assim mal agitam suas asas...
Ou quem as agitas e apenas os ventos que correm ao redor.

A dor da saudade é como um náufrago numa pequena ilha;
imerso numa solidão eterna,
maltrapilho, sedento e faminto;
perdeu sua memória e esperança,
apenas vive a cada dia enquanto não chega o seu fim.

A dor da saudade tritura um coração aos pouco,
devagar doendo sempre.

O cérebro vira um simples miolo disforme,
deixando o ser insano;
seus pensamentos vagos, sem caminho ou direção.

Uma grande solidão no meio de uma multidão.

Há esta dor da saudade!

Quem ama sabe e a conhece;
pois quem verdadeiramente ama sofreu e sofrerá a dor da saudade,
e a nunca esquece.

Eliezer Lemos
 
A dor da solidão

Gostaria

 
Minha querida
Gostaria que o nosso amor fosse assim...

Gostaria que o nosso amor fosse como a natureza...

Doce como uma manhã de orvalho;
infinito como o céu;
certo e preciso como as estações do ano;
lindo como as flores do campo;
inspirador como a lua;

Quente como o sol e acolhedor como as noites de inverno.

Inocente como os filhotes de um pássaro;
mas ao mesmo tempo devastador como um leão feroz.

Cristalino como as águas de um riacho...

Que toda natureza simplesmente se resuma em uma só palavra:

VOCÊ!!!!
Amo-te muito e sei que não acredita nisso,
mas verdadeiramente te amo!!!

Eliezer Lemos
 
Gostaria

Melhor que Internet

 
Embora eu goste da Internet,
nada substitui o apego que tenho por você,
o deleite dos olhos, o timbre da voz, o contato das mãos.

Embora eu ame o virtual, com suas surpresas,
o mundo real me fascina,
porque o teclado não substitui o toque desejado,
nem o sentimento,
a animação da fala, mesmo com erros.

Embora eu me encante com o cursor,
e fique tanto tempo frente à tela,
quero estar muito mais tempo,
com o meu amor,
para além dele...

Você some e eu invento mil histórias:
Deve ter viajado,
o micro quebrou,
deve estar muito ocupada,
ou será que piorou?
E foi de novo internada?

Você some e eu invento um monte de indiretas,
só para esquecer-me de lembrar,
que simplesmente tenho um grande apego por você...

Eliezer Lemos
 
Melhor que Internet

Meus poemas

 
Tantos poemas eu fiz em minha vida
ao observar os seres em seus momentos de gloria e derrotas,
de felicidade e tristezas.
À natureza em sua plenitude e simplicidade.
Na vibração de minha alma difundida na música,
nos sons de uma harmonia ilesa.

Inspirado no mais profundo de todos sentimentos,
o qual chamamos de AMOR,
brotou do fundo de meu ser poemas e versos
que se tornaram musicas melodiosas.

Cantei a cada crepúsculo e a aurora; regozijei-me em todo entardecer!

Maravilhei-me de todos jardins com suas flores e matizes,
e com minha mente viajei através de todo cosmo ou infinito.

Mas os poemas e versos mais belos foram aqueles que não fiz,
ficaram escondidos no recôndito do meu ser;
pouco falei do mais profundo de meu sentimento;
de meu sentimento mais puro meus poemas e versos não diz.

Na ternura deste forte e profundo amor,
dediquei tudo de mais valioso que possuía,
eu sacrificaria mil vezes a minha miserável vida
pois compreendi que nada mais me importa nesta vida além deste sentimento,
ele me escraviza, domina cada célula de todo meu ser;
não quero me libertar,
quero ser escravo eternamente.

Se eu fosse falar dele,
deste amor,
todas as palavras inventadas pelos homens e anjos não comportariam.

Nosso amor maior que o céu e o mundo!

Eliezer Lemos
 
Meus poemas

Eu preciso ouvir a razão

 
Você escuta seu coração
Ele diz que eu não tenho valor
Que a vida tem mais coisas pra ver
Que na hora do perigo
Você pode me procurar que encontra abrigo
Ele só vê um amigo em mim
Você escuta seu coração
Transforma minha vida numa ilusão
Atinge tudo que faço pra receber seu amor
Foge quando quer e aparece sem avisar
Faz meu mundo desabar
Você escuta seu coração
E eu preciso ouvir a razão
Eu não tenho vez na sua vida
Serei sempre uma saída, um desvio
Um motivo pra rir e outro para falar
Você escuta seu coração
E eu preciso dar valor a razão
Eu não tenho as chaves para entrar
Na sua vida, serei sempre uma alternativa
Um motivo pra rir outro para falar.

Eliezer Lemos
 
Eu preciso ouvir a razão

Romance do poeta

 
O jardim se vestia do sol que o queimava brandamente,
mesmo assim o jardim cantarolava,
através de uma fonte
que vertia água prateada, cristalina.

Mas prostrado num banco, num canto do jardim,
o poeta cantava com tanta tristeza,
que quem o canto escutava,
achava e dizia que o poeta e a fonte do jardim chorava.

O choro era por alguém que não voltava,
enquanto durasse o dia, sua ausência duraria...
É por esta pessoa amada que chora o poeta e a fonte.

E o jardim que se vestia do calor do sol,
logo se despiria, com a chegada da noite,
e a noite envolvia o jardim,
como um rei veste uma escrava,
logo a lua despontaria, logo na fonte se veria,
o corpo de prata na água fria.

E enquanto não vinha o dia,
à fonte que retratava a lua,
dizia e cantava que nunca mais a deixaria,
mas o canto era mais um choro de lamento,
que se o dia despertava a lua não mais veria...
Era por isso que a fonte chorava!

Fonte de melancolia,
que com tanto amor amava,
que nunca feliz completamente estava,
chorava quando era dia,
e se era noite lamentava e murmurava.

Mas no choro que fazia,
com tal beleza chorava,
que quem o choro escutava,
dizia que a fonte não chorava,
antes que a fonte cantava.

Assim também chora o poeta
por sua amada dia e noite!

Eliezer Lemos
 
Romance do poeta

Longe de você

 
Lá bem longe... Bem longe,
distante da consciência e perto do coração,
meu corpo está sempre em transformação.

Meus sentimentos não são meus, e eu não me conheço ou reconheço.

Sei quem sou, mais às vezes me esqueço.

Longe de você sou Fé, sou Henrique, Pedro ou José;
longe de você nada sou, não existo, não sou ninguém.

Apenas eu o frio e o escuro da madrugada infindável.

E a peso da solidão.

Eliezer Lemos
 
Longe de você

A minha história

 
Quereis ouvir a minha história? Pois bem, prestai atenção, sentai-vos neste duro cepo junto ao fogão, não há poltronas macias nem canapés na roça ou sertão. A porta está bem fechada, temos quentura de mais, a lenha que estala, fala de calma, sossego e paz; que importa que os ventos lutem lá fora nos matagais? Que importa que a chuva caia, que no céu ruja o trovão, que as enxurradas engrossem as águas do ribeirão? Se abrigados conversamos à luz do amigo fogão?

Quereis ouvir a minha história? Não precisas pedir mais... É triste, e de histórias tristes quem sabe se não gostais? Vou contar-vos; e nenhum outro de mim a ouvirá jamais.

Não, não foi somente o tempo com suas frias geadas que desnudou-me a cabeça, fez-me a face encovadas. Foram da vida as borrascas, foram noites de agonia, foram fardos de mentiras dos homens com suas traições. Nasci pobre; este delito seguiu-me por toda a existência... Sobre o teto de uma choça de que serve a inteligência? De que vale uma compleição robusta, um peito enérgico e forte ante o egoísmo das turbas e os anátemas da sorte? Nasci pobre, e, alçando os olhos da pobreza em que vivia, me atrevi, como os condores, a fitar o rei do dia!

Foram-se os anos, agora sou velho, perdi tudo quanto amei; deixai que eu chore por um momento, foram tantos sonhos que sonhei! Deixai que escorram minhas lagrimas saudosas, tristes pérolas de amor; gotas de orvalho da vida no seio da murcha flor! Escorrei lagrimas! Ao menos sois doces, trazei-me consolo ao menos... Quantos infelizes vos derrama amargo como veneno! Na meia idade, o que era impossível aconteceu, encontrei o que sempre buscava; o amor verdadeiro, o amor somente meu; amei-a! Amei-a demais! Um amor com muitas lutas em circunstâncias fatais, com revezes e torturas; transpus leis e cadeias que o homem produz, quebrei, como o corcel quebra as peias.

Em poemas me deliciei, de infindos planos compus, em poucos anos este sentimento me conduziu a plena luz, inspirou-me ao etéreo; mas o destino cruento de minha audácia se riu.. Inda eu folgava confiante, quando a minha esperança partiu. Partiu para longas terras, foi ver estranhos lugares, como o pássaro que emigra foi pousar noutros palmares.
Nuvens de amarguras cercou-me a existência então, o céu tornou-se a meus olhos como um teto de uma prisão. Noites, muitas longas noites, em vez de dormir eu somente gemia. Mas no fim destas noites ergui-me... Também parti! O que intentava? – Ignoro. O que esperava? – Não sei. Surdo a razão, as leis humanas, lancei-me ao acaso, desprezando tudo.
Desta viagem não quero as penas lembrar, dias de sofrimento, angústia, vigílias a delirar. Não quero lembrar as horas de desânimo cruel em que traguei a taça do negro fel. Dois anos que valeu vinte, sem repouso, sem sossego, passei vagando entre os homens, doido, febrento e cego. Dois anos a mesma imagem a torturar-me, dois anos as mesmas idéias... Dois anos andando por toda parte ébrio de amor, procurei-a pelas ruas, pelas praças, pelos campos e desertos, levei meus passos incertos, buscando essa esquiva sombra.

Quantos lábios me sorriram! Quantas belezas encontrei! Quantos amores puros e castos rejeitei, virei meu rosto e passei... E no entanto poderia sem frenesi, sem loucura, colher a flor perfumada de modesta formosura; parar de vez a minha febril carreira, dizer: – basta, a vida é esta; quem foge dos seres comuns seguem uma estrela funesta.
A ventura é ver a prole, ver a paz sentada ao lar, ver do teto o trabalho e a miséria afugentar; mas a imagem da esperança nunca me deixou sequer por um momento, era um console celeste junto a um martírio cruento. Eu sempre via-lhe as formas, em qualquer lugar; no céu, nas matas, nos campos, no clarão das estrelas, mesmo nas pequenas luzes dos pirilampos; se eu dormia ou madornava, sentia a sua face encostada à minha, sentia-lhe os longos cabelos, ouvia-lhe a voz, tão doce, tão doce que eu despertava... E minh’alma estremecia, daquelas visões escrava; se eu caminhava, nos prados ou junto as fontes sentava, via-lhe o vulto sublime, via-lhe o corpo de fada, e me lembrava dos contos que contava para as crianças; passava as mãos pelos olhos e murmurava: minhas esperanças era do norte ou do sul! A esperança é o meu porvir, a esperança de uma maga estrela, que há de meu céu luzir.

De tanto errar fatigado, fatigado de sofrer, busquei nos ermos profundos um lugar onde morrer; embrenhei-me no mais denso, no mais negro das florestas, onde a natureza virgem se ostenta em continuas festas, onde eu este simples verme que pensa, farto, inflado de vaidade, sente as fibras se crisparem ao sopro da liberdade... Sinto-me vil, pequenino, cinza, lama, podridão, e curvar-se aniquilado perante Deus e a criação. No seio de escuras selvas, no cimo das serranias, dos grandes rios à margem, deixei passarem meus dias, mas nesses ermos sem nome na tormenta ou bonança, entre místicos rumores, ouvia a voz da esperança.

As sombras da morte por sobre minha cabeça passaram e as vozes de outro mundo por meus ouvidos soaram, senti o frio das campas, cai sem força no chão, e ao voltar de novo a vida, como que uma nova oportunidade perdi a luz daquela visão, espero voltar à razão.

Eliezer Lemos
 
A minha história

Há está saudade!

 
Que sentimento é este? Este sentimento que às vezes é tão cruel!
Mas tem momentos que é necessário para incentivar o pensamento.

Gostosa saudade!

Saudade que nos obriga a ter imaginação!
Quando estamos morrendo de saudade
queremos dizer NÃO,
mas instantaneamente dizemos SIM,
junto com uma grande emoção.

Há gostosa saudade!

Que ensina a ter nosso ideal,
e a conviver com a loucura do verdadeiro AMOR.
E em meio ao silêncio de tanta saudade,
posso até dizer: EU TE AMO!
Porém sempre procuro uma razão da existência,
sem que qualquer pessoa queira este sentimento SAUDADE.

Eliezer Lemos
 
Há está saudade!

Areias do mar

 
Nossas mãos em concha num gesto espontâneo
apanham areia da praia.
E nas mãos ela fica retida.
É como se integrasse em nossas vidas.
Dependendo do estado de espírito
de quem as retém, muito dizem...
Representam alegrias, tristezas, desilusões.
Representam saudades... Mágoas, ressentimentos...
São elas o presente e o passado.
Não há quem nas areias da praia vá buscar descanso, lazer e paz,
que não tenha uma história para contar.
E continuamos retendo os grãos da areia,
assim como tentamos segurar a felicidade
em algum lugar que não sabemos, mas buscamos.
E por mais que não queiramos,
das mãos, alguns grãos, começam a escapar.
E vão perdendo-se pelos dedos...
O mesmo acontece a toda hora nas vidas de todos nós.
Atemorizados por inseguranças, ciúmes, desconfianças e medos,
quase sempre, afastamos ou secamos um amor
e acabamos sem ele, olhando para o nada e sós.

De onde quer que esteja.
Vê!
E crê!

Nós dois deixamos a felicidade escapar.
Assim como foram escapando de nossas mãos,
pelos dedos, os grãos de areia
que um dia sentamos na praia apanhamos e não soubemos conservar...

Eliezer Lemos
 
Areias do mar

Quando morre um poeta

 
As flores se retiram, as folhas não conversam mais,
os rios adormecem, o mar se recolhe mais cedo,
a noite apaga as lanternas, o dia indefere a razão,
as tardes não se apresentam, as madrugadas não se manifestam,
os estádios perdem os sentidos,
as ruas se acomodam, as cidades ficam mudas,
as crianças não sujam a cara, os velhos redescobrem a bengala,
os mendigos reinventam a miséria, os pobres revigoram a fome,
os soldados ocupam as armas, os canhões falam mais alto,
e ninguém fala mais de flores.

As facas retalham a vida desfibrada,
as bombas pedem passagem,
o sol se cobre com um casaco comum,
a democracia adormece.

O violão perde as suas cordas,
o conhaque comove mais que a lua,
o seresteiro se recolhe mais cedo
e
a vida dorme um sono definitivo.

Eliezer Lemos
 
Quando morre um poeta

Ficou somente a saudade

 
Eu te amo tanto, que nem sei tecer-te um canto...
Vivo somente em planto...
Quando fito chegar o entardecer,
sinto logo o coração se encher do azul escuro do infinito,
e palpitar de pura emoção.

E sinto uma febre imensa do amor,
que do meu peito fervilha,
tenta fugir de mim ante tanta maravilha.
Como te amo minha querida!
Quero em teu seio terminar o tempo que tenho para viver,
e ali ficar até o fim de meus dias.

Vejo-me às vezes tão sozinho e triste,
sinto que tenho em meu peito um grande deserto,
uma devastação jamais sofrida,
todos meus bens foram levados
pelo vento forte de um temporal
vindo do norte.

A minha própria esperança foi destruída;
até creio que nada de bom exista,
e nesta minha rude solenidade vida,
somente tu vens visitar-me
amiga eterna: – SAUDADE!

Eliezer Lemos
 
Ficou somente a saudade

Amei demais

 
Amei demais, e não me amaram assim,
somente eu sofri, isso foi tão ruim para mim,
meu coração triste se quebrantou dentro de mim,
eu não pensava que amar demais era sofrer tanto assim.

Amei demais, errei demais, por me entregar tanto assim,
tive pranto demais em meu coração,
não sei o quanto esfriou a paixão que existia dentro de mim,
já sofri demais com este amor que não tem fim.

Andei um tempo como um débil andarilho em algum lugar,
e neste lugar vi de frente a solidão sob a claridade da lua,
e senti como estava frio o meu coração,
então pensei:
Vou tentar reviver
e não vou chorar jamais por perder este grande amor.

Amei demais, eu não sei o que fiz,
eu nem sei se algum dia você me amou, me diz se amou, me diz!...
A somente pranto em meu coração,
nem sei o quanto esfriou a paixão de dentro de mim,
de meu coração,
já amei demais, já sofri demais, DEMAIS.

Este tipo de amor fez um grande corte,
deixando uma grande cicatriz em meu coração,
e ninguém se interessa de saber,
que amei tanto assim, que sofri tanto assim.

Eliezer Lemos
 
Amei demais

Horas triste

 
Pensava em ti nas minhas horas de tristeza,
foi quando este poema pálido compus...

Cercavam-me planícies sem beleza,
pesava-me na fronte um céu sem luz,
só tu conheces o secreto espinho,
que fere o meu coração,
atingindo até a medula da alma.

As minhas horas triste são longas e eternais;
quando durmo tenho pesadelos e delírios,
meus pensamentos povoam meu cérebro sem descanso,
ou ao menos um intervalo.

É nestas minhas horas triste que componho frases de dor,
poemas amargos que deixam transparecer
o negrume do meu interior, o meu reino abissal.

Eu sei a cura de minhas horas triste,
um amor impossível que conheci e passou em minha vida como um vendaval,
uma grande tormenta que carregou de repente a minha paz,
alegria e a minha vida.

Além da grande saudade só ficou as minhas incontáveis horas triste,
a minha inseparável companheira.

Minhas horas triste!

Eliezer Lemos
 
Horas triste

Fruto proibido

 
As horas passam vertiginosamente
rumo à volúpia insaciável,
louca sempre atenta e presente
em nossos mágicos momentos.

Os minutos fogem rápidos
por entre cúmplices dedos,
mãos entrelaçadas...
aliança viva que trata nosso medo
com absoluto desdém.
Tento agarrar em vão uma fresta desse momento,
para antecipar as horas de festa,
que sei,
virão sigilosas e também esparsas,
como se fosse possível viver e dês-viver uma paixão...
fazendo-a escorrer por entre pequeninos grãos,
de forma sutil, insuspeita,
empurrada pelos ventos que sopram aflitos
dentro do vidro inquebrantável,
por onde deslizam impunemente
as areias do tempo.

Eliezer Lemos
 
Fruto proibido

Eu já sentia saudades

 
Eu já sentia saudades de você...
Que me fala de coisas, que eu,
de alguma maneira, já tinha ouvido de você...
Eu já sentia saudades, mesmo sem nunca te ter visto...
Já te imaginava assim;
terna, doce e com um carinho muito grande por mim...
Sim, eu já imaginava você...
Podia até adivinhar como seria te conhecer,
pois eu já sentia muitas saudades de você...
Um você, que demorou a chegar...
Um você, que me fez tanta falta...
Um você, que se escondeu durante tanto tempo,
para só agora aparecer, e mudar tudo, em segredo,
me encantar, me trazer de volta uma felicidade,
que eu, já havia desistido de sentir...
Trazer-me essa paz, que está me fazendo tanto bem!
Eu já sentia saudades desse sentimento,
essa estranha alegria que está em mim,
ao lembrar-me de você, para mim,
é como se tudo isso já tivesse acontecido,
cada gesto seu, eu já conhecia,
cada olhar que me lança, eu já havia esperado.
E eu sabia que seria assim,
uma calmaria dentro do meu coração,
e ao mesmo tempo, uma enorme chama, que queima...
Eu sabia que o nosso primeiro momento,
seria como foi; único, sereno, natural e mágico...
E agora que te encontrei,
sinto que você é muito mais do que eu imaginava,
é muito melhor...
E eu começo a sentir a sua falta o tempo todo,
mesmo tendo te visto ainda há pouco...

Eliezer Lemos
 
Eu já sentia saudades

Aconteceu

 
Minha vida já não é como antes,
tudo mudou sou outra pessoa.

Meus pensamentos já não me pertencem,
vejo cada dia que nasce, mais lindo,
vejo melhor a natureza.

Aconteceu de repente,
como uma estrela cadente,
nasceu assim como uma brisa marinha,
se estendeu e hoje é algo bem sólido.

Mesmo sem te conhecer eu te vejo em vários lugares.

És acima de tudo o meu grande amor, o amor que sempre sonhei,
com certeza estou nos braços certos,
pois você me invadiu no dia e na noite,
fico a querer descobrir quem és.

Pensando em você fico rindo sem motivo aparente,
com cara de bobo.

Não quero de você mais nada,
a não ser o direito de sonhar acordado,
dormindo ou cochilando.

E que apenas o que sentimos seja real,
e não vou deixar o tempo passar sem ao menos
ter o direito de estar contigo num momento de amor.

Eliezer Lemos
 
Aconteceu