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Poemas, frases e mensagens de HélderJGonçalves

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de HélderJGonçalves

Rosalinda, Rosa Linda

 
ROSALINDA, ROSA LINDA

Rosalinda, se tu fores à praia
Se tu fores ver o mar… (Fausto)

Rosalinda é uma rosa linda,
De olhos grandes como o mar.
E o mar é um campo grande, azul,
Com rosas brancas a ondular;
E Rosalinda, uma gaivota a descansar.
Música: Fado Corrido – Popular
Constrói castelos de areia,
Búzios, estrelas-do-mar;
Bonecos que a maré cheia
Vem, um a um, apagar.
Rosalinda é persistente,
Tem paciência de sobra,
No dia a seguir, contente,
Põe de novo mãos à obra:
Um golfinho, uma baleia,
Um barco p’ra navegar,
Mais um boneco de areia,
Que faz caretas ao mar.
Sente as carícias do vento
Olha o voo das andorinhas,
E esboça em cada momento
Um sorriso, que dá alento
Às almas que estão sozinhas.
O sorriso é uma semente,
Uma semente diferente;
Botão de rosa luzente,
Que desabrocha e dá flor.
Não num vaso ou num canteiro,
Não no campo ou num jardim…
Na boca de toda a gente!
Gosta do mar: cheira a vida,
A caranguejo, a luar;
Da subida e da descida
Das ondas, do baloiçar
Dos barcos, ali de fronte;
Da linha do horizonte,
Que divide céu e mar.
Rosalinda é decidida:
Nos labirintos da vida,
Nunca se deixa enredar.
Tem sempre as palavras certas,
E no peito, sempre abertas,
As portas de par em par.
Quando nasceu, Rosalinda
Levou mais tempo a nascer;
E foi esse tempo a mais
Que fez Rosalinda ser
Diferente das demais
Crianças ao seu redor:
Leva mais tempo a aprender.
Mas isso que tem, se tem
Todo o tempo para saber!?
Tanta coisa que Já sabe!
De amor, sabe ela tanto
Como qualquer um de nós.
Talvez até saiba mais!
Num olhar diz coisas tais,
Que nos faz perder a voz;
Tem tanta, tanta alegria
No seu sorriso feliz,
Que sem saber irradia
Uma luz que a todos diz:
(Aos presentes, indiferentes,
Ausentes e outros que tais),
Que embora sendo diferentes
Todos nós somos iguais.[/color]

1º Prémio no XX Concurso de Poesia da APPACDM de Setúbal
 
Rosalinda, Rosa Linda

LUA

 
LUA

A Lua é o espelho da noite.
É nela que a noite se vê
Quando põe estrelas nos cabelos,
E depois, fica vê-los,
E depois… fica vê-los.

A Lua é um lago de prata,
Madrinha dos mais pequeninos.
À noite, derrama o luar,
Que vai iluminar
Os sonhos dos meninos.

A Lua é o fermento das águas,
A Lua é a mãe das marés.
É ela que estende na praia
O lençol de cambraia
Em que descanso os pés.
 
LUA

BEIRAL

 
BEIRAL

Vieste com as andorinhas
Na Primavera florida.
Se no meu peito te aninhas,
Tens beiral p'ra toda a vida.
 
BEIRAL

CARTA A SOPHIA

 
CARTA A SOPHIA

Escrevo-te esta carta
Porque me dói a tua ausência,
Porque é de gelo este silêncio.
Faz tanto frio estar sem ti!
Não sei dos dias, que das horas da saudade.
Mas escrevo-te,
E as palavras são de vida
E povoam de vida este vazio.
Sílaba a sílaba, sinto
E vejo e ouço o mar,
Os teus passos atravessando a rua,
A fria madrugada, noite escura,
Tu partindo e eu
Tão descontente.
Escrevo,
E vejo-te a atravessar os umbrais
Trazendo de volta a Primavera,
Andorinha gentil que tanto tardas.
Com que fios se tece o labirinto da saudade?
Nunca, de nós, viaja nas palabras
Quanto baste.
Mas escrevo-te um abraço
E amanhece.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=321893 © Luso-Poemas
 
CARTA A SOPHIA

A FLOR MAIS FORMOSA

 
A FLOR MAIS FORMOSA

(fado para a Maria, minha neta)

Traz os teus lápis de cera,
Vem desenhar uma pera
Bem gostosa, amarelinha.
Pega nos lápis de novo,
E desenha agora um ovo
E, ao pé do ovo, a galinha.

Traz os teus lápis de cor
E desenha, com amor,
Um coração cor-de-rosa.
Dentro deles, pai e mãe,
Tios avós e tu também,
Tu, que és a flor mais formosa.

Traz agora as aguarelas
Para pintares as mais belas
Roseiras do teu jardim.
Rosas de todas as cores,
Para os teus grandes amores,
E não te esqueças de mim!

(in Fado Maior, Ed. Lua de Marfim- 2016)
 
 A FLOR MAIS FORMOSA

ESSE TEU JEITO DE ANDAR

 
Esse teu jeito de andar,
A graça do movimento,
Foi aprendido com o mar
Ou é capricho do vento?
 
ESSE TEU JEITO DE ANDAR

A SOLIDÃO DE CADA DIA

 
A SOLIDÃO DE CADA DIA

Todos os dias, pega na velha guitarra e vai para o jardim.
Senta-se sempre no mesmo banco debaixo da magnólia.
Agora está em flor, esplendorosa. Tira a guitarra da caixa,
e faz deslizar, carinhosamente, sobre as cordas,
um pano de flanela. Retoca a afinação e ajeita-a no colo.
Começam a chegar os primeiros pombos.
Não procuram milho, ficam a cirandar
à volta do banco. Dir-se-ia que dançam.
Às vezes, um mais afoito pousa-lhe no ombro.
Quem passa, passa ao largo, para não interferir.
As cordas da velha guitarra vão rasgando
os fios da imensa teia da saudade.
Regressa ao vazio da casa, quando já se foi o sol,
e a grande noite recomeça.
HJG
 
A SOLIDÃO DE CADA DIA

POSTAL DE LISBOA

 
POSTAL LISBOA

Música: Fado Cravo – Alfredo Marceneiro

Gosto de andar p´las vielas:
Vasos de flores nas janelas
Andorinhas nos beirais;
O Tejo é um risco ao fundo,
Da cor das portas do mundo
Que são teus olhos fatais.

Gosto do som das guitarras,
Gosto de cortar amarras,
Ir aonde me leva o fado;
E na tarde que arrefece,
Da tua voz que enternece
Quando cantas a meu lado.

Aqui e além um navio.
Gosto da calma do rio,
Sem pressa de ver a foz;
E do modo como me olhas,
Quando o malmequer desfolhas
A tentar saber de nós.

Gosto das ruas estreitinhas,
Dos becos, das escadinhas,
Das varandas enfeitadas;
De sardinhas, pão e vinho,
Dos lençóis em desalinho,
De fados de guitarradas.

[poema concebido como letra de fado
para a Música do Fado Cravo, de Alfredo Marceneiro]

Ouvir o fado:

https://www.facebook.com/helder.goncal ... /videos/1182433975128620/

(in Fado Maior, Ed. Lua de Marfim, 2016)
 
POSTAL DE LISBOA

MAR

 
MAR
 
MAR

Na concha do búzio,
habita todo o som do mar.
Encosto-a ao ouvido
e derramam-se ondas.
 
MAR

NÃO SEI NAMORAR A LUA

 
NÃO SEI NAMORAR A LUA

Vadia, de rua em rua,
Na minha não se demora.
Não sei namorar a lua,
A lua é que me namora.
 
NÃO SEI NAMORAR A LUA

ORIGÂMI

 
ORIGÂMI

Aquele barco que eu fiz
Com o papel que tu me deste
Não é uma casca de noz,
É um pedaço de nós.

A rosa que tu fizeste
Com o papel que eu te dei
Não é uma flor de lapela,
Cresce na nossa janela.

Aquele barco veloz
Com um cheirinho de rosa
É um pedaço de céu.
Dentro, vamos tu e eu.

HJG
 
ORIGÂMI

DEIXA LÁ GIRAR A LUA

 
DEIXA LÁ GIRAR A LUA

Música: Fado Perseguição – Carlos da Maia

Mandaste a lua espreitar
O que eu andava a cantar,
Agora, que tu não estavas.
Veio a lua e, por sinal,
Cantava um fado banal
Daqueles que tu cantavas.

Mandaste e lua depois
Perguntar se p´ra nós dois
Ainda haveria um fado.
“Ó meu bem não há maneira
Quer se queira ou se não queira,
Não se conserta o passado! ”

Quiseste ainda sabe
Qual era a razão de ser
Deste tempo sem futuro.
“Ciúmes desconcertantes,
Que os amores inconstantes,
Não trazem porto seguro”.

Quiseste saber por fim,
Se eu queria minha alma assim,
Virando costas à tua.
“À noite sucede o dia,
Meu amor, sem ironia,
Deixa lá girar a lua!”

(in Fado Maior, Ed. Lua de Marfim, 2016)
 
DEIXA LÁ GIRAR A LUA